domingo, março 26, 2017
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18ª PARADA LGBT-SP-04-05-2014-FOTOS JOCA DUARTE (201 de 489)

Publicado originalmente na Revista G Magazine, em 2006.

Desde que me entendo por gay e estudioso do assunto, reparo que inúmeras pessoas protestam, reclamam e criticam a Parada do Orgulho LGBT, independentemente do local onde ela é feita. Eu entendo todas elas pois no início eu também criticava, como também não concordava com o jeito de ser de outros gays, principalmente aqueles que apresentavam trejeitos ou afeminações (sim, eu também já reproduzi, sem saber, esse machismo ridículo). Acredito que tudo é uma fase e só abrindo mais a cabeça para a diversidade é que podemos entendê-la, respeitá-la e admirá-la. Além de ter plena consciência de sua realização (como é feita) e principalmente: o que nós, que tanto reclamamos e criticamos, fazemos para que as coisas melhorem.

Esse artigo foi pensado na virada deste ano, quando eu estava na praia e uma menina muito simpática comentou na rodinha de amigos sobre um detalhe da Parada LGBT de São Paulo. Ela falava com muita indignação sobre a grande distância entre dois trios elétricos durante o percurso, dando a entender que isso era um problema gravíssimo dos organizadores da manifestação social. Nesta hora eu perguntei a ela: Você tem ideia de quantas pessoas organizam este evento? Você tem ideia do trabalho que eles têm e das dificuldades que possuem para organizar a parada do orgulho LGBT?

Depois disso fiquei pensando, se tivessem mais pessoas trabalhando e fazendo algo, talvez tivesse uma equipe só pra ver esse problema “gravíssimo” que ela apresentava. Mas não. Não tem tanta equipe assim e as pessoas que estão lá, batalhando o ano inteiro (e não só meses antes como pensam alguns) têm que se preocupar com coisas muito mais importantes que a distância dos carros. Citei-a para entrar neste assunto, mas as críticas são gerais. Como disse, eu também já compactuei com algumas, mas quando não entendia o real valor da palavra DIVERSIDADE. Para mim, no PASSADO, todo homem gay deveria ser homem (sem trejeitos), a parada gay não poderia ter drags, pessoas fantasiadas, palhaços e muito menos se parecer com um carnaval. Achava que tudo isso não ajudava em nada em nossa imagem. Mas qual seria nossa imagem? Hoje, eu entendo que nossa imagem é a imagem da DIVERSIDADE HUMANA. Não podemos discriminar e nem recriminar todas as “expressões” da nossa comunidade. Existem gays, travestis, transexuais, barbies, fashionistas, ursos, simpatizantes, pessoas fantasiadas, drags, crianças, famílias e tudo isso faz parte da comunidade dita “gay”, ou “LGBT” (sendo mais politicamente correto). E a Parada do Orgulho LGBT, de São Paulo ou de qualquer outra região, nada mais é que um grande dia para mostrarmos a sociedade que nós, que sempre somos invisíveis para eles, EXISTIMOS. E existimos com todo o prisma de cores que o arco-íris possui.

Para aqueles que acham que falta política, falta mais protesto neste grande dia, que faça alguma coisa e lute por aquilo que acredita. Leve uma faixa, faça um cartaz, coloque uma camiseta com dizeres de protesto e“grite” para o mundo a militância que sente falta. Não espere que os outros façam aquilo que você acha “ideal” em uma Parada do Orgulho LGBT. E se puder, convença até amigos mais próximos a fazerem a mesma coisa. Mesmo porque, política e luta não é feita em apenas um dia. É necessário lutarmos todos os dias por nossos direitos. Mas ninguém pensa nisso. Ninguém se compromete. Ninguém dá a cara à tapa e faz alguma coisa. Só criticam, criticam e criticam tudo.

