sábado, junho 24, 2017
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Da Organização do Pride London à todos os militantes LGBTs para o dia 25

Uma tag muito utilizada em fotografias sem edições nas redes sociais, em especial no Instagram, recentemente ganhou um significado motivador à tod@s LGBTs. A campanha #NoFilter tem como objetivo inspirar quem está em momento de descoberta, quer ser feliz com a própria identidade e deseja amar sem medo.

O vídeo divulgado pela prideinlondon.org (acima) tem vários destaques como o ator mundialmente conhecido Sir Ian McKellen apresentando o novo significado ”A partir de agora #SemFiltro vai significar algo muito maior!” Diversas personalidades pedem à todos os LGBTs que compartilhem seus momentos como se todos os dias se fosse Pride in London.

            Leia o texto traduzido na íntegra:

“A partir de agora #SemFiltro vai significar algo muito maior.
Não é mais apenas uma hashtag, é uma filosofia.

É hora de parar de ser o que outra pessoa pensa que você deveria ser. 
É hora de parar de viver pelo código de vida do outro. 
De parar de tentar se enquadrar no modo de ser do outro. 
É hora de ser confiante! Apaixonado, criativo, honesto, verdadeiro e LIVRE.

É hora de dizer não quando duvidar de si mesmo. 
Não pra autocensura. 
Não para o sacrifício de si mesmo.

É hora de ser a pessoa que você é no espaço privado e no espaço público.

O mundo precisa de nós
Porque nós somos as pessoas que mudam as regras do jogo e empurram as barreiras. 
Nós desafiamos, 
Subvertemos, 
Esmagamos as norma, 
Libertamos!
Porque se nós não tivermos mudanças nas regras do jogo, como nós teremos progresso?

25 de junho é o dia da Parada do Orgulho LGBT em Londres. 
Compartilhe seus momentos #SemFiltro 
E viva todos os dias como se fosse o dia do Orgulho LGBT em Londres.

O amor não tem nenhum filtro.
A vida não tem nenhum filtro.
Família não tem nenhum filtro.
Identidade não tem nenhum filtro.
Autoestima não tem nenhum filtro.
Amizade não tem nenhum filtro.
Orgulho não tem nenhum filtro.”

O Pride in London é uma celebração que ocorre durante esse mês e culmina no dia 25, na mesma data acontecerá aqui no Brasil a Parada do Orgulho LGBT de Londrina/PR.

Vamos compartilhar e fortalecer as vozes de nossos irmãos de luta? Acesse
http://prideinlondon.org/campaigns/nofilter

Um grupo de taxistas em Nova Lima/MG gravou e publicou nas redes sociais um vídeo onde cantam uma paródia homofóbica contra um passageiro da Uber.

“Quem pega Uber é veado, quem pega Uber é veado, quem pega Uber é veado, e pode ter certeza que está dando o rabo”, diz a letra de música.

A lamentável atitude veio à tona por meio da matéria do jornal mineiro O Tempo.

“Conforme relatado pelo jornal O Tempo , o sindicato vê com muita cautela e com uma tristeza essa história, que é preocupante. Somos contrários à violência e descriminação. Isso é um fato isolado. Diante de tal fato, o sindicato que representa a categoria afirma que sempre vai pautar as reivindicações e os direitos da classe, dentro da democracia e respeito ao próximo. Diante do vídeo, peço desculpas à sociedade”, afirmou Ricardo Luiz Faedda, que é presidente do Sindicato Intermunicipal dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários, Taxistas e Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de Minas Gerais (Sincavir).

Já a Uber, por meio de nota direcionada a imprensa, também se posicionou sobre o caso:

“A Uber se orgulha de oferecer, com um toque de um botão, transporte acessível e confiável para todos, independente de raça, gênero, religião ou orientação sexual. Em pleno séc. XXI, consideramos inapropriado e inadmissível qualquer tipo de preconceito.”

Segundo Sérgio Riani, que é coordenador do Centro de Referência pelos Direitos Humanos e Cidadania LGBT, o vídeo não mostra claramente o rosto dos suspeitos. Mas todas as informações e denúncias, que levem as pessoas, devem ser feitas para que a homofobia seja punida.

