sábado, abril 29, 2017
Psicologia

Inédito, o documentário Ingrid apresenta as memórias de uma mulher transexual, sua busca por autoconhecimento e a luta pela igualdade de direitos

Ganhador do Prêmio Aquisição SescTV, na categoria Melhor Filme, durante a 16ª edição do Goiânia Mostra Curtas, realizada no ano passado, o documentário Ingrid (2016, 6’45”, MG), dirigido por Maick Hannder, traz depoimentos de Ingrid Leão, uma jovem que nasceu em um corpo masculino. Ela relembra a infância, a adolescência e o dia em que se tornou mulher. O curta, filmado em preto e branco, será exibido pela primeira vez no SescTV, no dia 20/4, quinta, às 21h (assista também em sesctv.org.br/avivo).

Ingrid recorda seu sofrimento, quando ainda era criança, ao se descobrir em um corpo que, segundo ela, não a pertencia. Sem entender o que estava acontecendo, a menina só queria ter cabelos longos. “Minha mãe sempre me obrigava a cortá-lo e aquilo me machucava de certa forma”, relata. Ela conta que o que mais marcou a sua infância foi ter que ir ao barbeiro, local frequentado apenas por homens. “Eu não me sentia à vontade”.

Com um corpo que não retratava o que se passava em sua cabeça, Ingrid rememora quando começou a entrar em conflitos consigo mesma. “Eu sabia que não ia ter seios, não ia ter quadril largo, não ia ter pernas torneadas. Eu sabia que minha voz não seria delicada”, fala. “Mas uma coisa eu sabia que poderia ser minha, meu cabelo grande, e sempre me tiravam isso”, completa. Ingrid diz que sentiu medo ao pensar sobre as transformações que viriam na puberdade e, na adolescência, começou sua busca por um corpo feminino. Ela também comenta sobre os problemas que devido ao uso de hormônios e sobre o dia em que se tornou mulher. “Ali é onde eu comecei a sentir a verdadeira pessoa que eu sou”.

O filme surgiu da necessidade do diretor de falar sobre a autoimagem, mas por tratar de questões sobre sexualidade e gênero, acabou ganhando um contexto social importante, ao representar minorias invisíveis. “Para um diretor, isso significa uma responsabilidade a mais. Aprendi muito com todo o processo e fico muito grato pela Ingrid ter confiado em mim para contar sua história”, comenta Hannder.

Sobre o SescTV:

SescTV é um canal de difusão cultural do Sesc em São Paulo, distribuído gratuitamente, que tem como missão ampliar a ação do Sesc para todo o Brasil. Sua grade de programação é permeada por espetáculos, documentários, filmes e entrevistas. As atrações apresentam shows gravados ao vivo com grandes nomes da música e da dança. Documentários sobre artes visuais, teatro e sociedade abordam nomes, fatos e ideias da cultura brasileira. Ciclos temáticos de filmes e programas de entrevistas sobre literatura, cinema e outras artes também estão presentes na programação.

SERVIÇO:

Prêmio Aquisição SescTV, na categoria Melhor Filme, na Goiânia Mostra Curtas 2016
Ingrid
Direção: Maick Hannder
Duração: 6’45”
Ano: 2016

Estreia: 20/4, quinta, às 21h
Reapresentações: 22/4, sábado, às 20h; 23/4, domingo, às 6h30; 24/4, segunda, às 22h; e 26/4, quarta, às 6h30.. Classificação indicativa: 14 anos

Para sintonizar o SescTV:
Canal 128, da Oi TV
Ou consulte sua operadora
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A GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation) é um das maiores e mais respeitadas organizações de pesquisas dos EUA. Entre seus trabalhos conhecidos, ela orienta jornalistas e profissionais da mídia a retratar de forma não estereotipada gays e lésbicas. E mais, anualmente, premia atores, personalidades e profissionais que fazem um bom trabalho ligados à diversidade sexual. Esta premiação deles é semelhante ao nosso Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade.

Recentemente, a GLAAD publicou uma pesquisa onde mostra que, 20% da chamada Geração Y, se identificam com uma das siglas LGBT. Para quem não sabe, dentro da sociologia, o conceito “Geração Y”, para alguns autores são pessoas que nasceram após 1980 ou segundo outros, pessoas que nasceram entre 1970 e 1990: em outras palavras, que possuem mais afinidade com a Internet.

