quinta-feira, junho 22, 2017
Militância LGBT

Foi no dia 17 de Maio de 1990 que ocorreu a exclusão da homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa foi uma importante vitória para o movimento LGBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) comemorada por pessoas e ONGs de vários países.

diainternacionalcontraahomofobia

“O mundo inteiro comemora esta data. Foi quando a homossexualidade deixou de ser uma doença pela ciência e se torna, finalmente, o que ela sempre foi: apenas uma expressão saudável da sexualidade humana! Todos, LGBTs e simpatizantes pela causa, temos que comemorar!”, diz Nelson Matias Pereira, sócio fundador e diretor da APOGLBT (ONG responsável pela Parada do Orgulho LGBT de São Paulo).

No Brasil, somente aos 04 de Junho de 2010, por meio do Decreto do Presidente da República, o Dia Nacional de Combate à Homofobia foi oficialmente instituído.

Para Diego Oliveira, que organiza o Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade:

A luta pelos direitos dos LGBTs é uma luta de todos. Por isso o Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade contempla pessoas e empresas que, de uma forma ou de outra, contribuem por um mundo melhor para todos. Não precisa ser militante LGBT para fazer algo em benefício aos LGBTs.“, enfatiza Diego.

Nas redes sociais, pessoas e organizações do mundo inteiro celebram esta data.

 


Ou por exemplo, a postagem feita pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte:

Uma foto publicada por SPMRN (@spmrn_) em

No Twitter, veja algumas das postagens:

Prefeitura do Rio de Janeiro

Fanpage & Canal no Youtube: Vinte e Quatro (O Sapatão)

E você? Já expressou sua comemoração nas redes sociais? Conta pra gente! Registre seu comentário abaixo com o link da sua postagem!

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Vamos, tod@s junt@s, comemorar!

Documentário Princesas Impossíveis sobre transgêneros em São Paulo está on-line e disponível gratuitamente. Assista abaixo!

Texto publicado na descrição do vídeo:

Estamos em uma era de desconstrução de preconceitos, em especial a LGBTfobia. No entanto, a exclusão sofrida por transgêneros continua notavelmente ignorada nos debates sobre discriminação e, nas raras ocasiões em que o tema é apreciado junto ao grande público, isso costuma se dar por um viés patologizante, altamente criticado por vários militantes da causa. A falta de entendimento sobre a realidade trans é enorme, mas é cada vez mais acompanhada de grande curiosidade. Quem são essas princesas que o mundo insiste em enxergar como homens, esses rapazes que o mundo espera que sejam princesas e essas pessoas que não se identificam como homens nem mulheres?

E, visto que qualquer realidade humana consiste num emaranhado de histórias, vivências e opiniões, muitas vezes conflitantes entre si, este documentário busca trazer à tona algumas dessas histórias e começar a familiarizar seus espectadores com a questão.

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Em poucos momentos fica tão claro como preconceitos são úteis ao sistema desigual e explorador em que vivemos. Todos os dias, o que mais vemos são oprimidos se voltando contra oprimidos. Enquanto nos hostilizamos uns aos outros, por sermos “macacos”, “travecos”, “viadinhos” ou “piranhas”, não podemos nos voltar, juntos, contra o sistema que nos oprime a todos.

Assista agora mesmo:

Entrevistadas(os):

Monique Top – Jornalista, Apresentadora, Dançarina e Militante
Amara Moira – Escritora, Garota de Programa e Militante
Caio Fucidji Ishida – Estudante Secudarista e Militante
Paola – Garota de Programa
Raul Lima Silva – Estudante de Arquitetura e Militante
Carolina Gerassi – Advogada

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Hoje, nove de maio, começa o 15º Ciclo de Debates, promovido pela Associação da Parada de SP (APOGLBT). A atividade, que é aberta ao público interessado, tem como finalidade garantir a isonomia da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e de contribuir para promover os avanços sociopolíticos. Os debates ocorrerão de hoje até o dia 13 de maio, das 19h às 21h, na Rua Formosa, nº 99 – 12º Andar, ao lado do Metrô Anhangabaú – Entrada gratuita.

Além de reunir pensadores de vários campos de atuação – advogados, professores, sacerdotes, entre outros –  para aprofundar as discussões, os encontros têm ainda o intuito de despertar uma reflexão acerca das demandas dos LGBT e de analisar o histórico do movimento social e seus progressos traçando um panorama atual sobre os direitos humanos e cidadania no Brasil, apontando metas e caminhos futuro.