A APOLGBT, por meio de sua Assessoria de Comunicação, reforça que todo ato discriminatório deve ser combatido sempre! Machismo e homofobia não devem ser tolerados em hipótese alguma.

Por Fabrício Viana

Drag Queen Tchaka, a “Rainha das Festas”, como ela mesma se vende (e muito bem, obrigado!), é uma mistura gostosa de arte com militância. Arte porque, para ser uma drag queen, tem que ter seus talentos artísticos (aprendidos ou inatos) e militante porque, ao contrário de outros artistas, é participante ativa da militância LGBT há anos. Conseguimos uma entrevista exclusiva com essa menina.

Vamos ler, comentar e compartilhar?

1) Qual seu nome e sua formação? Pode falar?
Meu nome é Valder Bastos Santos, sou formado em direito pela Universidade Brás Cubas e tenho o curso profissionalizante de ator na Escola de Teatro Macunaíma.

2) Quando a personagem Drag Queen Tchaka surgiu em sua vida? Há quanto tempo você trabalha com ela?
Em meados dos anos 2000 um grupo de amigos resolveu que no revellion desse mesmo ano alguém se ‘montaria’ de Drag Queen e eu fui o escolhido por ser ‘a mais pintosa’, espalhafatosa e engraçada. Então em 2016, faço 16 anos de carreira na arte de encantar através do lúdico e estou na marca de mais de 4 mil eventos, shows, palestras, feiras, congressos, participações em programa de TV, teatro e cinema por todo Brasil.

3) Porque o slongan “Tchaka, a rainha das festas”?
O título de “TchaKa, a rainha das festas” surgiu de um convite do jornalista Maurício Coutinho que, no ano de 2010, fez uma exposição “InformaSamba 2010” no Shopping Ligth e me coroou como a rainha das festas da cidade de São Paulo. Teve faixa e tudo. Adorei a brincadeira e comecei a usar positivamente ao meu favor.

4) Além de toda a alegria, simpatia e irreverência, a Tchaka é uma boa “marqueteira”. Você fez algum curso ou aprendeu tudo com a vida?
Adoro a arte de vender, fiz diversos cursos no Sebrae sobre empreendedorismo, mesmo na época da faculdade eu já vendia cestas de café da manhã para ajudar a pagar a mensalidade. Hoje faço workshop e apresentação de novas drag queens, como por exemplo, o projeto “Drag Contest” que é patrocinado pela Prefeitura de São Paulo. Acredito que todos profissionais, independente de sua área, deveriam fazer um curso de como vender suas habilidades profissionais. Digo sempre o seguinte: quanto deveria ganhar um advogado com 16 anos de carreira? É exatamente ou até mais o que devo ganhar na profissão de ator performático, temos que aprender que ser ator além de ‘vocação’ (que é questionável) também e fazer um planejamento estratégico de carreira.

5) Quais os trabalhos que a Tchaka realiza no dia a dia? Festas infantis? Eventos corporativos?
Hoje a Tchaka é multimídia: realizo diversos atividades, sou uma drag queen do dia (risos). Durante o dia fico no escritório da “Agência de Animação Tchaka Eventos”, somos 16 atores e atrizes como anões, DJs, recepcionistas, bartenders e drag queens: todas no estilo Tchaka de ser. Gravo o programa Okay Pessoal no SBT, estou em cartaz no teatro, também ministro “Palestra Motivacional Lúdica” para grandes empresas e faço as tradicionais festas sociais, como por exemplo aniversário surpresa, chá de cozinha, chá de bebê, chá de casa nova, chá-bar, festas de formatura, festa de casamento, bodas, festa de debutantes, etc

6) Diferente de alguns artistas, você se preocupa muito com a militância LGBT. Da onde vem este sentimento de querer fazer algo por um mundo melhor?
O sentimento que me motiva vem de minha mãe, que é uma mulher de 82 anos e que sempre lutou por dias melhores, envolvida com política na adolescência, lá na época da ditadura, ela lutava pelos direito da mulheres, etc. A faculdade de direito me deu base para falar corretamente, ser bom na oratória e entender o que sou e devo fazer nesse mundo. O envolvimento com as questões dos direitos dos LGBTTs vem dessa época, e do enfrentamento direto. Uso minha imagem, arte, força e voz para tentar por meio do lúdico despertar outras cabeças pensantes.

