quarta-feira, março 29, 2017
Saúde

Evento no Anhangabaú deve reunir 100 mil pessoas em atividades de cultura, lazer e gastronomia.
Entrada gratuita

No dia 26 de maio, feriado, irá acontecer a tradicional Feira Cultural LGBT, organizada pela APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho GLBT) em parceria com a Four X Entertainment e com o apoio do Governo do Estado de São Paulo. Em sua 16ª edição, com programação gratuita, ela acontece no Vale do Anhangabaú, das 10h às 22h. No dia, o público poderá assistir performances de artistas LGBT’s no palco do evento e conferir as opções de cultura, lazer e gastronomia, além de adquirir produtos.

Ao todo são 60 tendas – comerciais com produtos dos mais variados segmentos que vão de moda e decoração e outras de alimentação; além de oficinas culturais com dragqueens, aulas de samba, samba rock e dança afro, espaço para adoção de cães e gatos, artesanato equatoriano e peruano e um bate-papo com escritores especializados em literatura com temática LGBT. Também terão tendas especificas para divulgação dos trabalhos de Organizações Não Governamentais (ONGs) e demais entidades que apoiam a causa LGBT. Na praça de alimentação, a novidade é a parceria com a lanchonete Bob’s e a Pizzaria Patroni, que junto com outras tendas de comidinhas, ficarão responsáveis por toda a parte gastronômica do evento com combos exclusivos para ocasião. As marcas Skol e Kibon, também marcarão presença no evento, com produtos de seus portfólios.

A Feira Cultural LGBT integra o calendário do Mês do Orgulho LGBT de São Paulo e é o último evento antes da grande manifestação – Parada do Orgulho LGBT que traz o tema “LEI DE IDENTIDADE DE GÊNERO, JÁ! – Todas as pessoas juntas contra a Transfobia!”.

PROGRAMAÇÃO PALCO DA 16º FEIRA CULTURAL DA DIVERSIDADE LGBT 2016

10h00
APRESENTAÇÃO
ABERTURA DA FEIRA – VÍDEO INSTITUCIONAL
SET DJ RODRIGO MOTTA

11h00
DIVULGAÇÃO TEMA PARADA
APRESENTAÇÃO
*** ESQUADRÃO DAS DRAGS ***
CIRCO VIRAMUNDO
IRMAOS LYONS
FERNANDA NUNES
BEATRIZ UBER
AMANNDA COLLEN
CONCURSO DRAG PARADA
DIEGO STRUGLE
SET DJ RODRIGO MOTA + GOGO DRAG MIKAELLA PITT E GOGO TRANS VICTORIA VIPPER
CANTOR KDU CRAZY

14h00
DIVULGAÇÃO TEMA PARADA
APRESENTAÇÃO
*** LISA CRAZY/BELLA BALLONY ***
ALEX FURTADO + BALÉ
DIANA PEQUENO
ISLAINA DE FIORY E NATASHA NATHI
SET DJ JORDAN BENASSE + GOGO DRAG MIKAEELA PITT E GOGO TRANS VICTORIA VIPPER
CANTOR EROS

15h00
DIVULGAÇÃO TEMA PARADA
APRESENTAÇÃO
*** MICHELE SUMER / CICETE KEROLINE ***
STAR POP + BALE + CIRCO
CICETY KAROLINE E VICTORIA PRINCIPAL
BELLA BALLONY
SET DJ JORDAN BENASSE + GOGO DRAG MIKAEELA PITT E GOGO TRANS VICTORIA VIPPER
CANTORA RENATA PERON

16h00
DIVULGAÇÃO TEMA PARADA
APRESENTADORA
*** GRETHA STAR/KYLIE HICKMAN ***
CANTORA LUANA HANSEN
SAFIRA BENGELL
MISS BIA
CARLA ELLEN
ANTARA GOLD
MARCINHA CORINTO
MICHELE X
SET DJ JORDAN BENASSE + GOGO DRAG MIKAEELA PITT E GOGO TRANS VICTORIA VIPPER
SHOW DIVAS

17h30
DIVULGAÇÃO TEMA PARADA
APRESENTAÇÃO
*** LULLY FASHION/VICTORIA  PRINCIPAL ***
YURI MIXX
MARCELA NASCIMENTO
PENELOPE JOLLY  + BALÉ
LAILA KEN + BATERIA ESCOLA SAMBA
SET DJ JORDAN BENASSE + GOGO DRAG MIKAEELA PITT E GOGO TRANS VICTORIA VIPPER
CANTORA TAMARA RANGEL