A pesquisa foi realizada com mais de 200 adultos em novembro/16 para o estudo chamado “Aceleração e Aceitação 2017”. O resultado analisado demonstrou que, aqueles que tinha entre 18 e 34 anos, são mais sucetíveis a se identificarem com as identidades LGBTs.

Segundo Sarah Kate Ellis, presidente da GLAAD, disse que “Esse estudo mostra que uma maravilhosa era de entendimento e tolerância entre as pessoas mais jovens – um sinal inspirador de esperança para o futuro”.

A pesquisa completa (em inglês) pode ser consultada aqui:
http://www.glaad.org/publications/accelerating-acceptance-2017

O psicólogo Pedro Sammarco e o advogado Bryan W. Suárez criaram um grupo no Facebook onde discutem e ajudam, na medida do possível, homossexuais que possuem homofobia internalizada.

Para quem não sabe, a grosso modo, quando um homossexual nasce, ele (ou ela) – durante toda a sua vida – acaba escutando da sociedade que a homossexualidade é algo ruim (em vários sentidos). Mesmo que ele se assuma e seja “resolvido”, saindo inclusive do armário, é comum que ele ainda tenha resíduos desta homofobia em seu inconsciente: condenando, inclusive, beijo gay em público ou coisas que não deveriam incomodar.

Então, se você conhece alguém que “tem homofobia contra si”, indique o grupo para esta pessoa.

O endereço é:

https://www.facebook.com/groups/autopreconceito/

E ajude a divulgar este conceito “homofobia internalizada”. Afinal, muitos homossexuais, inclusive “assumidos” tem e precisam eliminar de sua vida.

Por um mundo mais saudável. Sempre!

Daniel Moreira e Guilherme Viana decidiram ler livros com temática LGBT e, logo em seguida, resenhar em áudio um pouco do conteúdo e publicar no site que criaram chamado Semtions.

E, engana-se quem acha que as resenhas são simples ou superficiais. Nada disso. Gui e Ton, como um chama o outro carinhosamente durante as apresentações, leem os livros juntos e no decorrer da gravação do áudio, eles comentam o que mais gostaram, o que o livro aborda, a construção de alguns personagens e a melhor parte: contam sem contar, ou seja, não dão spoilers.

O projeto, que tem pouco tempo de vida, já resenhou quatro livros com temática LGBT e o áudio, sobre os livros lidos até o momento, podem ser escutados tanto pelo site quanto pelos seus perfis no Soundcloud e Youtube.

Ficaram curiosxs? Escute agora mesmo os quatro livros resenhados até o momento (em ordem cronológica):

Semitons #04 – Theus – Fabrício Viana

Semitons #03 – Condicional – Paulo Sérgio Moraes

Semitons #02 – Scarlet – Reynaldo Araújo

Semitons #01 – 30 dias – Moa Sipriano

Participe, comente e compartilhe o projeto Semitons:

www.semitons.com.br

Todos os livros podem ser adquiridos na Amazon em ebook ou em sites específicos, basta fazer uma busca no Google.

Talles De Oliveira Faria não é drag e nem trans. Porém, no sábado passado, 17, durante a formatura do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) em São José dos Campos, ele foi à sua formatura de vestido e salto alto, em protesto contra o bullying homofóbico que sofreu durante todo o curso de sua carreira militar.

Por outro lado, o ITA nega formalmente a homofobia que o jovem sofreu.

Talles, sendo um dos assuntos mais comentados nesta semana, gravou um vídeo explicando toda a homofobia que ele sofreu durante o curso e publicou em seu perfil do Facebook.

Assista aqui:.

E que mais pessoas tenham esta atitude diante da homofobia.

Christian Sebastian, 24 anos, e Natalino Ferreira, 34, estão juntos há mais de dois anos e sempre tiveram vontade de adotar uma criança.

Moradores de Maringá (PR), o casal disse que, por meio das redes sociais, mais especificamente por uma publicação de Eliandra Souza, servidora do Tribunal de Justiça do Tocantins, eles conheceram a história deste garoto, de 13 anos, que há mais de 6 anos estava em um abrigo.