7) A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, o maior evento de visibilidade LGBT do mundo, é promovido pela APOGLBT há 20 anos. Você tem acompanhado esta evolução? Se sim, o que mudou na sociedade graças a Parada?
O trabalho desses 20 anos da APOGLBT é essencial para que hoje possamos ser o que somos, com a visibilidade e sensibilização da população. O respeito para os LGBTTs que até então é renegada, começou a ser vista, sentida e vivenciada de forma mais tranquila. A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo beneficia à todos os lgbtts do Brasil por ser politizada. Precisamos continuar na luta para que chegue um domingo, na Avenida Paulista, e realmente tenha só a festa de todas as vitórias que conquistamos anteriormente. Enquanto isso não acontece, precisamos ter consciência que #FervoTambemÉLuta

8) Há 3 anos, você apresenta, junto com outros artistas, a Parada do Orgulho LGBT na Avenida Paulista. Como é esta experiência?
Drag Queen Tchaka ser a apresentadora da parada LGBTT de São Paulo é um mix de dever social e responsabilidade em se comunicar com 3 milhões de cabeças pensantes, é me fazer ser a voz daqueles que o ano inteiro não tem.

9) Tem algum fato que te marcou, durante alguma Parada do Orgulho LGBT de São Paulo?
Vários momentos me marcaram durante esses anos. Sempre venho no chão (exceto esses 3 últimos anos que apresentei no primeiro trio) e um determinado ano, vendo os trios passarem, ouvi de longe o Hino Nacional Brasileiro cantado brilhantemente pela travesti e cantora Renata Peron. Foi muito emocionante. E esse ano, em especial, ver à frente do primeiro carro o grupo “Mães Pela Diversidade”.

10) Sabemos que famílias e crianças também participam da Parada. Como elas encaram a personagem Tchaka. Ou outros artistas?
A cada ano o número de famílias com crianças vem aumentando e isso é deliciosamente positivo para o movimento. Devemos grande parte desse processo às drag queens que nesses 20 anos transformaram à Avenida Paulista e a Avenida da Consolação num tapete arco-íris, com todas as suas cores, alegria, militância, excentricidade e exuberância. A figura da drag Queen no universo heteronormativo é visto como deve ser: de artistas. E dessa forma ajudam comunicando as mensagens políticas, durante à manifestação, para todas as pessoas.

11) Tchaka também pode ser vista no teatro? Tem alguma peça em cartaz neste momento?
Esse ano me permiti brincar, brilhar e entreter almas também nos palcos do Teatro Brigadeiro aos domingos com a comédia “As Vizinhas”. Compartilho o palco com os atores Carri Costa, Solange Teixeira, Thiago Cavalcante e Valder Bastos.

12) Para finalizar, o que você diria para todas as pessoas LGBTs que estão lendo, neste momento, esta entrevista?
Muitas pessoas, por ver a Tchaka correndo, trabalhando, realizada no casamento de 16 anos com maridão Chefe Carlito, feliz da vida, etc me veem como exemplo positivo. Sempre falo o seguinte: ter estudado me deu liberdade de fazer as escolhas certas, então LGBTTs de nosso gigante país, vamos estudar, ler muito e assim termos a consciência que temos que fazer nossa parte nessa transformação, afinal, o mundo que queremos só será possível se todos e todas formos respeitados e respeitadas pelo que somos.

13) Pode deixar seu site e contatos? Muito obrigado pela entrevista!
O site é www.tchaka.com.br. WhatsApp 11 991327750 e o instagram @TchaKaDragQueen

Ele é primeiro membro da família real capa de revista destinada ao público LGBT

A revista promoveu, dia 12 de maio, um encontro de jovens LGBTs com os porta-vozes da ação social Heads Together. Willian, o duque de Cambridge, com o irmão Harry e a mulher, Kate Middleton, convidou a revista Attitude, publicação LGBT mundialmente conhecida, para falar sobre a luta contra o bullying e a homofobia.

