domingo, março 26, 2017

Monthly Archives: janeiro 2017

A prefeitura de Ariquemes (RO), no Vale do Jamari, fez com que algumas páginas sobre união homoafetiva em livros didáticos não fossem distribuídas aos alunos. Conforme decisão do poder executivo, qualquer material que fale ou demonstre diversidade sexual, uso de preservativos ou casamento homoafetivo devem ser removidas.

A decisão em Ariquemes foi realizada na semana passada, dia 23, após a reunião entre o prefeito Thiago Flores e doze vereadores. Segundo Amalec da Costa (PSDB), “Todos estes livros enviados pelo MEC vêm com conteúdo de formação de família por homossexuais, orientação sexual, uso de preservativo. Entretanto acreditamos que estes assuntos devem ser abordados pelos pais e não nas salas de aulas, principalmente, por lidar com crianças”

Para grupos e ONGs de direitos LGBTs, retirar esse material da educação é o mesmo de não falar abertamente sobre o tema que, de fato, existe na sociedade. Segundo Júnior Diniz, 31, que trabalha o assunto em aulas de ética no município de Contagem (BH), “Algumas pessoas argumentam que qualquer discussão a respeito da diversidade sexual, no ambiente escolar, seria uma forma de incitarmos as crianças a se tornarem gays ou lésbicas. A gente sabe, no entanto, que a sexualidade é particular e algo próprio do ser humano. O importante é eles [alunos] perceberem que o diferente merece respeito e que respeitar as diferenças não significa que eu queira ser igual”, comentou ao site Educação do UOL.

Ainda segundo Amalec, o estado não tem competência para falar sobre este tema. É algo que deve ser feito pelos pais dos alunos. Porém, segundo alguns estudiosos, os pais também não tem competência para tratar o tema que, infelizmente, ainda é um tabu. E só com a educação e mostrando que a diversidade existe é que o preconceito, a discriminação e a homofobia serão eliminados.

Com essa atitude da prefeitura de Ariquemes, toda a sociedade perde.

Idealizado por Isadora Fraga, 23 anos, e Vicky Fechine, 25 anos, o objetivo do canal no Youtube é falar sobre o “mundo das lésbicas”.

Com o nome de “Vlog Censuradas”, Fraga e Fechine contam que falar sobre o “mundo das lésbicas” é desmistificar a imagem criada pela sociedade sobre a comunidade LGBT, mostrando seu estilo de vida que, se formos observar, não é tão diferente da maioria.

Com atualizações frequentes, o canal tem fanpage no Facebook e conta no Instagram. Só o perfil no Youtube já conta com mais de 3 mil pessoas inscritas totalizando mais de 170 mil visualizações.

Entre os vídeos mais acessados, estão:

5 apps de paquera lésbica

10 séries para Lésbicas

5 filmes de Comédia Lésbica

Para conhecer outros vídeos, acesse o canal:
https://www.youtube.com/CensuradasVlog

E se tiver mais canais interessantes, de gays, lésbicas, bissexuais ou pessoas trans, indique pra gente! 🙂

Muitos que não participam dos movimentos de direitos LGBTs se perguntam: afinal, como foi escolhido a data 29 de Janeiro para o Dia da Visibilidade Trans? Como surgiu? O que buscam? E nós explicamos! Foi no dia 29 de Janeiro de 2004 que 27 travestis, mulheres transexuais e homens trans entraram no Congresso Nacional em Brasília para lançar a campanha “Travesti e Respeito”, do Departamento de DST, AIDS e Hepatites do Ministério da Saúde.

Foi a primeira campanha nacional idealizada e organizada pelas próprias trans para a promoção do respeito e da cidadania. Desde então, a data não é só lembrada mas também é comemorada por ativistas travestis, transexuais, gays, lésbicas e parceiros em geral com diversas ações de visibilidade positiva desta população.

Em 2016, por exemplo, a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, hoje considerada a maior do mundo, durante diversas reuniões que fez com coletivos, outras ONGs de direitos humanos e militantes independentes, desde o ano anterior, constatou que o segmento T (trans), de todas as letrinhas que compõe o LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros), era, de fato, a mais vulnerável. Por isso o tema da 20ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo no ano passado foi “LEI DE IDENTIDADE DE GÊNERO, JÁ! – Todas as pessoas juntas contra a Transfobia!”. Uma forma de mostrar a sociedade, além de lutar pelos direitos das pessoas do segmento T, que travestis, mulheres transexuais e homens trans existem e que todos nós estamos cansados de tanta transfobia.