O menino foi parar no abrigo aos 7 anos, após ser encontrado por policiais perambulando pelas ruas da cidade. O Conselho Tutelar disse que a mãe cumpria pena na Cadeia Feminina de Figueirópolis e expunha o filho à situações de maus tratos e risco.

O casal tentou a adoção e não conseguiu. Recorreu a Defensoria Pública do Tocantins que entrou com uma ação de adoção. Em pouco tempo os dois tiveram a guarda provisória e um estágio de convivência por quatro meses.

Licemara Cardoso, coordenadora do abrigo, disse que o adolescente sofria muito por não ter uma família e por ver que só as crianças eram adotadas. A adoção tardia geralmente gera desconfiança por muitos casais. Mas não para Christian e Natalino, segundo eles em entrevista ao portal G1, o amor supera, educa, fortalece e ensina. Todos tem, ou deveriam ter, uma chance.

Que esse exemplo se propague. E que mais pessoas tenham a chance de serem felizes.

Criada em 1988 pelo psicólogo gay Robert Eichberg e pela ativista lésbica Jean O`Leary, o “The Coming Out Day” (em português Dia de Sair do Armário) é um dia internacional para aumentar a conscientização sobre a importância de sair do armário e discutir temas relacionados com gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (LGBT).

A data, 11 de Outubro, foi escolhida porque é aniversário comemorativo em Washington para celebrar os direitos de gays e lésbicas. Segundo Eichberg, a não comemoração e invisibilidade de LGBTs na sociedade é um território fértil para a criação e proliferação da homofobia. Quanto mais pessoas se assumem, mais pessoas percebem que não existe nada de errado com pessoas LGBTs: elas amam, sofrem, são felizes, trabalham e vivem uma vida como qualquer outra pessoa, passando a respeitá-las.

Para comemorarmos o dia da Saída do Armário, tema recorrente em filmes, peças de teatro, livros (alguns deles: O Armário, Guardei no Armário, Fora do Armário, etc), selecionamos alguns vídeos que encontramos no Youtube de pessoas que contam como foi, para elas, “sair do armário” (em ordem alfabética):

Canal HBW
Youtube da Paula

ChellAndMar
Youtube da Chell e Mar

Colher de Ideias
Youtube da Eva e da Malu

Eduardo Bressanim
Youtuber

Fabrício Viana
Jornalista e Escritor LGBT

Fora do Armário
Youtuber

Lucca Najar
Homem Trans

Respeita Minha História
Youtube do Thomas

Viaja Bi!
Youtube do Rafa Leick

Viaje com a Cris
Depoimento da Teresa

Victor Larguesa
Youtuber desde 2012

 

Integrante da família real britânica, o lord Ivar Mountbatten, de 53 anos e primo da Rainha Elizabeth II, revelou ao jornal The Telegraph que passou toda a sua vida lutando contra sua orientação sexual.

“Ser um Mountbatten nunca foi o problema, foi a geração que nasci. Quando eu cresci, era conhecido como ‘o amor que não ousa dizer seu nome’, mas o que é incrível agora é o quão longe nós chegamos em termos de aceitação”, revelou ao jornal.

Pai de três filhas, divorciado de Penelope Thompson com quem foi casado por 17 anos, Mountbatten não só se assumiu publicamente mas também apresentou seu companheiro, James Coyle, de 54 anos. Ele diz que ter encontrado Coyle foi uma dádiva, pois não irá envelhecer sozinho e nem terá que esconder sua homossexualidade para mais ninguém.

Para Fabrício Viana, autor do livro sobre a “saída do armário” chamado O Armário:

“Muita gente acha que este tipo de notícia não é importante para a sociedade. Mas é sim. Sempre que um famoso se assume publicamente, essa ‘visibilidade’ mostra a muitos homossexuais que ainda sofrem ‘dentro do armário’ que viver bem com sua orientação sexual é algo possível, saudável e muito comum. Falo isso no meu livro e as paradas do orgulho LGBT são outro exemplo vivo disso”, diz Viana.