“Ninguém deveria sofrer ‘bullying’ pela sua sexualidade ou por qualquer outra razão. E ninguém deveria suportar o ódio que estas pessoas aguentaram ao longo das suas vidas.” (disse Príncipe Willian, durante o encontro)

A conversa aconteceu no palácio de Kensigton, a convite do próprio príncipe Willian.

“Os jovens gays, lésbicas e indivíduos trangêneros que encontrei através da Attitude são realmente corajosos por falar e dar esperança para aqueles que estão passando por terríveis maus-tratos atualmente”, completou ele.

Não é a primeira vez que a família real tem ações contra a homofobia, o príncipe Harry quando fez parte do exército, por exemplo, defendeu seu colega, o soldado James Wharton (fato foi relatado em sua biografia), aonde foi produzido um artigo em homenagem a ele.

Leia o trecho da homenagem a seguir:

Ele se juntou a nós, ele mergulhou em nossa comunidade, ele aprendeu conosco, e nos ensinou também. Ele nos guiou e agora sempre irá defender a gente. […] Ele será um campeão do exército pelo resto de sua vida”.

Segundo um relatório da revista Attitude, em 2015,  jovens gays, lésbicas ou bissexuais e 48% dos indivíduos transgêneros tentaram suicídio pelo menos uma vez, em comparação com 18% dos jovens heterossexuais no mesmo ano.

Matthew Todd, editor da revista, disse que estava muito feliz pelo envolvimento do futuro rei da Grã-Bretanha com as causas LGBTs e com o fim do bullying. Segundo o porta-voz do Palácio de Kensignton, o príncipe esta realmente decidido a lutar com todas as suas forças. Como exemplo, está encabeçando a campanha Heads Together, sobre a promoção do bem estar e da saúde mental.

Para conhecer a Attitude Maganize, visite: http://attitude.co.uk

Para saber mais sobre o projeto Heads Together: https://www.headstogether.org.uk

E você? Já sofreu bullying? Conta pra gente. Utilize os comentários abaixo. Caso não queria se expor, pode usar apelido. Apenas registre seu e-mail verdadeiro.

Em entrevista coletiva, Ellen DeGeneres e equipe do filme contaram as novidades

A dubladora da protagonista e simpática Dory, Ellen DeGeneneres, disse que terá personagem trans no filme.

“Há uma arraia que se tornará ‘Sting-Rhonda’, então há uma arraia trans no filme”, disse. (“Sting”, em inglês, corresponde a “arraia”.)

Durante a entrevista coletiva, realizada dia 9, a equipe do filme ”Procurando Dory” enfatizou a importância do respeito à diversidade independente da sexualidade e responderam sobre a presença do primeiro casal lésbico em um filme da Disney/Pixar:

“Não sabemos se elas são. Não perguntamos para elas, assim como não perguntamos para as pessoas sobre sua sexualidade.”, disse Lindsey Collins, produtora do filme. Porém, na cena, mostra as duas juntas e com uma criança.

A ideia de inclusão da diversidade humana no “Procurando Dory” é tão bacana que Dory terá amigos como um tubarão-baleia míope, uma baleia-branca que tem problemas com seu sonar e o Hank, o polvo que possui sete tentáculos.

“Adoramos o fato de esses personagens terem suas pequenas deficiências. No fim das contas, isso ajuda na identificação com o público, porque eles são como todos nós. Todos temos falhas e defeitos. Essa é uma mensagem importante”, completou Lindsey.

O filme estará em cartaz nos cinemas brasileiros dia 30 de junho.

No mesmo final de semana que ocorreu o massacre em Orlando, na boate LGBT Pulse, dois professores da rede estadual de ensino da cidade de Santa Luz (cerca de 260km de Salvador, Bahia) foram encontrados mortos por homofobia. Edinaldo Silva de Oliveira e Jeovan Bandeira tiveram seus corpos carbonizados dentro do porta-malas do carro de Edivaldo, às margens da rodovia BA-120.

