segunda-feira, julho 24, 2017
LGBTFobia

O prefeito João Doria (PSDB) divulgou na semana passada, no seu Programa de Metas 2017-2020, diversas ações que serão realizadas até o final do seu mandato. Entre elas esta a ampliação e qualificação dos Centros de Cidadania LGBT.

O custo do projeto, junto com outros centros, está previsto em R$ 60,3 milhões. Um das ideias é integrar o programa Transcidadania aos centros que atualmente estão localizados nas zonas Norte, Central, Sul e Leste da capital.

De acordo com o programa, em 2016, foram encaminhadas apenas 75% das denúncias recebidas contra populações vulneráveis (LGBTs, negros, migrantes, população de rua, população indígena, jovens, idosos, dentre outros).

O principal desafio da meta é manter a qualidade do atendimento enquanto se amplia e o melhora significativamente.

Na madrugada desta quinta, 13/07, o estudante Andrei Apolônio dos Santos teve seu celular roubado dentro de um ônibus e foi imediatamente até a 81ª DP de Niterói registrar o boletim de ocorrência. O que ele não esperava é que o policial de plantão não gostou de ter sido incomodado naquele horário e, por perceber que ele era homossexual, acabou sendo agredido, tendo diversas escoriações pelo corpo, hematomas e três dentes quebrados.

Andrei conta que quando chegou, haviam dois policiais na delegacia, mas somente um deles agiu com as agressões. Segundo ele, o policial já começou com palavras homofóbicas e tapas no pé da orelha. Enquanto o outro assistia a tudo, sem reagir. O motivo da agressão era sua orientação sexual.

“Ele não quis fazer meu Boletim de Ocorrência e ficou muito invocado com meu jeito de ser. Dava para ver que ele estava incomodado com quem eu era, porque eu sou gay. Ele achou uma afronta eu ser gay e querer fazer ele trabalhar às 4h da manhã”, afirma o estudante ao site do G1.

Depois disso, Andrei procurou a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Niterói, onde ele recebeu apoio para ir à Coinpol e à Corregedoria Geral Unificada da Secretaria do Estado de Segurança, onde a ocorrência foi registrada. Para a assessora da comissão niteroiense Benny Briolli, o jovem foi torturado.

Andrei diz que, mesmo com as ameaças, ele vai até o fim da apuração da denúncia.

Alma Celeste exibiu bandeira de arco-íris no jogo contra o Santos, pela Copa do Brasil, dia 10 de maio (Foto: Cezar Magalhães/Agência Pará)

Nem tudo é um mar de rosas. Especialmente na luta contra a LGBTfobia. A Banda Alma Celeste, torcida organizada do Paysandu que aboliu o grito de “bicha” e estendeu a bandeira LGBT nas arquibancadas, sendo inclusive uma das homenageadas na 17ª edição do Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, sofreu represálias e alguns membros foram agredidos na sexta-feira (30/06).

As agressões teriam sido vinculadas a outro grupo organizado pelo clube, a Terror Bicolor. Além do ato de violência, mensagens de áudio foram enviadas aos integrantes da Banda Alma Celeste.

Os caras do outro lado tão falando que a Terror já não é a mais a mesma. É só moleque criado pela avó, moleque ‘mamãezando’, que deixaram levantar uma bandeira e que agora está com fama de gay em todo o brasil porque já saiu até em um negócio de torcidas do Brasil. A GLBT, a torcida do Paysandu, diz que já saiu no Face de todo o Brasil: a primeira torcida que leva o GLBT para os estádios. Eu tô é doido. Isso é sacanagem. Putaria e tudo. Agora dizem que vão abrir uma torcida, com CNPJ e tudo: Gay Paysandu! Égua. Não boto fé, mano! Não boto fé, mano!“, diz um dos áudios.

Segundo nota no site da ESPN, a Banda Alma Celeste registrou dois boletins de ocorrência: um pelas agressões e outro pelo roubo de um instrumento musical.