O tema da Parada de 2016 repercutiu tanto que a APOGBLT SP, ONG responsável pela Parada LGBT de São Paulo, lançou inclusive a campanha “Marque-se” com a tag #ChegaDeTransfobia nas redes sociais. Deu tão certo que muita gente “se marcou” não só na Parada como nas redes.

Porém, a luta continua e felizmente, no dia 29 de Janeiro ou nos dias próximos a esta data, diversos militantes em todo o Brasil promovem atividades, palestras, workshops ou passeatas para se fazer ouvir. É o caso, por exemplo, da II Caminhada pela Paz: Sou Trans, Quero Dignidade e Emprego que, neste ano em São Paulo, será realizado no dia 28 de Janeiro no vão livre do Masp a partir das 14h. Diversas ONGs, inclusive a APOGLBT SP, estará presente. No dia 29, Dia da Visibilidade Trans, o mesmo grupo estará lançando o projeto K-Lendárias na Galeria Olido as 15h.

Segundo Renata Peron, responsável pelo Centro de Apoio e Inclusão Social de Travestis e Transexuais (CAIS) e que organiza a caminhada, “Somos apartidários. Queremos que população e a sociedade perceba que travestis, transexuais e homens trans estão a margem mas não queremos estar lá. Por isso estamos gritando até que alguém nos ouça.

Por isso a luta pelos direitos LGBTs, em especial aos grupos mais vulneráveis, é importante e merece a colaboração de todas as pessoas. Aqui mesmo em nosso portal, por exemplo, já noticiamos muitos casos tristes de transfobia que, infelizmente, acontecem diariamente.

Que o dia 29 de Janeiro, o Dia da Visibilidade Trans, ecoe e, como disse Renata Peron, “vamos gritar até que alguém nos ouça“.

 
(Vídeo produzido pelo PreparaNem em 2016 para o Dia de Visibilidade Trans)

Publicação alterada em 26/01: Devido a “II Caminhada Pela Paz” que irá acontecer neste sábado (e que estaremos presentes!), o dia da reunião da APOGLBT SP foi alterada: do dia 28/01 para o dia 04/02. Estaremos comunicando todxs xs inscritxs.

CONVITE:

A Associação da Parada LGBT de São Paulo (APOGLBT SP) convida outras ONGs de direitos LGBTs, coletivos e militantes independentes para a reunião de avaliação e organização dos grupos de trabalho para o Mês do Orgulho LGBT em 2017.

A reunião será dia 04/02, às 13h30, no Sindicato dos Comerciários que fica na Rua Formosa, 99 (ao lado do metrô Anhangabaú)

Ao contrário dos outros encontros, pedimos a gentileza de todos confirmarem a presença pelo formulário abaixo (IMPORTANTE: Caso você já tenha se cadastrado para a reunião que iria acontecer dia 28/01, ignore o formulário abaixo):

No país que mais mata travestis, mulheres transexuais e homens trans do mundo e onde 90% desta população encontra na prostituição a sua única possibilidade de sobrevivência, o Centro de Apoio e Inclusão Social de Travestis e Transexuais (CAIS) promoverá a “II Caminhada pela Paz: Sou Trans, Quero Dignidade e Emprego”.

A II Caminhada lutará pela promoção do direito a inserção das pessoas trans do mercado formal de trabalho. Assim como na primeira edição, o evento tem como objetivo visibilizar a população trans e destacar direitos essenciais que nos são negados apenas por sermos quem somos!

Além da caminhada, no dia seguinte (29), haverá o lançamento da campanha “Sou Trans, Quero Dignidade e Emprego”, junto com a exposição do Projeto K-lendárias (calendário e documentário).

“Somos apartidários. Queremos que população e a sociedade perceba que travestis, transexuais e homens trans estão a margem mas não queremos estar lá. Por isso estamos gritando até que alguém nos ouça.”, enfatiza Renata Peron, presidente do CAIS.

Diversos artistas já gravaram vídeos e publicaram na página do CAIS no Facebook convidando para os dois eventos.

Serviço:

Dia 28 de janeiro:
II Caminhada pela Paz: Sou Trans, Quero Dignidade e Emprego
14h, concentração no vão livre do MASP (Avenida Paulista, 1578).
17h, Ato político na Câmara de Vereadores de São Paulo.