APOGLBT promove encontros para debater direitos da população LGBT

PROGRAMAÇÃO:

– 09/05 – Segunda-feira

SEGMENTO T – Lei de Identidade de Gênero

Palestrante: FERNANDA DE MORES DA SILVA
Fernanda de Moraes, Assistente Social UNESP de Fanca/SP, Pós-graduada em Direitos Humanos UERJ, Coordenadora Geral do Instituto APHRODITTE-SP, Representante da ANTRA no Estado de São Paulo, Secretária Geral eleita pela ANTRA para a gestão de 2016/2020, Articuladora Social do Centro de Cidadania LGBT do Arouche.

Palestrante: Dra. MARCIA ROCHA
Empresária, advogada integrante da Comissão da Diversidade Sexual e Combate à Homofobia da OAB/SP, com assento no Comitê de Direitos Sexuais da WAS – World Association for Sexual Health, fundadora da ABRAT – Associação Brasileira de Transgêneros e realizadora do projeto Transempregos.

Palestrante: LUIS FERNANDO UCHOA
32 anos, professor de inglês e espanhol, estudante de comunicação social – jornalismo, membro do núcleo político da família Stronger, colunista do site Pau para qualquer obra e fundador do blog Arco Iris Literário.

Moderador: ALEXANDRE PEIXE DOS SANTOS
Coordenador da Região Sudeste do Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (IBRAT), membro da ANTRA e do APHRODITTE- SP.

– 10/05 – Terça-feira

Relação de trabalho X Relações Homoafetivas

Palestrante: CLEONICE CAETANO SOUZA
Mulher, negra, nordestina e Sindicalista. Diretora do Departamento Social, Previdenciário, Saúde e Segurança no Trabalho e também Diretora Responsável pela Secretária da Diversidade no Sindicato dos Comerciários de São Paulo (Raça, Gênero, LGBT e Trabalho Infantil) membro da Rede de Mulheres da UniAmérica. Conselheira da FUNDACENTRO pela UGT.

Palestrante: 
PROFESSOR WALMIR SIQUEIRA
Professor de língua Portuguesa da rede Estadual, Membro do Coletivo LGBT da APOESP, Coordenador do coletivo LGBT da CUT-SP, Diretor Executivo INSPIR (Instituto Sindical Interamericano pela igualdade Racial, Conselheiro do conselho nacional contra a discriminação LGBT.

Palestrante: ADRIANA CRISTINA NOGUEIRA
Graduada em Gestão de RH pela Universidade São Judas Tadeu, com Pós-graduação em Psicologia Geral nas Organizações pela UNICID. Formação em Coaching pelo IBC – Instituto Brasileiro de Coaching.Atua como Coach em processos de Life e Professional coaching, bem como em projetos de consultoria em processos de gestão de RH, educação e programas comportamentais. Idealizadora dos programas Workcoaching e Coaching LGBT.

ModeradoraMARIANNE CLEMENTE
Graduada em Administração e em Contabilidade pela Unifeob de São João da Boa Vista. Secretaria executiva do Fórum Municipal de Travestis e Transexuais da Cidade de São Paulo. Diretora financeira da Associação Paulista LGBT e técnica financeira de Koinonia Presença ecumênica e serviço. Maquiadora e professora de maquiagem Miss Pink São Paulo

– 11/05 – Quarta-feira

LGBT em situação de Rua

Palestrante: PADRE JULIO LANCELLOTI
Padre Júlio, é sacerdote católico, formado em pedagogia e teologia, foi professor primário, professor universitário, membro da Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo desde seu início e há mais de dez anos é o Vigário Episcopal do povo de rua. É da Pastoral do Menor. E de inúmeras Comissões de Direitos Humanos.

Palestrante: ANDERSON LOPES MIRANDA
Presidente do Movimento Nacional da População de Rua. Ex-morador de rua, Anderson conhece de perto a realidade e a situação da população em situação de rua.

Palestrante: DOUGLAS CASSIANO ALVES DE OLIVEIRA
Ex-morador de rua, População em situação de Vulnerabilidade Social, Militou no Movimento Nacional de população de rua. Aonde fez parte da criação da Política Nacional da pop rua. Militou pelo Movimento LGBT. Atualmente é Estudante Universitário na Faculdade PUC. Onde faz Serviço Social que estou no 2 período.

Palestrante: FERNANDO DE OLIVEIRA
Fernando de Oliveira Lúcio, estudante de Jornalismo, Militante LGBT, Coordenador do Projeto Purpurina, responsável pelo documentário “Princesas Impossíveis”, que retrata as vidas de pessoas trans.