Segundo o assessor jurídico do Paysandu, Alexandre Pires, tudo está sendo discutido com a Polícia Militar. Inclusive medidas para os próximos jogos. O clima foi realmente tenso e, se colocar a favor da luta contra a LGBTfobia não é e nunca será uma tarefa fácil: mas primordial para uma sociedade mais tolerante e humana.

Em nota recente, a Banda Alma Celeste divulgou em sua página que tudo foi conversado e apaziguado. Melhor. Assim, todos ganham (desde que atitudes assim não se repitam).

Nascido e crescido numa família cristã evangélica, Timothy Kurek é hetero e sempre estudou em escolas cristãs. Devido a essa base, Kurek tinha uma opinião muito bem formada a respeito da homossexualidade: relações que fugissem dos padrões heterossexuais tinham origens pecaminosas e só poderiam ser curadas através da igreja.

Esse posicionamento duro de Timothy começou a ser desconstruído depois que o jovem conheceu Liz, em 2008. O testemunho e a conversa com Liz transformou completamente a maneira como ele enxergava as questões de sexualidade e gênero.

Ao longo da conversa, Liz contou ao novo amigo que era lésbica, e que assim como ele, cresceu numa família religiosa. A família da garota não aceitava sua condição, que acabou sendo deserdada pelo pai e expulsa de casa, com a condição de retorno apenas depois da “cura gay”. Contando essa história, Liz começou a chorar, comovendo Timothy que rapidamente começou a pensar em um jeito de curar a homossexualidade da moça.

Kurek acreditava que esse era o papel de um cristão: ler os trechos da bíblia que condenava a homossexualidade e ajudar no encaminhamento de uma cura pela fé.

Antes do jovem começar a exercer seu  “papel de cristão”, Liz acabou indo embora, causando uma espécie de epifania na cabeça Kurek: Ele percebeu que seu papel de cristão não era o de propor uma cura ou forçar os estudos bíblicos, mas sim ter empatia e ser um ombro amigo. Ser um ponto de conforto num mundo onde todos estão transmitindo o ódio e o preconceito.

Depois de entender e definir seu verdadeiro papel, ele sentiu a necessidade de entender os conflitos internos e externos pelos quais aquela jovem estava passando. Sendo heterossexual, era impossível compreender esse processo. Então, Timothy resolveu, depois de muita reflexão, fingir sua sexualidade para tentar ser o mais empático possível. Ele contou à sua família, amigos e membros da igreja que ele, Timothy Kurek, era gay, mesmo não sendo.

Por um ano inteiro, ele viveu como se fosse gay. Depois de se assumir pra todo mundo, passou a frequentar espaços específicos da comunidade LGBT de sua cidade.

Segundo Kurek, depois do anúncio, houve um grande silêncio absoluto. Ninguém falava com ele, ninguém lembrava dele, ninguém convidava para festas. “Da noite para o dia eu deixei de existir.” As pessoas com quem ele sempre viveu, agora o trata como um completo desconhecido.

Ele sentiu na pele, o poder dos rótulos. Sendo ignorado pela família, amigos e igreja, ele procurou refúgio nos grupos LGBT, que o acolheu rapidamente. A partir daí, Kurek era do time de esportes para Gay, ajudou na arrecadação de dinheiro para ajudar portadores de HIV e participou de uma Parada do Orgulho LGBT.

Certo dia, ele resolveu ir em um Karaoke LGBT, e, segundo ele, teve a maior surpresa de toda a sua vida: no palco estava um homem com as mãos erguidas e olhos fechados, tendo a platéia toda sobre seu comando. Quando começou a cantar, a música atingiu Kurek como uma bala. “Então ele cantou o refrão e meu queixo caiu: ‘nosso Deus é um Deus maravilhoso que reina acima do céu com sabedoria, poder e amor”, conta.

Para ele, aquilo nunca iria acontecer, pois viveu a vida inteira sendo ensinado que LGBTs não acreditavam em Deus. Esse foi o ponto principal para auxiliar na destruição de mais um de todos os seus preconceitos: gay, lésbicas, bissexuais e transgêneros podem, sim, ter uma fé religiosa, da mesma maneira que os heterossexuais.