Dia 29 de janeiro:
Lançamento da Campanha “Sou Trans, Quero Dignidade e Emprego”
Exposição do Projeto K-lendárias
Exibição de Documentário K-lendárias
15h, Galeria Olido (Avenida São João, 473, São Paulo)

A Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT SP) tomou conhecimento do trágico acidente aéreo desta quinta-feira (19) no mar próximo a Paraty (RJ), que vitimou o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Teori Albino Zavascki e lamenta profundamente o ocorrido.

Teori Zavascki exercia o cargo de ministro substituto no TSE desde março de 2014. Antes, em 2011, na época em que o STF decidia igualar a união estável LGBT ao casamento civil, Teori se declarou favorável aos direitos da união homoafetiva ao dizer “Há aqui um tratamento discriminatório em relação a esta entidade familiar decorrente da união estável”.

A diretoria da APOGLBT SP está profundamente abalada com a triste notícia e se solidariza com os familiares do Ministro Teori neste momento de pesar.

Os LGBTs têm conseguido todas suas vitórias e avanços através do Poder Judiciário para garantir a igualdade entre os iguais. Infelizmente no dia 19/02/2017 tivemos uma grande perda na nossa luta com o falecimento do Ministro Teori Zavascki, o qual apresentou brilhante voto na questão da união estável entre LGBTs e grande jurista que sempre defendeu bandeiras de direitos humanos. Solidarizamo-nos com a dor da família Zavascki e os Ministros do STF que perderam um grande membro e jurista.” (Fernando Quaresma, advogado e presidente da APOGLBT SP)

O Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Padre João (PT-MG), apresentou uma lista de quarenta ameaças aos direitos humanos que partem do legislativo. Parte das iniciativas já foram aprovadas em 2016, parte ainda tramita.

O levantamento foi elaborado em parceria com o Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e com apoio de pesquisas realizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, da Conectas Direitos Humanos e do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar.

Desta lista, as ameaças que dizem respeito aos direitos LGBTs são:

  • ESTATUTO DA FAMÍLIA. Foi aprovada por Comissão Especial a proposta que retira os casais homoafetivos do conceito de família. Casais formados por pessoas do mesmo gênero, pela proposta, não podem se casar ou estabelecer união estável, tampouco podem adotar. O Brasil já permite o casamento e a adoção por casais homossexuais, a partir de decisão do Supremo Tribunal Federal. É um retrocesso. O Estatuto aguarda apreciação pelo Plenário da Câmara. (PL 6583/2013).
  • CONTRA O RECONHECIMENTO DE PESSOAS LGBT. Além do Estatuto da Família, tramitam projetos que propõem a vedação de adoção por casal homoafetivo; a criminalização da “heterofobia”; a criação do “Dia do Orgulho Heterossexual”; a criação de nova causa de anulação do casamento — “a ignorância, anterior ao casamento, da condição de transgenitalização, que por sua natureza, torne insuportável a vida do cônjuge enganado com a impossibilidade fisiológica de constituição de prole”; o cancelamento do decreto sobre o reconhecimento do nome social e da identidade de gênero de pessoas travestis e transexuais, entre outros. (PL 4508/2008, PL 620/2015, PL 7382/2010, PL 1672/2011, PL 3875/2012, PDC 395/2016).
  • (NÃO) DIVERSIDADE NAS ESCOLAS. Um projeto pretende vetar o debate sobre a igualdade de gênero – ou a promoção da ideologia de gênero — por qualquer meio ou forma do sistema de educação. Outro criminaliza a veiculação “em atos normativos oficiais, em diretrizes, planos e programas governamentais, de termos e expressões como ‘orientação sexual’, ‘identidade de gênero’, ‘discriminação de gênero’, ‘questões de gênero’ e assemelhados, bem como autorizar a publicação dessas expressões em documentos e materiais didático-pedagógicos, com o intuito de disseminar, fomentar, induzir ou incutir a ideologia de gênero”. (PL 2731/2015, PL 3236/2015, PL 3235/2015)

Com relação a laicidade do Estado:

  • EDUCAÇÃO. Tramitam na Câmara algumas propostas dispondo da obrigatoriedade do ensino religioso, da Bíblia ou do criacionismo nas escolas. Hoje a Lei de Diretrizes e Bases estabelece que o ensino religioso é facultativo, devendo ser respeitada a diversidade, sendo vedado o proselitismo. (PL 309/2011, PL 943/2015, PL 8099/2014,).
  • AÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE POR ENTIDADES RELIGIOSAS. Foi aprovada por comissão especial a proposta que diz que as Associações Religiosas podem ajuizar ações de inconstitucionalidade no STF. No Brasil um rol de entidades bastante restrito pode ingressar com ação desse tipo. Ao permitir entidades religiosas sem permitir outras de cunho social, a laicidade do Estado é profundamente ferida. A matéria está pronta para apreciação do Plenário. (PEC 99/2011)

Para conferir a lista completa, clique aqui.