Moderadora: DANIELA COSTA
Militante independente e Estudante do Programa Trans-Cidadania (PROJETO REINSERÇÃO SOCIAL TRANSCIDADANIA).

– 12/05 – Quinta-feira

Jovens –  Educação e Gênero

Palestrante: PROFESSORA LUIZA COPPIETERS
Formada em Filosofia pela Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo e professora há 15 anos. Participa de palestras sobre gênero e feminismo especialmente com jovens universitários e de periferia. É militante feminista e da causa LGBT, tendo sido eleita como membro do Conselho Municipal de Políticas LGBT de São Paulo para o biênio 2016/17.

Palestrante: LENNON STRONGER
Estudante de Serviço Social. Jovem negro LGBT da periferia de Embu das Artes, 24 anos. Ativista do Movimento Em Prol dos Direitos Humanos das Pessoas LGBT. Membro da Família Stronger, Família LGBT do Largo do Arouche. Porta-Voz do Coletivo “Cidadania LGBT – Embu das Artes”.

Palestrante: GEDILSON DOS SANTOS PROCÓPIO DA SILVA (GHE SANTOS)
30 anos de Alagoas, ativista LGBT desde o ano de 2007, produtor artístico, foi Secretário Nacional do CDG BRASIL (Comitê Desportivo LGBT Brasileiro). Organizador do Encontro Paulista da Juventude LGBT 2013 juntamente com o Fórum Paulista da Juventude LGBT. Organizador da II Semana da Diversidade de Itaquaquecetuba e da 8ª Parada do Orgulho LGBT de Itaquaquecetuba.

Palestrante: JESSICA TAUANE
Jessica é comunicóloga com ênfase em novas mídias pela PUC-SP e Youtuber do “Canal das Bee” e do “Gorda de Boa”, canais focados em ativismo LGBT, empoderamento feminino e humor. Jessica ministra palestras sobre diversidade em empresas, universidades e instituições pelo Brasil.

Moderador: ELVIS JUSTINO
Membro executivo do consulado das famílias lgbts do brasil, Coordenador do Cine Diversidade do Grajaú. ORGANIZADOR DO PROTESTO A FAVOR DA PLC122 EM 12 DE DEZEMBRO 2014. E ORGANIZADOR DO PROTESTO A FAVOR DA PLC122 EM 12 DE DEZEMBRO.

– 13/05 – Sexta-feira

Saúde da Mulher, Cultura e Empoderamento Feminino.

Palestrante: CELINE RAMOS
Mulher, negra, lésbica e baiana. Publicitária, fundadora do SouBetina e BampCreativeGroup. “A mim, o dever de ser eu acima de tudo”

Palestrante: Dr. BELMIRO
Médico ginecologista e obstetra formado pela UNICAMP e com especialização através da Residência Médica da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP.Mestrado e Doutorado pela UNICAMP.Pós-doutorado na Universidade de LUND – Suécia.
1o secretário da diretoria geral da Sociedade de Obstetrícia Ginecologia de São Paulo (SOGESP)

Palestrante: DANIELA ANDRADE
Mulher transexual, Militante Feminista, faz parte do GADZS Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual e de Gênero. Blogueira Trans Feminista.

Moderadora: TAMARA SMITH
Discente em Bacharelado em Comunicação Social e Jornalismo. Militante e integrante da assessoria de imprensa da APOGLBT-SP.

SERVIÇO:

15º Edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo
– Data: 09 a 13/05
– Horário: das 19h às 21h
– Local: Rua Formosa, nº 99 – 12º Andar, ao lado do Metrô Anhangabaú.
– Realização: APOGLBT
– Evento do Ciclo de Debates no Facebook: https://www.facebook.com/events/1541076076197710/

Quando criei alguns projetos na Internet para levar informações sérias e respeitosas sobre a homossexualidade, comecei a receber um número significativo de e-mails de pessoas, pais, professores, psicólogos, amigos, entre outros profissionais, a respeito das questões que envolvem o tal “homossexualismo” (termo, inclusive, em desuso nos dias atuais por ter conotação de doença).

Como eu nunca consegui responder a tantos e-mails, resolvi pesquisar sobre a homossexualidade e escrever um livro sobre ela. Para meu espanto, em 2006, eu descobri que o “problema” da homossexualidade é algo muito maior do que imaginamos. Não é apenas um problema da homossexualidade, mas sim da sexualidade humana em geral. Sim. Temos um sério problema de educação sexual não só no Brasil mas em diversos países do mundo. Não sabemos nada sobre sexo. A família, em muitos casos, joga a responsabilidade para a escola e a escola, com menos condições, joga a responsabilidade para a família. E daí? A família, sem saber nada sobre ela, acaba passando tudo o que ela sabe aos demais: exatamente nada.