João Farias, delegado que apura o caso, disse à BBC Brasil que a homofobia é mesmo uma das possíveis motivações do crime. Segundo Farias, os professores eram muito queridos na cidade e como nada de valor foi levado na casa de Edivaldo, após o crime, mesmo tendo sido revirada, nenhuma hipótese será descartada.

Segundo o jornalista Uoston Pereira, do site local Notícias de Santa Luz, centenas de moradores saíram as ruas no início da semana em protesto por justiça. Militantes independentes, nas redes sociais, criticam a atenção da mídia para o caso do massacre de Orlando, esquecendo-se que no Brasil temos diariamente muitas vítimas de homofobia.

Para o presidente da ONG APOGLBT SP (ONG responsável pela maior parada LGBT do mundo), Fernando Quaresma:

“Os casos de homofobia no Brasil e no mundo são recorrentes. Acontecem todos os dias e a toda hora. Não privilegiamos casos aqui e nem lá fora. Todos os casos são perdas de seres humanos vítimas do preconceito e ódio. Precisamos sim, de mais educação, mais tolerância, respeito e principalmente de leis que punam os requintes de crueldade nos crimes contra LGBTs”

A primeira ação para a Campanha #VoteLGBT de 2016 foi realizar uma pesquisa sobre o perfil político das pessoas que frequentaram a Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais e a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.

Nos dias 28 e 29 de maio, cerca de 60 voluntárias e voluntários realizaram entrevistas com 1.122 pessoas, perguntando sobre suas opiniões com relação ao movimento LGBT, às eleições municipais e à conjuntura política nacional. A elaboração dos questionários e a interpretação dos resultados contou com a colaboração de pesquisadores da USP, Unifesp e Cebrap. A seguir, apresentamos uma síntese dos principais resultados dessa pesquisa.

Atos LGBT são atos políticos

Há uma discussão muito grande sobre se as Paradas LGBT são manifestações políticas ou se são apenas festas, carnavais fora de época. Essa discussão passa, inclusive, pela problematização do conceito de política: ele deve ou não incluir a diversão? No caso da população LGBT, que muitas vezes precisa se restringir aos guetos e à noite para não ser vítima de agressão, o simples fato de se expor à luz do dia numa grande via pública não seria um ato político?

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A Pesquisa #VoteLGBT mostra que, mesmo sem essa problematização, a Parada de São Paulo se alinha ao conceito mais tradicional de manifestação política. Das pessoas entrevistadas, 47,8% disseram ter ido à avenida Paulista por motivações políticas. A importância da visibilidade, a afirmação identitária, a luta por novos direitos, a defesa dos já conquistados e até mesmo o protesto em relação à conjuntura política nacional foram alguns dos motivos mais frequentemente mencionados para a ida à Parada. Para 37,4% dos entrevistados, a diversão era o motivo de ir ao evento.

A Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais, por sua vez, manifesta ainda mais claramente sua motivação política por parte de 83,9% das participantes, em contraposição a apenas 7,1% que disseram ter ido para se divertir. A maior politização da Caminhada com relação à Parada foi inclusive um dos motivos mencionados pelas entrevistadas para ter comparecido ao evento.

Concordância com reivindicações do movimento LGBT

Listamos seis das principais reivindicações do movimento LGBT e perguntamos qual era o grau de concordância dos entrevistados com relação a elas. Todas receberam alto grau de aceitação, pelo menos acima de 70%.

Considerando a margem de erro das pesquisas, podemos dizer que o casamento igualitário, o direito de LGBTs adotarem filhos e o direito de travestis e transexuais adequarem seus documentos a sua identidade de gênero tiveram a mesma aceitação total na Caminhada (por volta de 96%) e na Parada (por volta de 92%).

A bolsa de estudos para travestis e transexuais em situação de pobreza, por sua vez, contou com 75,4% de aprovação na Parada. Em todos os outros casos, a concordância total fica acima de 80% e, na Caminhada, nenhuma reivindicação tem mais de 3% de discordância.

LGBTs não se sentem representados pelos políticos

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Apenas 2,7% da Parada e 0,7% da Caminhada concordam totalmente que os políticos representam a população LGBT.