Viana, que gravou recentemente um vídeo contando sua “saída do armário“, completa:

“E não existe idade para sair do armário.
Nem precisa ser rico ou famoso. Nunca é tarde para ser feliz!”

O seminário Histórias da sexualidade é a primeira parte de um projeto de longo prazo do MASP, que incluirá uma exposição a ser inaugurada em outubro de 2017.

O Brasil tem sido lugar de intensos debates sobre temas relacionados à identidade de gênero, educação sexual e violência contra as mulheres. Embora haja uma forte presença de mulheres artistas no cânone histórico da arte brasileira – de Tarsila do Amaral (1886-1973) a Anita Malfatti (1889-1964), de Lygia Clark (1920-1988) a Lygia Pape (1927-2004), e inúmeras outras – e uma produção artística significante que aborda questões de sexualidade – incluindo os trabalhos de Leonilson (1957-1993), Hudinilson Jr (1957-2013) e Marcia X (1959-2005), ou a performance de Flávio de Carvalho (1899-1973) –, os debates sobre gênero, feminismo e sexualidade, sejam na crítica de arte ou na academia, permanecem ainda bastante incipientes. Nesse contexto, o seminário pretende não apenas tratar de tópicos que têm sido mais predominantes nos debates internacionais, mas também gerar novas reflexões, estimulando as discussões que formarão o projeto de Histórias da sexualidade nos próximos anos.

Apesar da coincidência com o título de obra de Michel Foucault, História da sexualidade (1976), o projeto do MASP tem um título plural e está relacionado a um longo programa do museu em relação à abordagem de diversas histórias: abertas, plurais, inacabadas e não totalizantes, abrangendo não só relatos históricos de caráter político, econômico e social, mas também narrativas pessoais e fictícias.

A discussão do seminário de dois dias está planejada ao redor dos circuitos e territórios da sexualidade no espaço urbano, abrangendo temas como ativismo e esfera pública, feminismos, queer e movimento LGBT, assim como prostituição e performatividade de gênero, todos em conexão com a cultura visual e a prática artística.

Programa

Sexta, 16 de setembro

9h30-10h30
Credenciamento

10h30-11h
Introdução

11h-13h
Luciano Migliaccio
Passeio ao crepúsculo. Nu e erotismo no acervo do MASP
A apresentação fará um panorama das diversas representações do erotismo na cultura ocidental por meio de obras escolhidas do acervo do MASP. O tema aparece dentro de contextos religiosos ou moralizantes, como tentação ou loucura. Na arte renascentista há a retomada do nu greco-romano para representar santos ou heróis. Contudo, em narrativas mitológicas, a sensualidade é também celebrada como força renovadora da harmonia da natureza; desejo de prazer e de paz em contraste com a dura realidade da história, até se afirmar como ideal de vida nas imagens pastorais e galantes da época das Luzes. A partir desses antecedentes, a modernidade revela na representação do erotismo a busca da liberdade e do contato com a natureza no mundo desumanizado e racional da técnica.

Cecilia Fajardo-Hill
A emancipação do corpo feminino, 1960-1985
A exposição Radical Women: Latin American Art, 1960-1985 [Mulheres radicais: arte latino-americana, 1960-1985] será inaugurada no Museu Hammer, em Los Angeles, em 2017. O longo projeto de sete anos de pesquisa pretende demonstrar que, entre 1960 e meados dos anos 1980, artistas mulheres na América Latina e de ascendência latina e chicana nos Estados Unidos empreenderam uma pesquisa radical e experimental que gerou uma nova área de investigação focada na politização do corpo. Como um locus de exploração e redescoberta, o corpo articula uma nova iconografia radical e uma linguagem que desafia os nossos meios de compreender o mundo. A apresentação terá como foco as maneiras como a sexualidade é explorada no contexto da exposição Radical Women. Ao examinarem tópicos relacionados à sexualidade – o erótico, a maternidade e a anatomia feminina –, as artistas de Radical Women propõem uma emancipação do corpo que rejeita qualquer sentido de ordem ou papel estabelecido.