18h30
DIVULGAÇÃO TEMA PARADA
APRESENTAÇÃO
*** TCHAKA RAINHA DAS FESTAS / ATHENA JOY ***
POPOVICK + BALÉ
LILICA
CARLA RANGEL
MERYLLIN DHYOR
LEILA MORENO + Balé
LISA BOMBOM
SET DJ FABIO LIMA GOGO DRAG MIKAEELA PITT E GOGO TRANS VICTORIA VIPPER
AS BAHIAS E A COZINHA MINEIRA

19h30
DIVULGAÇÃO TEMA PARADA
APRESENTAÇÃO
*** DIMMY KIER/VIVIANE BALBONI ***
ROOBIT MOON + Balé
SULIVAN REIS
DANNY COWLT
MARCIA PANTERA
SET DJ PAULO PRINGLES + GOGO DRAG MIKAEELA PITT E GOGO TRANS VICTORIA VIPPER
CANTOR LUCCA ELECTRO LIVE

20h30
DIVULGAÇÃO TEMA PARADA
APRESENTAÇÃO
LEONORA AQUILA / VALLENTTINE
CONVIDAR APOLGBT
CANTORA GLORIA GLOVER
SHOW ENCERRAMENTO
PAULETE PINK
LAYLA KEN
PENELOPE JEAN
RAFAELA
TALESSA TOP
MARIANA MERCURY
CANTORA ALEXA MARIE

21h30
ENCERRAMENTO

ESPAÇO DIVERSIDADE – OFICINAS CULTURAIS

10:00    KARAOKÊ KAKA ALEGRIA
12:00    AULA DE RITMOS
13:00    AULA DE SAMBA
14:00    WORKSHOP NA CAMA COM DINDRY BUCK DIVERSIDADE SEXUAL E SEXO SEGURO
15:00    WORKSHOP NASCE UMA DRAG QUEEN
16:00    AULA DE SAMBAROCK
17:00    Bate-Papo com Escritores especializados em Literatura LGBT

SERVIÇO:

16ª Feira Cultural LGBT

– Data: 26 de maio
– Horário: das 10h às 22h
– Local: Vale do Anhangabaú – ao lado do metrô Anhangabaú em São Paulo
– Realização: APOGLBT
– Produção: FourX em parceria com a Groupe 360º e OCP
– Apoio: Governo do Estado de São Paulo (palco, iluminação e som)
– Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/508776212647310


20ª Edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo

– Tema: “LEI DE IDENTIDADE DE GÊNERO, JÁ! – Todas as pessoas juntas contra a transfobia”
– Data: 29 de maio
– Horário: das 10h às 18h
– Concentração: Em frente ao Masp, na Avenida Paulista – São Paulo/SP
– Realização: APOGLBT
– Produção: FourX em parceria com a Groupe 360º e OCP
– Site da APOGLBT: http://www.paradasp.org.br
– Link do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/1118531188214099

Quando criei alguns projetos na Internet para levar informações sérias e respeitosas sobre a homossexualidade, comecei a receber um número significativo de e-mails de pessoas, pais, professores, psicólogos, amigos, entre outros profissionais, a respeito das questões que envolvem o tal “homossexualismo” (termo, inclusive, em desuso nos dias atuais por ter conotação de doença).

Como eu nunca consegui responder a tantos e-mails, resolvi pesquisar sobre a homossexualidade e escrever um livro sobre ela. Para meu espanto, em 2006, eu descobri que o “problema” da homossexualidade é algo muito maior do que imaginamos. Não é apenas um problema da homossexualidade, mas sim da sexualidade humana em geral. Sim. Temos um sério problema de educação sexual não só no Brasil mas em diversos países do mundo. Não sabemos nada sobre sexo. A família, em muitos casos, joga a responsabilidade para a escola e a escola, com menos condições, joga a responsabilidade para a família. E daí? A família, sem saber nada sobre ela, acaba passando tudo o que ela sabe aos demais: exatamente nada.

Então, se temos um problema de educação sexual e muitos assuntos sobre a sexualidade humana são obscuros, imagina então sobre a homossexualidade? Que sempre foi condenada pela religião e também, em determinado momento, pela ciência (justamente quando a ciência e religião caminhavam juntas). Alias, para terem ideia, até a masturbação, segundo a ciência, algumas décadas atrás era a causa da epilepsia, poderia ter perda de sangue e em alguns casos até levar a morte. Isso para termos ideia do quanto já fomos errados em diversos conceitos, inclusive cientificamente (e sim, isso esta em livros médicos respeitados de poucos séculos atrás).