Após a diretoria da APOGLBT SP detectar um perfil fake da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo no Facebook com mais de 25 mil curtidas, Fabrício Viana, que é jornalista e assessor de comunicação da ONG, entrou em contato com o Facebook para que a página fake fosse excluída e o perfil oficial da Parada fosse autenticado.

“Apesar de ser um evento público de luta pelos direitos LGBTs, hoje considerado a maior manifestação LGBT do mundo, a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo tem um responsável, que é a ONG APOGLBT SP. Caso ocorra algo durante a Parada, por exemplo, a única responsável é a ONG. Logo, não podemos deixar que perfis nas redes sociais se passem por nós. Inclusive se comunicando com uma linguagem não apropriada.”, ressalta Viana.

O perfil fake foi deletado pela equipe do Facebook e a página oficial da Parada do Orgulho LGBT de SP foi finalmente autenticada. Ela ganhou um “selo azul” ao lado do nome. O endereço da página é:
http://facebook.com/paradasp

Com relação as outras redes sociais, o link do perfil da Parada LGBT de SP é:
Twitter: http://twitter.com/paradasp
Instagram: http://instagram.com/paradasp

Desde 2016 a APOLGBT SP aumentou seus esforços para atualizar constantemente seu portal http://www.paradasp.org.br e suas redes sociais, garantindo assim uma presença digital mais forte: levando informações sobre a comunidade LGBT, sobre a ONG APOGLBT SP e sua atuação que, ao contrário do que muitos imaginam, ocorre ao longo do ano (e não somente na época da Parada).

Aliás, a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo já tem tema, data e slogan neste ano. Será no dia 18/06/2017 a partir das 10h na Avenida Paulista.

O evento oficial da Parada LGBT no Facebook (diferente da página) é:
https://www.facebook.com/events/105978123240834/

Tema de 2017:
Estado Laico
“Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei! Todas e todos por um Estado Laico.”

Dia 10 de Fevereiro, Luiz Fernando Prado Uchôa, homem trans graduado em comunicação social com habilitação em jornalismo, apresentará seu trabalho acadêmico intitulado “Simplesmente Homem: relatos sobre a experiência cotidiana de homens trans” na Câmara Municipal de São Paulo.

A obra acadêmica tem como objetivo tornar acessível a população leiga em assuntos de transexualidade, o que seria transmasculinidade e, por meio de relatos de pessoas que vivenciam esta realidade para desta forma, criar pontes de aproximação entre familiares, conhecidos, amigos e agentes sociais com os homens trans, que necessitam ser parte integrante da sociedade com todos os direitos assegurados e também, difundir o universo transmasculino para a vida cotidiana.

Por meio de relatos, o trabalho também mostra que a transfobia em relação ao segmento de homem trans, muitas vezes, acontece por desconhecimento das pessoas em relação a diferença entre orientação sexual e identidade de gênero, e que existem muitas masculinidades existentes além da tida como heteronormativacisgênera apresentada socialmente.

Também é objetivo salientar que os principais fatores responsáveis por agressões físicas e/ou verbais sofridas por homens trans são provenientes do machismo e da misoginia existentes no patriarcado. Por isso, muitos deles ao se assumirem são expulsos de casa, impossibilitados de seguir com os estudos, de terem acesso á saúde e até de ingressarem no mercado de trabalho.

Luiz Fernando Prado Uchôa, autor, é graduado em comunicação social – habilitação em jornalismo – pela Universidade Guarulhos (UNG), professor de inglês e espanhol, colunista dos sites Pau Pra Qualquer Obra e Babado POP, administrador da página Você não é estranho e membro do coletivo Família Stronger.