Essa desconfiança se reflete na avaliação de políticos específicos. Jair Bolsonaro (PSC-RJ), deputado abertamente LGBT-fóbico, é o mais mal avaliado, com a reprovação de 96,8% das entrevistadas da Caminhada e 84,1% da Parada. Ele é seguido por José Serra (PSDB-SP): 71% da Parada e 91,2% da Caminhada não confiam no compromisso do senador com a população LGBT.

Histórica aliada do movimento LGBT, a senadora Marta Suplicy teve expressiva rejeição, entre 41,5% dos entrevistados da Parada e 61,6% da Caminhada.

O político com maior grau de confiança é o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ), único congressista assumidamente LGBT e autor do projeto de lei que regulariza o casamento igualitário: 52,3% da Caminhada e 43,3% da Parada declararam confiar muito em Wyllys.

Rejeição a Michel Temer, apoio a Dilma Rousseff e posicionamento sobre novas eleições

A rejeição a Michel Temer na presidência da República foi explícita nas duas manifestações: apenas 7% da Parada e 0,7% da Caminhada desejam que o vice se mantenha à frente do governo federal. A percepção de que o governo Temer não é favorável a LGBTs é ampla: 56,5% da Parada e 87,3% da Caminhada concordam totalmente que Temer representa um retrocesso nos direitos LGBTs.

Na Parada, 53,7% são a favor de novas eleições e 32,2% querem Dilma Rousseff na presidência. Na Caminhada, os números se invertem: 57,9% são a favor de Dilma e 36,3% querem novas eleições presidenciais. O apoio a Dilma é ainda mais explícito na Caminhada, se considerarmos que 61,3% das entrevistadas foram a alguma manifestação contrária ao impeachment da presidenta (na Parada, esse número é de 29%).

Ainda assim, a avaliação das políticas LGBTs do governo da presidenta Dilma é baixa. 47,5% da Parada e 54,3% da Caminhada declararam-se insatisfeitos.

 

Relatório Completo

Os resultados finais da pesquisa estão disponíveis nos seguintes links:
http://votelgbt.com/pesquisa/Caminhada2016
http://votelgbt.com/pesquisa/Parada2016

Para saber mais sobre a VoteLGBT, visite:
https://www.facebook.com/votelgbt

Caio Tomaz da Rocha e seu namorado foram agredidos neste sábado, 11, no Centro de Tradições Nordestinas em São Paulo, depois do show da Ivete Sangalo. Segundo entrevista dada ao portal G1, Caio diz que:

“Nós estávamos parados na frente do banheiro, esperando as duas pessoas que estavam com a gente e chegou dois frequentadores dizendo que a blusa que estava na minha mão era deles. Eles viram que a gente estava discutindo por causa da blusa, que o rapaz chegou e falou para a gente que a minha jaqueta era deles, e aí eles já me pegaram, dois seguranças, me pegaram pelo braço, começaram a me enforcar… a única oportunidade que eu tive para falar pra eles, que eu lembro, que foi: ‘Vocês estão me matando… tô ficando sem ar’”

Na mesma matéria, ele disse:

“Aí ele pegava e falava que eu tinha que morrer mesmo, que… gay e ladrão tinha que morrer. E nisso que me pegaram pelo pescoço, me jogaram no chão, começaram a me chutar… vinham muitos seguranças e me chutavam muito.”

E ainda continuou:

“Eles me pegavam e batiam minha cabeça no chão, porque eles queriam que eu ficasse desacordado e não deixaram eu pedir socorro. Eles falavam o tempo todo para mim que gay e ladrão tinha que morrer, que ali não era lugar para gay, era lugar para cabra macho. E teve um momento em que um dos seguranças falou pra uma das meninas que estavam com a gente, que se não tirasse a gente dali, eles iam apagar a gente. Eles falaram que se a gente continuasse ali, eles iam levar a gente de quebrada, iam meter tiro.”

A Secretaria de Segurança Pública, por meio de nota divulgada à imprensa, informou que a Corregedoria da PM instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta dos policiais militares citados pelo casal. Já o CTN afirmou, também em nota, que não foi acionado pelas vítimas. E se as denúncias forem comprovadas, irá punir os responsáveis, pois ela não compactua e combate qualquer tipo de discrimianção por gênero, raça ou orientação sexual.