Então, se temos um problema de educação sexual e muitos assuntos sobre a sexualidade humana são obscuros, imagina então sobre a homossexualidade? Que sempre foi condenada pela religião e também, em determinado momento, pela ciência (justamente quando a ciência e religião caminhavam juntas). Alias, para terem ideia, até a masturbação, segundo a ciência, algumas décadas atrás era a causa da epilepsia, poderia ter perda de sangue e em alguns casos até levar a morte. Isso para termos ideia do quanto já fomos errados em diversos conceitos, inclusive cientificamente (e sim, isso esta em livros médicos respeitados de poucos séculos atrás).

Logo, neste cenário humano, se você for estudar a homossexualidade, verá que o preconceito é muito maior do que imaginamos. Felizmente, consegui colocar tudo isso em um livro de fácil acesso e leitura, chamado O ARMÁRIO e que já vendeu mais de 4 mil exemplares. O livro, dividido em duas partes, fala sobre a minha descoberta, focada apenas na minha “saída do armário” (afinal, minha vida não é diferente da de muitos) e a segunda, mais científica, faz um breve panorama histórico sobre a religião, ciência, família, psicologia e os processos psíquicos que são envolvidos nestas questões do preconceito, incluindo a homofobia internalizada (tão comum em homossexuais, até mesmo nos “assumidos”) e a questão muito pertinente do machismo.

E não para por ai. Como me formei em psicologia, e esse sempre foi o meu mal estar da formação, faço uma crítica feroz aos estudantes e formados de psicologia quando o tema é a homossexualidade. Infelizmente, nas faculdades de psico, não é dado a disciplina de sexualidade humana. Logo, o preconceito, a ignorância e a desinformação também paira por lá (eu mesmo não tive e sei que muitos não tiveram, não tem e nem terão!). O que é ruim, afinal, muitos homossexuais acabam parando em consultórios psicológicos com dúvidas relacionadas as suas questões sobre a orientação sexual e nem todos os profissionais estão preparados para melhor atendê-lo. Como também cito no O ARMÁRIO o profissional, com toda a sua formação, terá ferramentas capazes de atender muito bem um homossexual em seu consultório clínico, mas não compreenderá toda a vivência homossexual, seus conflitos e pode acontecer, como acontece, deste profissional pertencer a alguma religião que condena a homossexualidade e, sem perceber, também condená-la em seu paciente.

Sim. Novamente, como cito no meu livro, um professor de uma faculdade de psicologia em São Paulo, uma faculdade renomada inclusive, recentemente disse que o “homossexualismo” era uma doença para quase 80 alunos do quarto ano do curso de psicologia. Isso agora. Não falo de décadas atrás. Por outro lado, existem diversos profissionais sérios e capacitados para falar com propriedade quando o tema é psicologia e a homossexualidade. Conheço um psicanalista, por exemplo, que tem um trabalho acadêmico internacional dentro deste tema. E isso é realmente fantástico.

Logo, devemos ter muita atenção quando realizarmos estudo/pesquisas que envolvem estes dois temas: psicologia e a homossexualidade. Como a própria Internet, existe um mar de informações desencontradas e é justamente por isso que precisamos ter boas referências, bons livros, bons estudos e achar um bom caminho, onde a homossexualidade é vista como ela é de fato: apenas uma vertente saudável da sexualidade humana.

E que a psicologia, estudantes, formados, professores e profissionais da área, comecem a deixar seu preconceito de lado e estudar esta parte humana que, querendo ou não, faz parte do ser humano. Somos seres completos e, por isso, sexualizados.

Fabrício Viana*

*Fabrício Viana é jornalista, bacharel em psicologia com pós em marketing, autor de vários livros com temática LGBT, entre eles O Armário (sobre a homossexualidade), Ursos Perversos (contos), Orgias Literárias da Tribo (coletânea premiada duas vezes) e seu mais recente sucesso chamado Theus (romance gay). Seu site com suas redes sociais é www.fabricioviana.com

 

Entre gays e “não gays” encontramos diversos indivíduos considerados “neuróticos” ou com algum desequilíbrio emocional. Infelizmente isso é “quase” comum nesta sociedade nem tão boa como imaginamos.

Claro que a homossexualidade, em si, não é o fato dessa desordem, afinal, hoje sabemos que ela não é considerada doença pela comunidade médica e científica (a homossexualidade é apenas uma expressão natural da sexualidade humana, e apenas isso!). O que causa a neurose são os conflitos que o indivíduo possui entre seus desejos (ID) e o que a sociedade impõe (superego), que faz com que o mesmo (ego) se torne fragilizado.