Serviço:

Apresentação do trabalho acadêmico:
“Simplesmente Homem: relatos sobre a experiência cotidiana de homens trans!”
Autor Luiz Fernando Prado Uchôa
Data: 10/02/2017
Horário: 18h30 ás 21h00.
Local: Câmara Municipal de São Paulo
Sala: Sérgio Vieira
Endereço: Palácio Anchieta / Viaduto Jacareí, 100 – Bela Vista
São Paulo – SP
Ponto de referência: próximo a saída do Terminal Bandeira – Metrô Anhangabaú

Link do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/233673930417598/

Como sempre iremos repetir, a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, apesar de ser organizada pela ONG APOLGBT SP (www.paradasp.org.br) há 21 anos (aliás, pouca gente sabe que a Parada tem uma ONG que é sua única responsável legal), todo o trabalho é sempre criado de forma democrática em conversas com outras ONGs de direitos LGBTs, coletivos e militantes independentes ao longo do ano (e não somente na época da Parada!). Isso inclui também a criação da Arte da Parada: o cartaz oficial que leva a data, tema e slogan do evento.

No dia 21/11/16 publicamos em nosso portal uma chamada para designers, ilustradores e desenhistas enviarem sugestões para a Arte da Parada 2017. No dia 17/12/16 em reunião com outras ONGs, coletivos e militantes independentes, foi escolhido duas artes e que deveriam ser mesclada. As artes foram enviadas pelo Getúlio Lima (SP) e Pedro Castro (AM) que, logo após aviso, concordaram nesta mesclagem.

O trabalho final (aprovado por todxs) é este cartaz:

Mas, quem seriam estes dois? Getúlio Lima e Pedro Castro?

Justamente por isso resolvemos fazer uma entrevista e conhecer um pouco mais destes dois rapazes.

Vamos lá?

1) Em que estado você mora? Idade, estuda e trabalha com o que?
Getúlio: Sou de São Paulo Capital, tenho 31 anos e trabalho como designer de apps e games, e apresentador da Rádio Geek. Redes sociais: @Getz9 / Snapchat Getz9
Pedro: Eu nasci em Manaus, capital do estado do Amazonas. Tenho 23 anos, sou designer gráfico e tenho uma marca de Moda Praia de Rios chamada Chillique River Wear, um moda voltada inicialmente para a região amazônica, preservando a essência e transformando-as em tendências. Inclusive eu e meu sócio vamos lançar nossa terceira coleção esse ano, com uma pegada voltada para a diversidade de gênero, provavelmente na III Semana de Moda do Amazonas. Minhas redes sociais: @pedrocastros / FB: Pedro Castro

2) Como ficou sabendo sobre a Arte da Parada 2017? E o que te motivou a participar?
Getúlio: Estava eu, em uma semana super atarefada, final de ano, quando vi o post do Fabricio Viana no grupo Design Gráfico. Fiquei super curioso sobre o assunto e na mesma madrugada comecei a rascunhar o cartaz. Então depois de dois dias testando tipografias, cores, peso de fontes cheguei na solução. O que mais me motivou foi poder ajudar a comunidade e perceber que independente de qualquer partido, a religião deve ser neutra e não ser usada para tomar providencias políticas.
Pedro: Eu e uns amigos fomos para a 21ª Parada Gay do Rio de Janeiro no ano passado, e ficamos encantados com a grandiosidade da manifestação, uma coisa é você assistir pela TV outra coisa é você presenciar. Quando retornei à Manaus, fiquei muito interessado sobre a Parada Gay de São Paulo, então fui pesquisar e foi daí que encontrei sobre o concurso no site e decidi participar. A minha decisão em participar foi de mostrar para as pessoas do meu convívio e da minha região que luto por uma classe muito injustiçada e que somos rodeados de preconceito e desrespeitados por todos os lados, inclusive com outros LGBT. Penso eu não vou mudar mundo, mas posso fazer um mundo melhor, um futuro melhor com menos ódio.

3) O que você achou do tema de 2017? “Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei! Todas e todos por um Estado Laico”?
Getúlio: Eu acredito que o estado não pode privilegiar nenhuma religião com isenção de impostos e outras legarias. O ensino religioso também deveria estar fora da sala de aula. É por essas e outras que a educação gera pessoas incapazes de respeitar a sexualidade e o comportamento de outros.
Pedro: Um tema extremamente essencial para ser discutido. O Brasil é o país das manifestações culturais com origens em diversos outras regiões. O nosso país é o encontro de todas elas. Sim, é um Estado Laico, ninguém precisa impor uma religião a ninguém, a religião que toca o seu coração. Costumes existem, tradições também, todavia não é uma regra que se nasci numa família protestante ou espírita, por exemplo, que eu preciso necessariamente seguir a ideologia. A partir de um certo momento na vida somos capazes de escolher qual concepção seguir, e isso não pode ser de nenhum forma forçada, precisa ser espontaneamente.