Quando era mais novo, trabalhei ao lado do Teatro Municipal de São Paulo e ao meio dia havia um protesto de camelôs. Olhei para meu chefe e fiz uma crítica tremenda sobre a administração da cidade. Ele olhou pra mim e pediu para parar de criticar. Falou que críticas tanto eu quanto metade da cidade teríamos contra ela, mas ir lá e fazer alguma coisa pra melhorar, ninguém fazia. Que, ao invés de criticar qualquer coisa, deveria arregaçar as mãos e partir para ação de melhoria ou permanecer calado. Mas jamais criticar por criticar. Qualquer coisa que seja. Foi uma lição e tanto. Hoje vejo que tem muita gente que precisaria dela. Para “acordar” e finalmente fazer algo por todos nós. Ao invés de só reclamar. Então, antes de criticar a parada, antes de falar mal de alguma coisa que se refere a luta por nossos direitos, olhe pra si, veja o que você faz para ajudar ou melhor, o que poderá fazer para contribuir na luta por uma sociedade melhor. E não só neste dia, mas durante todo o ano.

Fabrício Viana*

*Fabrício Viana é jornalista, bacharel em psicologia com pós em marketing, autor de vários livros com temática LGBT, entre eles O Armário (sobre a homossexualidade), Ursos Perversos (contos), Orgias Literárias da Tribo (coletânea premiada duas vezes) e seu mais recente sucesso chamado Theus. Do fogo à busca de si mesmo (romance gay). Seu site com suas redes sociais é www.fabricioviana.com

Mãe, lésbica, pobre e negra.

Há quase uma semana em Ribeirão Preto/SP, ela foi na hora errada cumprimentar um amigo que estava em um bar. O que ninguém imaginava é que ela seria abordada, agredida, ignorada e morta. 

            ”Ela pagou o preço por parecer homem negro e pobre, ela foi abordada como outros homens da periferia. Lésbica, negra e periférica com passagem pela polícia, ela já era considerada culpada.” afirmou Roseli, irmã da Luana, em entrevista ao Alê Alves da Ponte Jornalismo (fonte: http://ponte.org/a-historia-de-luana-mae-negra-pobre-e-lesbica-ela-morreu-apos-ser-espancada-por-tres-pms)

Familiares e ONGs de direitos humanos protestaram contra a lesbofobia, racismo e impunidade dos autores dia 23/04 em frente ao Teatro Pedro II, em Ribeirão Preto.

Outros casos similares aconteceram, como o da Dayane Ramos e Priscila Aparecida Santos da Costa, vítimas da lesbofobia. Assim como o de Laís R. Castanho, morta por ser bissexual.

Por isso nossa luta contra o preconceito é importante. Por elas e por tod@s nós.

Tâmara Smith*

* Tâmara Smith tem 27 anos, é lésbica, estudante de Comunicação Social/Jornalismo, militante LGBT e assessora de imprensa da APOGLBT. Seu twitter é http://twitter.com/aboiola

 

Por meio das redes sociais, o presidente da ONG ABCDs Marcelo Gil, desde 22/04/16 publica informações que não condizem com a realidade proposta pela APOGLBT para o ano de 2016 referente a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo sobre a organização dos trios elétricos que compõem nosso movimento social. Por isso, a APOGLBT vem a público esclarecer alguns fatos:

1. Desde Outubro de 2015, a APOGLBT vem se reunindo com ONGs e Coletivos LGBTS, além de pessoas independentes, com a finalidade de discutir a Parada que queremos em 2016. No último dia 16/04/2016 aconteceu a 12ª segunda reunião. Ao longo destes meses, foi neste coletivo que escolhemos o tema da parada, a arte do tema e outras conjecturas. Vários debates produtivos aconteceram nestes sete meses e entre as principais decisões do grupo foi referente a organização dos trios elétricos como veio se estruturando ao longo dos anos: trios separados (de outras ONGs e/ou empresas privadas) onde a comunicação do tema da Parada, que deveria ser única, acabava se perdendo ao longo dos trios. Por este motivo, a principal mudança para a Parada de 2016 é justamente a unificação dos trios: pela primeira vez, ao longo desses últimos 19 anos, todos os 15 trios da Parada do Orgulho LGBT 2016 serão, em sua maioria, da APOGLBT. Isto significa que não teremos trios elétricos de outras ONGs, empresas ou até mesmo dos nossos possíveis patrocinadores. O objetivo, com esta unificação, é justamente ter uma comunicação mais efetiva do “Tema da Parada” deste ano, que é: “Lei de Identidade de Gênero Já! Todas as Pessoas Juntas Contra a Transfobia”. Onde todos os trios elétricos, independente de terem militantes, artistas, gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros, etc, possam, juntos, levar a mesma comunicação e objetivo, empoderando e deixando a Parada com cara de menos “eu” e mais “nós”.

2. Com base nesta principal decisão, o senhor Marcelo Gil, presidente da ONG ABCDs, publicou em suas redes sociais, onde temos todas as conversas salvas eletronicamente, dizendo que ele e seu trio foram expulsos da APOGLBT e consequentemente, da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo neste ano. Segundo ele, sua ONG não terá mais o trio exclusivo na Parada. Estas informações que ele propaga são inverdades. Ninguém foi expulso! Apenas ocorreu uma mudança de estratégia da APOGLBT com relação aos trios, baseado em diversas reuniões, citadas acima, e que ele mesmo não participou da maioria e nem enviou um representante de sua ONG para acompanhar estas novas decisões. Novamente, frisamos que em momento algum, Marcelo Gil e sua ou outra ONG foram expulsas do nosso movimento social. Apenas as estratégias foram modificadas, e nós democraticamente e conscientemente, não abriremos exceções para privilégios em 2016.

3. Outro ponto interessante e que deve ser frisado é que o senhor Marcelo Gil, e alguns membros de sua ONG ABCDs, foram convidados para participarem do nosso trio de militância em 2016, junto com outros militantes e ONGs. Mais um motivo que deixa claro que o mesmo não foi expulso da Parada ou de nossos eventos políticos e sociais.

4. Para finalizar esta nota de esclarecimento, nós da APOLGBT, informamos que estamos profundamente indignados e chateados com essas declarações falsas do senhor Marcelo Gil da ONG ABCDs, que além de não ter entendido as estratégias para a Parada que queremos em 2016, não se solidariza pela nossa causa, além de tudo já explanado acima, propaga inverdades sobre a organização do nosso evento político.

5. Todos nós sabemos que temos inimigos reais, fortes e que querem, dia após dia, nos verem mortos apenas por termos uma orientação sexual diferente das deles. Ficar criando alardes com ataques falsos entre nós, iguais, só gasta energia com o não comprometimento solidário com o movimento LGBT brasileiro.

6. Esperamos que atitude impensadas como estas não voltem a acontecer, e que não precisemos investir tempo em uma nota de esclarecimentos para apresentar os fatos verdadeiros que já é de conhecimento da ONG e dos grupos e pessoas que vem participando das nossas reuniões de trabalho desde Outubro de 2015, como já dito anteriormente.

Atenciosamente,

Assessoria de Imprensa da APOGLBT
www.paradasp.org.br

0 374

Butches, ladies, relativas, passivas, ativas, caminhoneiras, dykes, úrsulas…

Uma letra significa gigante diversidade entre nós, não existe um padrão obrigatório para as mulheres cis e trans que amam mulheres. Somos brasileiras, africanas, argentinas, americanas, europeias… unidas contra o feminicídio, o racismo, machismo, misoginia, xenofobia e gordofobia.

Estamos nas periferias invisíveis aos olhos do governo, nas vilas tranquilas do interior, no litoral, no exterior, na correria de uma metrópole; estamos atrás da felicidade, satisfação em realizar os sonhos e ter merecido respeito quando estamos de mãos dadas com a nossa namorada, noiva, esposa.