Richard Meyer
Extravagância queer
Ao adotar a carreira de Robert Mapplethorpe como caso de estudo, será proposta a ideia de “extravagância queer” como um modo visual que combina decoração com sexualidade ousada e cosmopolita. Assim, reflete os exuberantes prazeres visuais das revistas de nu masculino em que Mapplethorpe se inspirou, as fotografias que ele fez de estilistas de moda e dos leathermen no final dos anos 1970 e o interior refinado de seu apartamento em Manhattan.

14h30-16h30
Nina Power
Feminismo e o público
Com o crescente desgaste da esfera pública como espaço de discurso e circulação, que se dá pelas forças aliadas da securitização e do neoliberalismo, qual seria o lugar para pensar a relação entre feminismo e público? Por um lado, temos uma espécie de feminismo “divertido”, que vê pouca incompatibilidade entre reivindicações de empoderamento e defesa de mercado. Por outro, vemos o surgimento de ações feministas – como as da Sisters Uncut, no Reino Unido – que procuram intervir diretamente no papel do Estado por ele não proteger as vítimas da violência doméstica, e, assim, chamam atenção para uma imagem muito diferente da relação entre o Estado e a esfera pública. A apresentação examinará a crescente lacuna entre vários tipos de feminismos em relação ao desaparecimento do Estado de bem-estar social e a ascensão do Estado securitário, propondo como resposta um modelo de “feminismo público”.

Daniela Andrade
Identidades sexo-gênero diversas e direitos
O Brasil é o país campeão mundial de assassinato de travestis e transexuais, onde a expectativa de vida dessa população é de apenas 30 anos. Noventa por cento das travestis e mulheres transexuais estão na prostituição. É com base nesses dados que partimos na busca de respostas e soluções para a problemática que envolve a total falta de direitos mais básicos dessa população. O que é orientação sexual? O que é identidade de gênero? O que é gênero? O que é ser travesti e transexual no Brasil? Quem são os sujeitos de direitos no Brasil? A quem a humanidade é atribuída? Quem tem direito aos direitos humanos? Pretende-se encontrar possíveis caminhos para essas discussões.

Renan Quinalha
Da repressão ao reconhecimento precário: desafios do movimento LGBT no Brasil
A luta de homossexuais e pessoas trans começou a se organizar no Brasil sob intensa repressão estatal, ainda durante a ditadura civil-militar (1964-1985). Batidas policiais, perseguições ilegais, prisões arbitrárias, censuras e processos judiciais atrasaram a emergência de um movimento social pela diversidade sexual e de gênero para o final da década de 1970. Quase quarenta anos depois desses primeiros passos, apesar de ostentar a maior parada do orgulho LGBT do mundo, o Brasil ainda vive índices alarmantes de violências contra esses segmentos. Como garantir direitos nesse contexto agravado pelo crescente conservadorismo? Quais os desafios do movimento LGBT hoje?

Sábado, 17 de setembro

10h – 11h
Credenciamento

11h – 13h
Amara Moira
A travesti e a prostituta, escritoras: o mundo que só nós vemos
O mundo a que temos acesso segue subrepresentado nas literaturas em geral. Quem conta as histórias do que é vivido na rua quase nunca é quem sentiu na pele a experiência delas: a coisificação que a prostituta vive, os papéis de gênero, o retirar das máscaras, o despir-se, o homem antes e depois de gozar. A alegação de que a prostituta (em especial se travesti) não domina o instrumental da língua literária é nada mais do que corroborar com o sequestro que a academia vem fazendo com a literatura, cada vez mais incapaz de se comunicar com quem não faça parte de sua trupe de iniciados. O código das ruas, seu vocabulário e leis próprias, o tilt que a oralidade impõe ao texto escrito, a língua que não se quer registrar, mutante, aglutinante, o mundo que só nós mesmas para ver, a potência que isso tudo assume.

Laura Moutinho
Reflexões sobre raça, gênero, sexualidade e identidade nacional no Brasil
A apresentação visará reconstruir o percurso histórico da produção de certas representações sociais relativas a miscigenação e identidade nacional. Serão colocados em perspectiva escritos de autores clássicos da historiografia, da sociologia e da literatura brasileira privilegiando na leitura a inter-relação entre raça, gênero, sexualidade e erotismo. Essas representações serão, em seguida, cotejadas com o trabalho de campo realizado em diferentes contextos com casais inter-raciais e em locais onde se privilegiava a mestiçagem. Desejo e mobilidade social constituem os operadores lógicos pelos quais se podem organizar não somente a produção acadêmica e literária sobre o tema como também as narrativas colhidas no trabalho de campo.