4) Você já tinha conhecimento dos outros temas da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo? Se sim, qual o mais significativo pra você?
Getúlio: O tema que mais falou comigo foi o da 19 edição: “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim. Respeite-me!” Para mim, esse tema é como a voz de todos que não conseguem se expressar devido a sociedade controladora e preconceituosa que vivemos. Ninguém vira gay ou trans, nascemos assim e gostaríamos de ser respeitados.
Pedro: Eu sempre tinha conhecimento apenas pela internet e/ou televisão. E um tema que me chamou bastante atenção foi a do ano de 2013, que falava sobre “voltar para o armário, nunca mais”, porque o quanto sofremos por conta disso, é como se precisássemos nos assumir, como se estivéssemos cometidos um crime. É um tema que mexe muito com o coração e cabeça de vários LGBTs.

5) Você já participou da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo? Hoje considerado o maior evento de visibilidade LGBT do mundo?
Getúlio: Quase todos os anos eu participo, vou com amigos e família. A abertura é emocionante. Fora os carros de som, drags e todos personagens e artistas que podemos encontrar. Teve um ano que fui de marinheiro sex, heheh. Foi muito divertido.
Pedro: Não, infelizmente ainda não. Essa será minha primeira e será uma estreia cheia de responsabilidade. Eu não estou apenas ansioso para que chegue logo junho, tenho consciência da grande dimensão que o evento possui, e justamente por isso que fico mais nervoso e apreensivo, porém são sentimento de plena felicidade. É a maior janela LGBT para o mundo.

6) Neste ano, tivemos dois contemplados para a Arte da Parda, como foi receber esta notícia e ter que trabalhar em conjunto?
Getúlio:
O resultado saiu no aniversário da minha mãe, foi um presente para ela! Fiquei ainda mais feliz quando descobri que ganhei junto com outro designer, e que iríamos trabalhar em um só projeto, e de quebra ganhei um amigo de Manaus <3
Pedro: Foi maravilhoso, a comunicação é a área que eu escolhi como profissional, logo um bom diálogo é imprescindível seja qual for a situação. Eu e o Getúlio entramos em contato logo depois de sabermos o resultado, e conseguimos mesclar as nossas artes super tranquilo. Ele é um cara muito talentoso, divertido e inteligente.

7) Na sua opinião, o que falta ainda na sociedade para combater o preconceito e a homofobia?
Getúlio:
A educação nas escolas ainda é muito machista, e muito concentrada no poder de quem dirige. Já vi reportagens que diretores não aceitavam meninos trans usarem banheiro feminino. A educação é a base de tudo, constrói pessoas melhores para a sociedade. Já trabalhei em empresas que um funcionário não foi contratado porque acharam que ele sofreria Bullying por ser afeminado. Sendo que quem não contratou, não fez nada para ir contra o preconceito. Fiquei tão indignado que logo saí dessa empresa, cheguei a alertar o RH, mas não adiantou.
Pedro: A sociedade precisa entender que se todos nós fôssemos iguais o mundo seria uma “deprê” total, Deus nos fez diferentes para mostrar e fazer a diferença no mundo. Mas infelizmente muita gente não sabe lidar com as diferenças, o mundo está em constante evolução. Conseguimos várias conquistas de lá até aqui, mas precisamos continuar lutando. Penso eu que o preconceito nunca vai acabar, ele mudará de garras, máscaras e armaduras. Cabe a nós mostrar que sabemos muito bem viver com as diferenças e harmonia através do amor.

8) Obrigado pela entrevista! Podemos contar com sua presença na 21ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo?
Pedro: Com certeza! Apesar de morar um pouco longe de vocês, já comecei a me programar para estar presente com vocês em junho. Espero conhecer todos e ver o quanto uma produção minha e do Getúlio será propagada na Parada Gay esse ano. Pretendo causar muito com todos e todas vocês.
Getúlio: Pode contar, pois eu estarei lá lutando com todos para um Brasil melhor, com menos preconceito e mais amor!

Lembrando que a 21ª Parada do Orgulho LGBT já tem data marcada. Será realizada no dia 18/06/2017. Aproveite e confirme sua presença (e convide xs amigxs) no link oficial do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/105978123240834/