quarta-feira, março 29, 2017
Militância LGBT

18ª PARADA LGBT-SP-04-05-2014-FOTOS JOCA DUARTE (201 de 489)

Publicado originalmente na Revista G Magazine, em 2006.

Desde que me entendo por gay e estudioso do assunto, reparo que inúmeras pessoas protestam, reclamam e criticam a Parada do Orgulho LGBT, independentemente do local onde ela é feita. Eu entendo todas elas pois no início eu também criticava, como também não concordava com o jeito de ser de outros gays, principalmente aqueles que apresentavam trejeitos ou afeminações (sim, eu também já reproduzi, sem saber, esse machismo ridículo). Acredito que tudo é uma fase e só abrindo mais a cabeça para a diversidade é que podemos entendê-la, respeitá-la e admirá-la. Além de ter plena consciência de sua realização (como é feita) e principalmente: o que nós, que tanto reclamamos e criticamos, fazemos para que as coisas melhorem.

Esse artigo foi pensado na virada deste ano, quando eu estava na praia e uma menina muito simpática comentou na rodinha de amigos sobre um detalhe da Parada LGBT de São Paulo. Ela falava com muita indignação sobre a grande distância entre dois trios elétricos durante o percurso, dando a entender que isso era um problema gravíssimo dos organizadores da manifestação social. Nesta hora eu perguntei a ela: Você tem ideia de quantas pessoas organizam este evento? Você tem ideia do trabalho que eles têm e das dificuldades que possuem para organizar a parada do orgulho LGBT?

Depois disso fiquei pensando, se tivessem mais pessoas trabalhando e fazendo algo, talvez tivesse uma equipe só pra ver esse problema “gravíssimo” que ela apresentava. Mas não. Não tem tanta equipe assim e as pessoas que estão lá, batalhando o ano inteiro (e não só meses antes como pensam alguns) têm que se preocupar com coisas muito mais importantes que a distância dos carros. Citei-a para entrar neste assunto, mas as críticas são gerais. Como disse, eu também já compactuei com algumas, mas quando não entendia o real valor da palavra DIVERSIDADE. Para mim, no PASSADO, todo homem gay deveria ser homem (sem trejeitos), a parada gay não poderia ter drags, pessoas fantasiadas, palhaços e muito menos se parecer com um carnaval. Achava que tudo isso não ajudava em nada em nossa imagem. Mas qual seria nossa imagem? Hoje, eu entendo que nossa imagem é a imagem da DIVERSIDADE HUMANA. Não podemos discriminar e nem recriminar todas as “expressões” da nossa comunidade. Existem gays, travestis, transexuais, barbies, fashionistas, ursos, simpatizantes, pessoas fantasiadas, drags, crianças, famílias e tudo isso faz parte da comunidade dita “gay”, ou “LGBT” (sendo mais politicamente correto). E a Parada do Orgulho LGBT, de São Paulo ou de qualquer outra região, nada mais é que um grande dia para mostrarmos a sociedade que nós, que sempre somos invisíveis para eles, EXISTIMOS. E existimos com todo o prisma de cores que o arco-íris possui.

Para aqueles que acham que falta política, falta mais protesto neste grande dia, que faça alguma coisa e lute por aquilo que acredita. Leve uma faixa, faça um cartaz, coloque uma camiseta com dizeres de protesto e“grite” para o mundo a militância que sente falta. Não espere que os outros façam aquilo que você acha “ideal” em uma Parada do Orgulho LGBT. E se puder, convença até amigos mais próximos a fazerem a mesma coisa. Mesmo porque, política e luta não é feita em apenas um dia. É necessário lutarmos todos os dias por nossos direitos. Mas ninguém pensa nisso. Ninguém se compromete. Ninguém dá a cara à tapa e faz alguma coisa. Só criticam, criticam e criticam tudo.