Sérgio Luís Carrara
A contribuição da antropologia para os estudos sobre a “homossexualidade” no Brasil
A partir da segunda metade dos anos 1970, a antropologia brasileira inicia a abordagem mais sistemática do universo da homossexualidade. O mesmo período é marcado pela emergência do hoje chamado movimento LGBT e pela luta pelos direitos civis das então chamadas “minorias sexuais”, com as quais os/as antropólogos/as se verão profundamente implicados. A apresentação buscará refletir sobre como os/as antropólogos/as participam do processo de cidadanização da homossexualidade no Brasil, transitando pelas fluidas fronteiras entre o ativismo LGBT e a reflexão acadêmica; e, como, nesse trânsito, estarão em jogo conflitos cruciais em relação à “natureza” da homossexualidade, da cultura sexual brasileira e do próprio fazer antropológico.

14h30-16h30
Cornelia Butler
Feminismo Facebook: arte, feminismo e prática curatorial atual
A exposição WACK! Art and the Feminist Revolution [Arte e revolução feminista] foi inaugurada em Los Angeles em 2007 e encerrou sua itinerância em Vancouver em 2009. Desde então, foram realizadas inúmeras mostras internacionais que abordam as histórias da arte das mulheres, a arte feminista, temas de gênero e sexualidade e histórias da arte queer e lésbica. A apresentação discute o legado dessas exposições em relação à prática curatorial e o estado atual do ativismo feminista dentro do espaço institucional da arte.

Fernanda Carvajal
Ofensa, animalidade e vergonha: políticas sexo-dissidentes em contextos de violência no Cone Sul
A apresentação abordará uma série de práticas sexo-políticas que ocupam o espaço público a partir dos anos 1980 em diferentes contextos latino-americanos marcados pela violência política e expansão da Aids. Práticas que interrogam os regimes dominantes do visível e do dizível a partir da contraprodutivização da ofensa, propondo cruzes entre dissidência sexual e animalidade, explorando a vergonha tanto como situação social de abjeção como possível início de uma ação política. O que implica historicizar experiências sexo-dissidentes que em muitas ocasiões têm sido marcadas por violência, silêncio, invisibilidade e exclusão sem que isso implique simplesmente preencher um vazio ou produzir um alívio diante da ausência?

Övül Durmuşoğlu
Um futuro queer
Quando lhe pediram para trazer um objeto pessoal a ser incorporado na exposição Future Queer (Futuro Queer), Seda e Tuna, dois artistas-acadêmicos que criaram o coletivo Istanbul Queer Art, trouxeram da casa deles um espelho que fora da avó de Seda. O espelho foi colocado na escadaria da vila onde foi realizada a exposição e provocava desconforto em todos que passavam, ao se verem refletidos no continuum de Future Queer. O espelho específico incorporou as reflexões e memórias de muitos personagens queer em Istambul. Future Queer foi resultado de um processo iniciado pela Kaos GL, a primeira organização de direitos LGBT na Turquia, para refletir sobre os vinte anos de ativismo de base, que começou com pequenas reuniões e publicação de mesmo nome. Ela apontou para o queer como tensão que vai além do binário de gênero, um lugar que não está coberto pelas operadoras de telefonia 4G, um desejo ainda não realizado.

Palestrantes (clique para mostrar/ocultar)

Amara Moira
Travesti, prostituta, doutoranda em Teoria e Crítica Literária pelo Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), feminista e militante dos direitos de LGBTs e de profissionais do sexo. É autora do livro E se eu fosse puta (hoo editora, 2016), em que fala da experiência como prostituta de uma perspectiva literária ao mesmo tempo que feminista, tentando apresentar ao leitor em detalhe como seria a vida que o mundo reserva a travestis e prostitutas.