Logo, neste cenário humano, se você for estudar a homossexualidade, verá que o preconceito é muito maior do que imaginamos. Felizmente, consegui colocar tudo isso em um livro de fácil acesso e leitura, chamado O ARMÁRIO e que já vendeu mais de 4 mil exemplares. O livro, dividido em duas partes, fala sobre a minha descoberta, focada apenas na minha “saída do armário” (afinal, minha vida não é diferente da de muitos) e a segunda, mais científica, faz um breve panorama histórico sobre a religião, ciência, família, psicologia e os processos psíquicos que são envolvidos nestas questões do preconceito, incluindo a homofobia internalizada (tão comum em homossexuais, até mesmo nos “assumidos”) e a questão muito pertinente do machismo.

E não para por ai. Como me formei em psicologia, e esse sempre foi o meu mal estar da formação, faço uma crítica feroz aos estudantes e formados de psicologia quando o tema é a homossexualidade. Infelizmente, nas faculdades de psico, não é dado a disciplina de sexualidade humana. Logo, o preconceito, a ignorância e a desinformação também paira por lá (eu mesmo não tive e sei que muitos não tiveram, não tem e nem terão!). O que é ruim, afinal, muitos homossexuais acabam parando em consultórios psicológicos com dúvidas relacionadas as suas questões sobre a orientação sexual e nem todos os profissionais estão preparados para melhor atendê-lo. Como também cito no O ARMÁRIO o profissional, com toda a sua formação, terá ferramentas capazes de atender muito bem um homossexual em seu consultório clínico, mas não compreenderá toda a vivência homossexual, seus conflitos e pode acontecer, como acontece, deste profissional pertencer a alguma religião que condena a homossexualidade e, sem perceber, também condená-la em seu paciente.

Sim. Novamente, como cito no meu livro, um professor de uma faculdade de psicologia em São Paulo, uma faculdade renomada inclusive, recentemente disse que o “homossexualismo” era uma doença para quase 80 alunos do quarto ano do curso de psicologia. Isso agora. Não falo de décadas atrás. Por outro lado, existem diversos profissionais sérios e capacitados para falar com propriedade quando o tema é psicologia e a homossexualidade. Conheço um psicanalista, por exemplo, que tem um trabalho acadêmico internacional dentro deste tema. E isso é realmente fantástico.

Logo, devemos ter muita atenção quando realizarmos estudo/pesquisas que envolvem estes dois temas: psicologia e a homossexualidade. Como a própria Internet, existe um mar de informações desencontradas e é justamente por isso que precisamos ter boas referências, bons livros, bons estudos e achar um bom caminho, onde a homossexualidade é vista como ela é de fato: apenas uma vertente saudável da sexualidade humana.

E que a psicologia, estudantes, formados, professores e profissionais da área, comecem a deixar seu preconceito de lado e estudar esta parte humana que, querendo ou não, faz parte do ser humano. Somos seres completos e, por isso, sexualizados.

Fabrício Viana*

*Fabrício Viana é jornalista, bacharel em psicologia com pós em marketing, autor de vários livros com temática LGBT, entre eles O Armário (sobre a homossexualidade), Ursos Perversos (contos), Orgias Literárias da Tribo (coletânea premiada duas vezes) e seu mais recente sucesso chamado Theus (romance gay). Seu site com suas redes sociais é www.fabricioviana.com

 

Entre gays e “não gays” encontramos diversos indivíduos considerados “neuróticos” ou com algum desequilíbrio emocional. Infelizmente isso é “quase” comum nesta sociedade nem tão boa como imaginamos.

Claro que a homossexualidade, em si, não é o fato dessa desordem, afinal, hoje sabemos que ela não é considerada doença pela comunidade médica e científica (a homossexualidade é apenas uma expressão natural da sexualidade humana, e apenas isso!). O que causa a neurose são os conflitos que o indivíduo possui entre seus desejos (ID) e o que a sociedade impõe (superego), que faz com que o mesmo (ego) se torne fragilizado.

Se a sociedade não fosse tão preconceituosa e os homossexuais não aprendessem desde pequeno que seus desejos são “errados” (isso gera inclusive uma homofobia internalizada neles), é muito provável que muitas neuroses deixariam de existir. Isto é, nem seriam criadas.