Quando era mais novo, trabalhei ao lado do Teatro Municipal de São Paulo e ao meio dia havia um protesto de camelôs. Olhei para meu chefe e fiz uma crítica tremenda sobre a administração da cidade. Ele olhou pra mim e pediu para parar de criticar. Falou que críticas tanto eu quanto metade da cidade teríamos contra ela, mas ir lá e fazer alguma coisa pra melhorar, ninguém fazia. Que, ao invés de criticar qualquer coisa, deveria arregaçar as mãos e partir para ação de melhoria ou permanecer calado. Mas jamais criticar por criticar. Qualquer coisa que seja. Foi uma lição e tanto. Hoje vejo que tem muita gente que precisaria dela. Para “acordar” e finalmente fazer algo por todos nós. Ao invés de só reclamar. Então, antes de criticar a parada, antes de falar mal de alguma coisa que se refere a luta por nossos direitos, olhe pra si, veja o que você faz para ajudar ou melhor, o que poderá fazer para contribuir na luta por uma sociedade melhor. E não só neste dia, mas durante todo o ano.

Fabrício Viana*

*Fabrício Viana é jornalista, bacharel em psicologia com pós em marketing, autor de vários livros com temática LGBT, entre eles O Armário (sobre a homossexualidade), Ursos Perversos (contos), Orgias Literárias da Tribo (coletânea premiada duas vezes) e seu mais recente sucesso chamado Theus. Do fogo à busca de si mesmo (romance gay). Seu site com suas redes sociais é www.fabricioviana.com

Mãe, lésbica, pobre e negra.

Há quase uma semana em Ribeirão Preto/SP, ela foi na hora errada cumprimentar um amigo que estava em um bar. O que ninguém imaginava é que ela seria abordada, agredida, ignorada e morta. 

            ”Ela pagou o preço por parecer homem negro e pobre, ela foi abordada como outros homens da periferia. Lésbica, negra e periférica com passagem pela polícia, ela já era considerada culpada.” afirmou Roseli, irmã da Luana, em entrevista ao Alê Alves da Ponte Jornalismo (fonte: http://ponte.org/a-historia-de-luana-mae-negra-pobre-e-lesbica-ela-morreu-apos-ser-espancada-por-tres-pms)

Familiares e ONGs de direitos humanos protestaram contra a lesbofobia, racismo e impunidade dos autores dia 23/04 em frente ao Teatro Pedro II, em Ribeirão Preto.

Outros casos similares aconteceram, como o da Dayane Ramos e Priscila Aparecida Santos da Costa, vítimas da lesbofobia. Assim como o de Laís R. Castanho, morta por ser bissexual.

Por isso nossa luta contra o preconceito é importante. Por elas e por tod@s nós.

Tâmara Smith*

* Tâmara Smith tem 27 anos, é lésbica, estudante de Comunicação Social/Jornalismo, militante LGBT e assessora de imprensa da APOGLBT. Seu twitter é http://twitter.com/aboiola

 

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A cada hora que passa uma pessoa do segmento T (Travestis e Homens e Mulheres Transexuais) sofre agressões, constrangimentos, é alvo de piadas, são excluídas, entre outras coisas. E, por este motivo, a luta contra a transfobia é uma luta de todos.

A Constituição Federal determina que todo cidadão tem o direito de tratamento de seus semelhantes como pessoa humana, sem qualquer discriminação, tal como na Declaração Universal dos Direitos Humanos é determinado que “todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei”.

Portanto, como cidadãos, temos direito a vida! Temos que reivindicar por nossos direitos de sermos reconhecidos pelo nosso nome social. Queremos ter acesso e atendimento médico sem constrangimento! Estamos em busca dos nossos direitos à integração social, à educação e ao trabalho.

Passamos por diversas dificuldades por sermos Travestis, mulheres transexuais ou homens trans. Queremos ter assegurado o direito à liberdade de expressão. Por ser um absurdo em pleno século XXI, termos que lutar por direitos básicos, que outras pessoas jamais precisariam reivindicar.

‪#‎VisibilidadeT‬ ‪#‎OrgulhoT‬
‪#‎SouTransEqueroDignidadeErespeito‬
‪#‎CRIMINALIZAÇÃODATRANSFOBIAJÁ‬

Luiz Fernando Prado Uchoa*

*Luiz Fernando Prado Uchoa é homem trans, estudante de Jornalismo, articulista do site “pau pra qualquer obra” e membro do núcleo político da família Stronger.