Cecilia Fajardo-Hill
Historiadora da arte e curadora em arte moderna e contemporânea, especializada em arte latino-americana. É doutora em História da Arte pela Universidade de Essex, Inglaterra. Atualmente é curadora convidada do Museu Hammer, em Los Angeles, como co-curadora da exposição The Political Body: Radical Women in Latin American Art, 1960-1985, a ser inaugurada em 2017 com apoio da iniciativa Pacific Standard Time: LA/LA, do Instituto Getty. É também curadora-chefe da plataforma Space Collection e de sua iniciativa Abstraction in Action, projeto sobre abstração contemporânea na América Latina.

Cornelia Butler
Curadora-chefe do Museu Hammer, em Los Angeles, onde tem organizado diversas exposições, como Mark Bradford: Scorched Earth (2015) e Marisa Merz: The Sky Is a Great Space (2017). Butler foi curadora-chefe de desenhos da Fundação Robert Lehman no Museu de Arte Moderna em Nova York, onde montou a primeira grande retrospectiva de Lygia Clark nos Estados Unidos em 2014 e foi co-curadora da exposição On Line: Drawing Through the Twentieth Century (2010). Como curadora do Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles, Butler organizou a exposição WACK! Art and the Feminist Revolution (2007).

Daniela Andrade
Militante e ativista trans, busca em sua luta a atenção para a causa dos direitos humanos no Brasil. É membro do Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual e de Gênero (GADVS), formada em Letras e Análise de Sistemas. É co-criadora dos sites Transempregos e Transerviços e atua ativamente na promoção dos direitos das pessoas transexuais e travestis.

Fernanda Carvajal
Socióloga, pesquisadora e professora. Atualmente é doutoranda em Ciências Sociais na Universidade de Buenos Aires. É co-autora do livro Nomadismos y Ensamblajes. Compañías teatrales en Chile 1990-2008 (Cuarto Próprio, 2009), com artigos publicados sobre arte contemporânea. É integrante da Rede Conceitualismos do Sul e da equipe de coordenação do livro e da exposição Perder La Forma Humana. Una Imagen Sísmica de los Años Ochenta en América Latina (Museu Reina Sofía, 2012). Seu campo de investigação inclui os cruzamentos entre arte, sexualidade e política no Cone Sul a partir dos anos 1970.

Laura Moutinho
Professora do Departamento de Antropologia e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo (PPGAS-USP) e doutora em Antropologia Cultural pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Realizou pós-doutorado na Universidade de Princeton e é bolsista produtividade do CNPq. Foi pesquisadora visitante no Instituto Africano de Gênero da Universidade da Cidade do Cabo e professora visitante de Relações Públicas e Internacionais na Universidade de Princeton. Publicou o livro Razão, cor e desejo: uma análise dos relacionamentos afetivo-sexuais inter-raciais no Brasil e África do Sul (Unesp, 2004).

Luciano Migliaccio
Curador-adjunto de arte europeia do MASP e professor doutor de História da Arte no Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). É formado em História da Crítica de Arte pela Escola Normal Superior de Pisa, Itália. Foi bolsista da Fundação Roberto Longhi em Florença. Obteve doutorado em História da Arte Medieval e Moderna pela Universidade de Pisa em 1990.

Nina Powe
r
Professora titular em Filosofia na Universidade de Roehampton e mestre em Escrita Crítica em Arte e Design pelo Royal College of Art, em Londres. Power escreve sobre filosofia, política, protesto e feminismo. É membro-fundadora do grupo da campanha Defend the Right to Protest e autora do livro One Dimensional Woman (Zero Books, 2009).

Övül Durmuşoğlu

Curadora e escritora baseada em Berlim e Istambul. Diretora e curadora do YAMA Screen em Istambul. Recentemente foi curadora de Future Queer, exposição de aniversário de vinte anos da mostra realizada pela associação Kaos GL em Istambul. Durmuşoğlu organizou diversos programas públicos para a dOCUMENTA13, com apoio do Instituto Goethe. É colaboradora de diversas publicações impressas e on-line, como WdW Review, Frieze d/e, Art Agenda, Istanbul Art News e Art Unlimited.