Entretanto, quanto maior o desejo e quanto mais reprimido ele for pela sociedade (ou mesmo pelos pais), mais forte se torna o ciclo “neurotizante”, ao ponto de, com o tempo, podendo apresentar reações psicossomáticas, psicomotoras (famosos “tiques nervosos”), de isolamento, confusões mentais e até psicoses (loucura). Entre outros sintomas de desequilíbrio mental, como um dos casos que cito no meu livro sobre a homossexualidade chamado O Armário:

Para termos uma ideia mais precisa do quanto complicado é viver uma vida dupla, de mentiras e com grande desperdício de energia psíquica, vamos a um caso bem interessante de um rapaz. Noivo e com uma vida bastante conturbada, ele começou a criar – para sua futura esposa, amigos e familiares – desculpas para sair à noite, conhecer rapazes e ter seus encontros puramente sexuais (afinal, é a única coisa que poderia fazer nestas suas breves saídas – saciar seus desejos). Porém, a frequência com que saía aumentava ao ponto dele precisar criar histórias e personagens para suas desculpas, para que ninguém desconfiasse da verdade. A mais utilizada era a de que ele estava indo para a casa de um colega de trabalho resolver pendências, colega que só existia em sua mente. Para que a desculpa não fosse sempre a mesma, ele inventou uma filha desse colega, e que sempre o ajudava levando-a para o hospital (pois ela fazia um longo tratamento, segundo ele). Quando essa história também se saturava, ele criava outro personagem, um outro amigo de trabalho, um outro parente deste colega, uma tia com que tinha perdido contato desde pequeno, mas que morava em outra cidade, e por aí foi. Em apenas dois anos, esse rapaz se encontrava em uma situação muito complicada. Ele criou tantos personagens e tantas histórias em sua mente, para dar as desculpas, que foi parar em um tratamento psicológico em estado grave (quase de psicose) com o objetivo de tentar separar quem de sua vida era real e quem era imaginário (criado por sua mente), pois ele não sabia mais ‘quem era quem’.(página 97 e 98, livro O Armário)

Logo, a matemática de uma vida dupla é simples: se você tem uma pilha e usar metade de sua energia para uma vida saudável e a outra metade com o objetivo de “esconder-se”, é diferente de usar a mesma pilha/energia 100% ao seu favor, isto é, “fora do armário” e sendo você verdadeiramente em qualquer lugar com todos os seus desejos e com uma vida afetiva e sexual plena e satisfatória. Algumas empresas já sabem disso, segue mais um trecho do meu livro:

Algumas empresas de recursos humanos já sabem, por exemplo, que um rapaz no trabalho que não é assumido gasta muito mais energia escondendo seus desejos e vida homossexual do que outro – também homossexual – que não precisa escondê-los. Optam por aquele que é assumido, afinal, ele produzirá muito mais que o outro.

Claro que chegar a este ponto não é algo inatingível, acredito que, se muitos conseguem, você e qualquer pessoa também pode conseguir. Tudo bem, sabemos que isso não acontece de um dia para outro. Tudo depende de você e do caminho “lento” ao objetivo final, mas se você não começar a batalhar por sua vida e por sua felicidade, quem irá? Lembre-se de que, a única pessoa que sabe o que é melhor para você é você mesmo. Se escolher “sair do armário“, ótimo, parabéns e ao mesmo tempo esteja preparado para as grandes dificuldades que irá encontrar. Se escolher continuar “no armário”, ótimo também. Mas você não acha que vai desperdiçar grande energia onde poderia investir?

Digo isso pois é comum homossexuais assumidos, quando chegam ao seu “último estágio de aceitação”, pararem e pensarem: “como é gostoso ser quem realmente eu sou, não ter que esconder minha orientação sexual para amigos, familiares, colegas de trabalho ou estudo”. Tiro isso por mim e por muitos amigos, de todas as idades, que vez ou outra, comentam sobre. Lembrando que, não basta apenas sair do armário, também precisa – e isso é muito importante – livrar-se completamente da homofobia internalizada, que muitos homossexuais, mesmo assumidos, carregam consigo. Falo também no meu livro. Lembrando que ele não é vendido em livrarias, apenas neste link (144 páginas) ou a versão digital no site da Amazon Brasil

Portanto, o que vale, realmente, é refletirmos sobre tudo isso. E divulgar essa matéria para o máximo de pessoas possíveis. Precisamos ter uma vida autêntica antes de tudo.

Abraços fraternos,

 

Fabrício Viana*

*Fabrício Viana é jornalista, bacharel em psicologia com pós em marketing, autor de vários livros com temática LGBT, entre eles O Armário (sobre a homossexualidade), Ursos Perversos (contos), Orgias Literárias da Tribo (coletânea premiada duas vezes) e seu mais recente sucesso chamado Theus (romance gay). Seu site com suas redes sociais é www.fabricioviana.com