Se a sociedade não fosse tão preconceituosa e os homossexuais não aprendessem desde pequeno que seus desejos são “errados” (isso gera inclusive uma homofobia internalizada neles), é muito provável que muitas neuroses deixariam de existir. Isto é, nem seriam criadas.

Entretanto, quanto maior o desejo e quanto mais reprimido ele for pela sociedade (ou mesmo pelos pais), mais forte se torna o ciclo “neurotizante”, ao ponto de, com o tempo, podendo apresentar reações psicossomáticas, psicomotoras (famosos “tiques nervosos”), de isolamento, confusões mentais e até psicoses (loucura). Entre outros sintomas de desequilíbrio mental, como um dos casos que cito no meu livro sobre a homossexualidade chamado O Armário:

Para termos uma ideia mais precisa do quanto complicado é viver uma vida dupla, de mentiras e com grande desperdício de energia psíquica, vamos a um caso bem interessante de um rapaz. Noivo e com uma vida bastante conturbada, ele começou a criar – para sua futura esposa, amigos e familiares – desculpas para sair à noite, conhecer rapazes e ter seus encontros puramente sexuais (afinal, é a única coisa que poderia fazer nestas suas breves saídas – saciar seus desejos). Porém, a frequência com que saía aumentava ao ponto dele precisar criar histórias e personagens para suas desculpas, para que ninguém desconfiasse da verdade. A mais utilizada era a de que ele estava indo para a casa de um colega de trabalho resolver pendências, colega que só existia em sua mente. Para que a desculpa não fosse sempre a mesma, ele inventou uma filha desse colega, e que sempre o ajudava levando-a para o hospital (pois ela fazia um longo tratamento, segundo ele). Quando essa história também se saturava, ele criava outro personagem, um outro amigo de trabalho, um outro parente deste colega, uma tia com que tinha perdido contato desde pequeno, mas que morava em outra cidade, e por aí foi. Em apenas dois anos, esse rapaz se encontrava em uma situação muito complicada. Ele criou tantos personagens e tantas histórias em sua mente, para dar as desculpas, que foi parar em um tratamento psicológico em estado grave (quase de psicose) com o objetivo de tentar separar quem de sua vida era real e quem era imaginário (criado por sua mente), pois ele não sabia mais ‘quem era quem’.(página 97 e 98, livro O Armário)

Logo, a matemática de uma vida dupla é simples: se você tem uma pilha e usar metade de sua energia para uma vida saudável e a outra metade com o objetivo de “esconder-se”, é diferente de usar a mesma pilha/energia 100% ao seu favor, isto é, “fora do armário” e sendo você verdadeiramente em qualquer lugar com todos os seus desejos e com uma vida afetiva e sexual plena e satisfatória. Algumas empresas já sabem disso, segue mais um trecho do meu livro:

Algumas empresas de recursos humanos já sabem, por exemplo, que um rapaz no trabalho que não é assumido gasta muito mais energia escondendo seus desejos e vida homossexual do que outro – também homossexual – que não precisa escondê-los. Optam por aquele que é assumido, afinal, ele produzirá muito mais que o outro.

Claro que chegar a este ponto não é algo inatingível, acredito que, se muitos conseguem, você e qualquer pessoa também pode conseguir. Tudo bem, sabemos que isso não acontece de um dia para outro. Tudo depende de você e do caminho “lento” ao objetivo final, mas se você não começar a batalhar por sua vida e por sua felicidade, quem irá? Lembre-se de que, a única pessoa que sabe o que é melhor para você é você mesmo. Se escolher “sair do armário“, ótimo, parabéns e ao mesmo tempo esteja preparado para as grandes dificuldades que irá encontrar. Se escolher continuar “no armário”, ótimo também. Mas você não acha que vai desperdiçar grande energia onde poderia investir?

Digo isso pois é comum homossexuais assumidos, quando chegam ao seu “último estágio de aceitação”, pararem e pensarem: “como é gostoso ser quem realmente eu sou, não ter que esconder minha orientação sexual para amigos, familiares, colegas de trabalho ou estudo”. Tiro isso por mim e por muitos amigos, de todas as idades, que vez ou outra, comentam sobre. Lembrando que, não basta apenas sair do armário, também precisa – e isso é muito importante – livrar-se completamente da homofobia internalizada, que muitos homossexuais, mesmo assumidos, carregam consigo. Falo também no meu livro. Lembrando que ele não é vendido em livrarias, apenas neste link (144 páginas) ou a versão digital no site da Amazon Brasil

Portanto, o que vale, realmente, é refletirmos sobre tudo isso. E divulgar essa matéria para o máximo de pessoas possíveis. Precisamos ter uma vida autêntica antes de tudo.