Graças a velocidade fantástica que as informações circulam nos meios de comunicação, temos acesso ao conhecimento, estastísticas sociais, movimentos militantes feministas/transfeministas, eventos cheios de amor com empoderamento, organizações LGBTs, aprendizados sobre direitos e deveres civis; nos sentimos seguras e ao mesmo tempo em constante descoberta sobre a nossa capacidade de amar sem se preocupar com opiniões alheias.

”… Minha vida só pertence a mim
Eu não devo nada dela a você
Faço o que eu tiver a fim
Não me importo com o que você vê!..”
(Cuida da tua vida – Teu pai já sabe?)

Tudo acontece no seu devido tempo, claro, pois quando se trata de atitudes, precisamos analisar o motivo, tem lésbicas que saem do armário na adolescência, aos 30 anos, 50 anos, o importante é que saem, mostram ao mundo o quanto está feliz por amar alguém que planeja ter uma vida inteira, constituir família, ter filhos, ter gatos, planejar viagens… mas não esqueça:

VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHA E SEJA FELIZ!
Vamos celebrar a diversidade com amor e respeito!
Tâmara Smith*

* Tâmara Smith tem 27 anos, é lésbica, estudante de Comunicação Social/Jornalismo, militante LGBT e assessora de imprensa da APOGLBT. Seu twitter é http://twitter.com/aboiola

 

0 1947

A cada hora que passa uma pessoa do segmento T (Travestis e Homens e Mulheres Transexuais) sofre agressões, constrangimentos, é alvo de piadas, são excluídas, entre outras coisas. E, por este motivo, a luta contra a transfobia é uma luta de todos.

A Constituição Federal determina que todo cidadão tem o direito de tratamento de seus semelhantes como pessoa humana, sem qualquer discriminação, tal como na Declaração Universal dos Direitos Humanos é determinado que “todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei”.

Portanto, como cidadãos, temos direito a vida! Temos que reivindicar por nossos direitos de sermos reconhecidos pelo nosso nome social. Queremos ter acesso e atendimento médico sem constrangimento! Estamos em busca dos nossos direitos à integração social, à educação e ao trabalho.

Passamos por diversas dificuldades por sermos Travestis, mulheres transexuais ou homens trans. Queremos ter assegurado o direito à liberdade de expressão. Por ser um absurdo em pleno século XXI, termos que lutar por direitos básicos, que outras pessoas jamais precisariam reivindicar.

‪#‎VisibilidadeT‬ ‪#‎OrgulhoT‬
‪#‎SouTransEqueroDignidadeErespeito‬
‪#‎CRIMINALIZAÇÃODATRANSFOBIAJÁ‬

Luiz Fernando Prado Uchoa*

*Luiz Fernando Prado Uchoa é homem trans, estudante de Jornalismo, articulista do site “pau pra qualquer obra” e membro do núcleo político da família Stronger.

0 492
A Avenida Paulista todos os anos é tomada pela bandeira mais bonita e democrática do mundo! Lembrem-se: Para que a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo ocorra bem, precisamos da ajuda de tod@s @s participantes! PROTESTE! Utilize bem esse espaço, prepare sua faixa, seu cartaz, sua camiseta e MANIFESTE-SE.
Não seja um voluntário somente na época que a Parada LGBT acontece na Avenida Paulista, mas durante todos os dias do ano. A LGBTFOBIA MATA e estamos trabalhando, todos os dias, para um mundo com mais amor e menos ódio.
Participe conosco! Seja um voluntário, associado ou colaborador. Venha conhecer a sede da APOGLBT-SP para inteirar-se sobre nosso trabalho e o ver o quão importante seria a sua colaboração!
DIRETORIA DA APOGLBT/SP
Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT-SP)
Praça da República, 386, conjunto 22, Próximo ao metrô República
Telefone: 3335 1040 São Paulo/SP – Brasil – CEP 01045-000