Conviver com as pessoas fez com que Kurek entendesse que a sexualidade não significa nada na composição do caráter e personalidade de alguém. Que não ser heterossexual não é ser pecador, e que a empatia deve, acima de tudo, ser frequente em nossa vida.

A experiência de Timothy Kurek acabou rendendo a publicação de um livro, onde ele relatada com detalhes todo o seu ano “sendo gay”. Aqui no Brasil, outros autores publicaram livros parecidos. Um deles é o romance chamado Theus, do autor Fabrício Viana.

Para conhecer mais o trabalho do Kurek, visite seu Facebook aqui.

A Associação da Parada LGBT de São Paulo (APOGLBT SP) convida outras ONGs de direitos LGBTs, coletivos e militantes independentes para a reunião dos GTs (Grupos de Trabalho) para AVALIAÇÃO do Mês do Orgulho LGBT de 2017 e atividades do segundo semestre.

A reunião será neste sábado, 08/07, às 14h00, no espaço do Grupo Pela Vidda/SP – Rua General Jardim, 566 – Vila Buarque.

Pedimos a gentileza para que, todas as pessoas interessadas, cadastre seus dados abaixo (caso já tenha se cadastrado em outro momento, não é necessário cadastrar-se novamente!):

A Câmara Municipal de São Paulo vai realizar no dia 30 de junho de 2017, a sessão solene em comemoração ao Dia do Orgulho LGBT, por iniciativa da vereadora Adriana Ramalho.

Trata-se de um momento de reflexão sobre a cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais no município de São Paulo e uma homenagem às pessoas que trabalham pelo fim da discriminação LGBTfóbica.

Entre os homenageados, está a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT SP), ONG responsável pela maior parada LGBT do mundo e também por diversos eventos do Mês do Orgulho LGBT na capital paulista.

Serviço:

Sessão Solene – Dia do Orgulho LGBT
Dia 30/06 as 18h
Plenário – 1º andar da Câmara Municipal de São Paulo (Viaduto Jacareí, 100)
Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/245922512561383

Agência i7/Mineirão

Precisamos concordar, nunca antes o Mês do Orgulho LGBT, em especial, o Dia Internacional do Orgulho LGBT (28 de Junho) recebeu tanto apoio e demonstrações de empresas e instituições sobre a diversidade sexual.

Ações da Coca-cola (Essa coca é Fanta, e daí?), Shopping Light iluminado com as cores da bandeira LGBT, calçadas coloridas na Paulista, escadas do metrô em São Paulo, centenas de páginas oficiais no Facebook de empresas (talvez milhares, levando em conta também as pequenas e micro empresas) e por ai vai indo.

Mas nada tão significativo quanto o Mineirão todo iluminado com as cores do arco-íris ontem. Sim, significativo pois sabemos que o esporte, em especial o futebol, é quase a casa do machismo: bichas, viadinhos, boiolas e diversos termos difamatórios são desferidos a todo o momento nestes ambientes.

Mesmo assim, o Mineirão resolveu inovar e demonstrar todo o seu respeito à diversidade humana. A iniciativa veio da ação idealizada pela secretaria de estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania de Minas Gerais. Outros monumentos da cidade, como o auditório Juscelino Kubitschek e o Espaço do Conhecimento UFMG, na Praça da Liberdade, também foram iluminados para chamar a atenção para a causa de um público que ainda sofre muito com a violência e intolerância.

Atitudes como esta demonstram que precisamos, realmente, ser mais tolerantes com o desconhecido. E que todo LGBT merece nosso respeito.

“O Mineirão tem uma relevância histórica por ser um monumento da cidade e principal casa do futebol mineiro. Quando fomos procurados pela Secretaria de Direitos Humanos entendemos a visibilidade que o estádio traria para uma ação tão respeitável e que precisa ser discutida”, disse a gerente de Relações Institucionais do Mineirão, Ludmila Ximenes.