Abraços fraternos,

 

Fabrício Viana*

*Fabrício Viana é jornalista, bacharel em psicologia com pós em marketing, autor de vários livros com temática LGBT, entre eles O Armário (sobre a homossexualidade), Ursos Perversos (contos), Orgias Literárias da Tribo (coletânea premiada duas vezes) e seu mais recente sucesso chamado Theus (romance gay). Seu site com suas redes sociais é www.fabricioviana.com

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Nem tudo é paz e amor, infelizmente.

Existem lésbicas racistas, ”gayfóbicas” e transfóbicas, como existem gays transfóbicos, gays lesbofóbicos, pessoas bissexuais transfóbicas, bissexuais machistas… enfim, há intolerância entre nós, LGBTs. Por quê?

”Sou lésbica e não sou obrigada defender os gays, eles que se virem.”
”Sou travesti e não sou obrigada defender as pessoas bissexuais.”
”Sou gay e não sou obrigada defender as pessoas transgêneros.”

A mulher cis é vítima da intolerância religiosa, racismo, machismo, misoginia…

A mulher trans também é vítima da intolerância religiosa, racismo, machismo, misoginia…

Essa desunião provocada na seletividade nos relacionamentos que algumas pessoas exigem para manter um padrão, facilitam os argumentos de quem se unem para torturar, xingar e matar noss@s amig@s e familiares lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros (ou transexuais); para provar a ”inocência” graças a falta de leis vigentes em todo território nacional que de fato punem esses criminosos é a frase: ”A minha religião diz que é pecado.”, os assassinos aumentarão os tristes índices de violência e o Brasil está no topo.

Quando você lutou somente por algo que te satisfaça, alguém morreu em seu lugar.

Enquanto houver desunião, desrespeito, machismo, racismo, transfobia e outros delitos de intolerância; seremos argumentos de quem não respeita o Estado Laico para atrair mais público por meio de verdades criadas em troca de votos, dinheiro, poder.

No momento que você está aproveitando uma noite especial naquela festa badalada, a família de um LGBT está em um velório sem reações diante da impunidade garantida por leis frágeis.

O que é mais importante, evitar que alguém interrompa os sonhos dos LGBTs ou grande quantidade de ”likes” nas redes sociais com textões sem sentido algum?

Não adianta mostrar ao mundo que é uma pessoa ”de bem”, se na verdade tem um espírito de porco.

Faça amor, não faça guerra!

Precisamos de sororidade entre as mulheres!
Precisamos de união contra o machismo!
Precisamos lutar contra o racismo!
Precisamos lutar contra a transfobia!
Somos pessoas iguais e diferentes.

Meu corpo, minhas regras, meu gênero.

Tâmara Smith*

* Tâmara Smith tem 27 anos, é lésbica, estudante de Comunicação Social/Jornalismo, militante LGBT e assessora de imprensa da APOGLBT. Seu twitter é http://twitter.com/aboiola

 

 

 

 

Quando você contou para a sua família que você é lésbica?

Quando eu disse “mãe, eu gosto de garotas, sou lésbica…” meu mundo mudou, ficou mais leve e livre, porque não precisava mais ”inventar verdades” como aniversários de amigos, churrasco na casa de colega, dia extra de trabalho no feriado… e os avisos? Todos mudaram para o que realmente acontecia:

''Mãe, vou na casa da minha namorada depois do trabalho...''
 '' Pai, você conhecerá a sua nora amanhã, naquele jantar...''
 ''Amor, a minha família te adora!''

Acima de tudo é importante não ter medo de dar o primeiro passo, sair do armário, aquele mundo de mentiras para satisfazer a visão de outras pessoas têm sobre você. A pergunta é simples: quem, de fato, traz felicidade para você?

Claro que tudo tem o momento certo, desde que você esteja segura com você mesma e com o novo mundo que descobrirá. Será fácil? Não, porque o preconceito infelizmente está entre nós, as nossas pequenas ações, por mais simples que sejam, como andar de mãos dadas, abraçar e beijar a namorada em público, ir a um evento e expressar a alegria de ser livre para amar quem você quer, levar a namorada para conhecer a família, mudar o status de relacionamento nas redes sociais e marcar a mulher da sua vida nas publicações fofas, não será mesmo fácil, mas gratificante! Essas pequenas (mas grandes!) atitudes servirão de motivação para outras mulheres também darem seu primeiro passo. Afinal, ninguém está sozinha. Você não está sozinha. Não estamos sozinhas.