Renan Quinalha
Advogado e ativista de direitos humanos. Tem formação em Direito e Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), onde fez mestrado em Sociologia Jurídica e atualmente cursa doutorado em Relações Internacionais. Trabalhou na Comissão da Verdade e foi pesquisador visitante na Universidade Brown (Estados Unidos). É autor de Justiça de transição: contornos do conceito (Expressão Popular, 2013) e co-organizador de Ditadura e homossexualidades: repressão, resistência e a busca da verdade (EdUFSCar, 2014).

Richard Meyer
Professor de História da Arte da Fundação Robert e Ruth Halperin na Universidade de Stanford, onde leciona cursos sobre arte americana no século 20, estudos de gênero e sexualidade, censura às artes e história da fotografia. É autor de What Was Contemporary Art? (MIT Press, 2013) e Art and Queer Culture (Phaidon, 2013), com Catherine Lord. Seu primeiro livro, Outlaw Representation: Censorship and Homosexuality in Twentieth-Century American Art (2002), recebeu o Prêmio de Excelência Charles C. Eldredge do Museu Smithsonian American Art e será relançado em 2017 pela editora Echo Point.

Sérgio Luís Carrara

Doutor em Antropologia Social pelo Museu Nacional/UFRJ. Desde finais dos anos 1980, tem trabalhado de um ponto de vista histórico e/ou etnográfico com questões relativas à sexualidade – doenças sexualmente transmissíveis, sexologia, violência homofóbica e política sexual. Atualmente, é professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Para participar:

– Inscrições limitadas online a partir de 6.9, pelo site: http://goo.gl/ORfsXm

– Inscrições presenciais a partir de 1 hora antes do início do evento, nos dias do seminário (16 e 17.9)

Haverá tradução simultânea em inglês/português e em libras.

O Auditório MASP Unilever, em São Paulo, tem capacidade máxima de 374 lugares; reservamos 10% dos lugares para atendimento preferencial (idosos, gestantes e portadores de deficiência) e 10% para AMIGO MASP.

Serviço:

16 a 17 de Setembro de 2016

Seminário Histórias da Sexualidade
MASP – São Paulo

Telefone: +55 11 3149-5959
E-mail: escola@masp.org.br

Fabrício Viana (www.fabricioviana.com) é jornalista, escritor e bacharel em psicologia, em seis anos ele já escreveu e publicou quatro livros com temática LGBT: “O Armário” (sobre a homossexualidade), “Ursos Perversos” (contos homoeróticos), “Orgias Literárias da Tribo” (coletânea LGBT premiada duas vezes em 2015) e o recente “Theus. Do fogo à busca de si mesmo” (romance com temática gay).

COLETANEA-LGBT-LITERATURALGBTPara comemorar mais de 20 mil leitores, Viana está dando de graça, 100 exemplares da coletânea “Orgias Literárias da Tribo“. A única coletânea no Brasil onde é possível encontrar pelo menos um autor representando cada segmento LGBT.

Ao contrário do que se imagina, o livro “Orgias Literárias da Tribo” não é um livro erótico/pornô. É um livro de contos, crônicas, poesias e textos em geral que representam o dia a dia da comunidade LGBT. Com 144 páginas, 10 autores e com dois prêmios recebidos em 2015, a coletânea permite que gays leiam textos de lésbicas, lésbicas de pessoas trans e trans de bissexuais. Ou tudo fora desta “ordem”. Afinal, como diz Viana no livro, é “uma orgia literária” e a ordem não importa tanto. A leitura da obra, sim.

Para ganhar o livro gratuitamente e autografado, você terá apenas que morar no Brasil e pagar o valor do frete (R$ 8,00). Segundo Viana, como ele separou 100 exemplares para doação, não pode bancar o frete para todos (R$ 800,00). Se você gostou e quer ganhar um exemplar autografado, corra, visite o link agora mesmo e leia todas as regras:

http://fabricio-viana.blogspot.com.br/2016/07/coletanea-lgbt.html

Lembrando que não é promoção. As primeiras 100 pessoas que fizerem o pagamento do frete, leva o livro de graça e autografado. É um presente do autor, não tendo vínculo algum com a APOGLBT ou com a Editora. Portanto, se gosta de Literatura LGBT, vai lá agora e garanta o seu!