Para Fabrício Viana, jornalista e autor do livro sobre a homossexualidade chamado O Armário, “São atitudes deste tipo que fazem a sociedade evoluir. Que ajuda, e muito, a militância LGBT se fortalecer e, com o tempo, demonstrar que independente do lugar, todos merecem o respeito a vida e a felicidade. Todos ganham. Ninguém perde”.

Esperamos que mais e mais empresas se unam e lutem, sem medo, pela diversidade sexual. Diversidade humana. Afinal, ela existe e só demonstrando sua existência a LGBTfobia começa a ser eliminada.

As celebrações do mês do Orgulho LGBT continuam. Nessa quarta-feira, 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBT acontece na Assembléia Legislativa, a tradicional Sessão Solene que homenageia a luta pela igualdade de direitos entre todas as pessoas, independente da orientação sexual ou da identidade de gênero.

Nesse ano em que a Parada do Orgulho LGBT trouxe no seu tema uma importante reflexão sobre a necessidade da luta pelo Estado laico, que não pode deixar de reconhecer direitos em virtude de posições de grupos religiosos, a sessão Solene homenageará com um diploma ativistas de diferentes gerações que tem de destacado no enfrentamento à violência e discriminação contra pessoas LGBT, combate ao racismo e machismo.

Venha celebrar o orgulho LGBT e a construção de uma sociedade sem nenhum tipo de preconceito e discriminação.

O Ato Solene é organizado pelos mandatos dos deputados e deputadas estaduais: Leci Brandão (Pc do B) Carlos Giannazi (PSOL) , Clélia Gomes (PHS) , José Zico Prado (PT) , Márcia Lia (PT) e Ramalho da Construção (PSDB).

O evento conta com o apoio institucional do SOS Racismo, APOGLBT SP e Sindicato dos Comerciários.

Confirme sua presença no Facebook:
https://www.facebook.com/events/116539922283876

O Ato Em Memória buscou, por meio do plantio das árvores, transformar um fato triste em esperança por meio da natureza: o plantio de uma árvore simboliza a vida em sua forma mais plena, pois cada muda de árvore plantada representará uma vida ceifada de uma pessoa identificada como sendo LGBT; e a cada árvore plantada ficará como memória desta pessoa que não teve a chance de realizar seus sonhos.

Confira as fotos do evento realizado no dia 11/06/2017:

 


Nós, da Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo (APOGLBT -SP), ONG responsável pela organização e realização da Parada do Orgulho LGBT há 21 anos, vem a público agradecer todas as pessoas, que como nós trabalharam o ano todo para que essa manifestação de visibilidade LGBT se tornasse possível, bem como todas as atividades do Mês do Orgulho LGBT 2017 pudesse ser realizada.

Agradecemos também, todas as pessoas que conseguiram unir na Avenida Paulista dois pontos importantes: alegria e militância. Foram 3 milhões de pessoas reforçando o tema deste ano: Independente de nossas crenças, nenhuma religião é Lei! Todas e todos por um Estado Laico.

A APOGLBT SP agradece a todas as empresas que acreditaram nesse projeto, nossos patrocinadores master Skol e Uber, patrocinador Doritos, apoiadores Microsoft, Skkoka e Rede Accor de Hotéis e nossos apoios institucionais Governo do Estado de São Paulo e Prefeitura de São Paulo.

Não esquecendo de nossos voluntários, parceiros, GTs (Grupos de Trabalho), ONGs, coletivos e militantes independentes.

Reforçando o que foi dito acima, nosso trabalho continua o ano todo. Seja por meio das nossas atividades como o Ato Basta!, Bloco da Diversidade, Em Memória, Mostra de Cinema, Ciclo de Debates, Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade, Feira Cultural da Diversidade LGBT ou outras manifestações que coordenamos, através  das nossas mídias sociais (Facebook, Twitter e Instagram), por meio do nosso portal www.paradasp.org.br que publica notícias e matérias da APOGLBT-SP, mas que publica também materiais de terceiros, onde a Cultura, Cidadania e o Respeito às Políticas LGBT são importantes para toda nossa comunidade.

Nosso muito obrigado,

Diretoria da APOGLBT – SP