Aliás, são nos momentos que precisamos de amparo é que conhecemos quem são os nossos verdadeiros amigos, conhecemos o amor incondicional da família que sempre deseja a nossa felicidade independente das nossas escolhas.

Quanto mais amig@s, maior a nossa rede de informações e troca de experiências culturais. Portanto, não tenha preconceito com o novo e, após se assumir, simplesmente viva cada dia porque você e eu já estamos unidas de alguma forma. Pensem nisso. 🙂

As pequenas atitudes se transformam em grandes conquistas.

Tâmara Smith*

* Tâmara Smith tem 27 anos, é lésbica, estudante de Comunicação Social/Jornalismo, militante LGBT e assessora de imprensa da APOGLBT. Seu twitter é http://twitter.com/aboiola

18ª PARADA LGBT-SP-04-05-2014-FOTOS JOCA DUARTE (201 de 489)

Publicado originalmente na Revista G Magazine, em 2006.

Desde que me entendo por gay e estudioso do assunto, reparo que inúmeras pessoas protestam, reclamam e criticam a Parada do Orgulho LGBT, independentemente do local onde ela é feita. Eu entendo todas elas pois no início eu também criticava, como também não concordava com o jeito de ser de outros gays, principalmente aqueles que apresentavam trejeitos ou afeminações (sim, eu também já reproduzi, sem saber, esse machismo ridículo). Acredito que tudo é uma fase e só abrindo mais a cabeça para a diversidade é que podemos entendê-la, respeitá-la e admirá-la. Além de ter plena consciência de sua realização (como é feita) e principalmente: o que nós, que tanto reclamamos e criticamos, fazemos para que as coisas melhorem.

Esse artigo foi pensado na virada deste ano, quando eu estava na praia e uma menina muito simpática comentou na rodinha de amigos sobre um detalhe da Parada LGBT de São Paulo. Ela falava com muita indignação sobre a grande distância entre dois trios elétricos durante o percurso, dando a entender que isso era um problema gravíssimo dos organizadores da manifestação social. Nesta hora eu perguntei a ela: Você tem ideia de quantas pessoas organizam este evento? Você tem ideia do trabalho que eles têm e das dificuldades que possuem para organizar a parada do orgulho LGBT?

Depois disso fiquei pensando, se tivessem mais pessoas trabalhando e fazendo algo, talvez tivesse uma equipe só pra ver esse problema “gravíssimo” que ela apresentava. Mas não. Não tem tanta equipe assim e as pessoas que estão lá, batalhando o ano inteiro (e não só meses antes como pensam alguns) têm que se preocupar com coisas muito mais importantes que a distância dos carros. Citei-a para entrar neste assunto, mas as críticas são gerais. Como disse, eu também já compactuei com algumas, mas quando não entendia o real valor da palavra DIVERSIDADE. Para mim, no PASSADO, todo homem gay deveria ser homem (sem trejeitos), a parada gay não poderia ter drags, pessoas fantasiadas, palhaços e muito menos se parecer com um carnaval. Achava que tudo isso não ajudava em nada em nossa imagem. Mas qual seria nossa imagem? Hoje, eu entendo que nossa imagem é a imagem da DIVERSIDADE HUMANA. Não podemos discriminar e nem recriminar todas as “expressões” da nossa comunidade. Existem gays, travestis, transexuais, barbies, fashionistas, ursos, simpatizantes, pessoas fantasiadas, drags, crianças, famílias e tudo isso faz parte da comunidade dita “gay”, ou “LGBT” (sendo mais politicamente correto). E a Parada do Orgulho LGBT, de São Paulo ou de qualquer outra região, nada mais é que um grande dia para mostrarmos a sociedade que nós, que sempre somos invisíveis para eles, EXISTIMOS. E existimos com todo o prisma de cores que o arco-íris possui.

Para aqueles que acham que falta política, falta mais protesto neste grande dia, que faça alguma coisa e lute por aquilo que acredita. Leve uma faixa, faça um cartaz, coloque uma camiseta com dizeres de protesto e“grite” para o mundo a militância que sente falta. Não espere que os outros façam aquilo que você acha “ideal” em uma Parada do Orgulho LGBT. E se puder, convença até amigos mais próximos a fazerem a mesma coisa. Mesmo porque, política e luta não é feita em apenas um dia. É necessário lutarmos todos os dias por nossos direitos. Mas ninguém pensa nisso. Ninguém se compromete. Ninguém dá a cara à tapa e faz alguma coisa. Só criticam, criticam e criticam tudo.

Quando era mais novo, trabalhei ao lado do Teatro Municipal de São Paulo e ao meio dia havia um protesto de camelôs. Olhei para meu chefe e fiz uma crítica tremenda sobre a administração da cidade. Ele olhou pra mim e pediu para parar de criticar. Falou que críticas tanto eu quanto metade da cidade teríamos contra ela, mas ir lá e fazer alguma coisa pra melhorar, ninguém fazia. Que, ao invés de criticar qualquer coisa, deveria arregaçar as mãos e partir para ação de melhoria ou permanecer calado. Mas jamais criticar por criticar. Qualquer coisa que seja. Foi uma lição e tanto. Hoje vejo que tem muita gente que precisaria dela. Para “acordar” e finalmente fazer algo por todos nós. Ao invés de só reclamar. Então, antes de criticar a parada, antes de falar mal de alguma coisa que se refere a luta por nossos direitos, olhe pra si, veja o que você faz para ajudar ou melhor, o que poderá fazer para contribuir na luta por uma sociedade melhor. E não só neste dia, mas durante todo o ano.

Fabrício Viana*

*Fabrício Viana é jornalista, bacharel em psicologia com pós em marketing, autor de vários livros com temática LGBT, entre eles O Armário (sobre a homossexualidade), Ursos Perversos (contos), Orgias Literárias da Tribo (coletânea premiada duas vezes) e seu mais recente sucesso chamado Theus. Do fogo à busca de si mesmo (romance gay). Seu site com suas redes sociais é www.fabricioviana.com

Mãe, lésbica, pobre e negra.

Há quase uma semana em Ribeirão Preto/SP, ela foi na hora errada cumprimentar um amigo que estava em um bar. O que ninguém imaginava é que ela seria abordada, agredida, ignorada e morta. 

            ”Ela pagou o preço por parecer homem negro e pobre, ela foi abordada como outros homens da periferia. Lésbica, negra e periférica com passagem pela polícia, ela já era considerada culpada.” afirmou Roseli, irmã da Luana, em entrevista ao Alê Alves da Ponte Jornalismo (fonte: http://ponte.org/a-historia-de-luana-mae-negra-pobre-e-lesbica-ela-morreu-apos-ser-espancada-por-tres-pms)

Familiares e ONGs de direitos humanos protestaram contra a lesbofobia, racismo e impunidade dos autores dia 23/04 em frente ao Teatro Pedro II, em Ribeirão Preto.

Outros casos similares aconteceram, como o da Dayane Ramos e Priscila Aparecida Santos da Costa, vítimas da lesbofobia. Assim como o de Laís R. Castanho, morta por ser bissexual.

Por isso nossa luta contra o preconceito é importante. Por elas e por tod@s nós.

Tâmara Smith*

* Tâmara Smith tem 27 anos, é lésbica, estudante de Comunicação Social/Jornalismo, militante LGBT e assessora de imprensa da APOGLBT. Seu twitter é http://twitter.com/aboiola

 

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A cada hora que passa uma pessoa do segmento T (Travestis e Homens e Mulheres Transexuais) sofre agressões, constrangimentos, é alvo de piadas, são excluídas, entre outras coisas. E, por este motivo, a luta contra a transfobia é uma luta de todos.

A Constituição Federal determina que todo cidadão tem o direito de tratamento de seus semelhantes como pessoa humana, sem qualquer discriminação, tal como na Declaração Universal dos Direitos Humanos é determinado que “todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei”.

Portanto, como cidadãos, temos direito a vida! Temos que reivindicar por nossos direitos de sermos reconhecidos pelo nosso nome social. Queremos ter acesso e atendimento médico sem constrangimento! Estamos em busca dos nossos direitos à integração social, à educação e ao trabalho.

Passamos por diversas dificuldades por sermos Travestis, mulheres transexuais ou homens trans. Queremos ter assegurado o direito à liberdade de expressão. Por ser um absurdo em pleno século XXI, termos que lutar por direitos básicos, que outras pessoas jamais precisariam reivindicar.

‪#‎VisibilidadeT‬ ‪#‎OrgulhoT‬
‪#‎SouTransEqueroDignidadeErespeito‬
‪#‎CRIMINALIZAÇÃODATRANSFOBIAJÁ‬

Luiz Fernando Prado Uchoa*

*Luiz Fernando Prado Uchoa é homem trans, estudante de Jornalismo, articulista do site “pau pra qualquer obra” e membro do núcleo político da família Stronger.