A mostra de Paulo von Poser e Marcio Zamboni aborda vários temas celebrando a diversidade sexual

Por Tâmara Smith

A exposição foi inaugurada dia 17 de maio, Dia Internacional Contra a Homofobia, Transfobia e Lesbofobia, no Museu da Diversidade Sexual com iniciativa da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, celebrando o reconhecimento da diversidade sexual e de gênero como parte dos Direitos Humanos e as lutas por igualdade ao redor do mundo.

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Os idealizadores, Paulo von Poser e Marcio Zamboni compartilham nesta exposição as nossas lutas, inspirações, sofrimento, segredos e corpos em obras híbridas por meio de instalações interativas onde os visitantes compartilham seus sonhos, sentimentos e realizações.

A Associação da Parada do Orgulho LGBT,  a organizadora da maior Parada do Orgulho LGBT do mundo, também está presente no acervo destas memórias. Algumas obras presentes como a “Rosa da Diversidade”, o ”Altar de Inspirações” e ”Acervos da Diversidade” são, de fato, brilhantes!

Quer conhecer esse incrível trabalho? Visite o primeiro Museu da Diversidade Sexual da América Latina, e terceiro do mundo com temática LGBT. Fica no mezanino do Metrô República, em São Paulo. Entrada franca.

Serviço:

Exposição: “Sonhar o Mundo”
Paulo von Poser e Marcio Zamboni
Onde? No Museu da Diversidade Sexual
Estação República do Metrô – Piso Mezanino, loja 518
Quando? De 17 de maio até 27 de agosto de 2016
Horários: De terça a domingo, das 10h às 18h – Entrada Gratuita
Realização: Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo
Execução: Museu da Diversidade Sexual e APAA

Por Fabrício Viana.

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Iran Giusti. Foto: Arquivo Pessoal

Muita gente critica a Parada do Orgulho LGBT, independente do lugar e da ONG que a administra. A principal reclamação? Que falta política. Falta protesto. Que tudo virou um grande “carnaval” a céu aberto. Claro que em um evento social deste porte, alegria e militância tem que caminhar juntos sempre. E que até a alegria gerada pelas pessoas que se fantasiam e vão apenas para se divertir, sem medo de serem o que são, também é um ato político. Agora, se falta mais política, mais atos políticos, não adianta só criticar. Como diz o artigo (um dos mais lidos em nosso portal) “Antes de criticar a Parada, leia este texto”, a responsabilidade de uma manifestação mais politizada tem que ser de tod@s. Não só dos organizadores. E é justamente isso que Iran Giusti fez, no dia 29 de Maio, na Avenida Paulista, durante a 20ª Parada do Orgulho LGBT.

E o que o jovem Iran fez? Ele comprou cartolina, escreveu frases de protesto e militância e começou a distribuir gratuitamente para todas as pessoas que se interessavam não só em participar da Parada, mas também fazer a diferença. Lindo isso, não? Tanto que fizemos questão de entrevistá-lo em nosso portal e pedimos que todos compartilhem, o máximo que puderem, esta entrevista. Que a atitude dele sirva de exemplo para tod@s. Sempre!

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Iran Giusti criando e distribuindo gratuitamente cartazes de militância durante a 20ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo

Vamos à entrevista?

1) Qual seu nome e formação?
Iran: Iran Giusti, sou formado em Relações Públicas e jornalista de profissão.

2) Na 20ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, você estava distribuindo gratuitamente cartazes de militância LGBT, de quem foi esta ideia?
Iran:
Minha mesmo 🙂

3) Você teve apoio ou financiamento, para produzir estes cartazes, de alguma empresa ou ONG?
Iran: Não tive não, foi tudo do meu bolso mesmo.

4) Amigos ou parentes te ajudaram nesta empreitada?
Iran: No dia alguns amigos foram à Parada e ajudaram na distribuição. Foi bem lindo.

5) Entre as frases dos cartazes, poderia citar algumas pra gente?
Iran: Eu optei por misturar bastante, inserindo frases divertidas com mais políticas: “Vote LGBT“, “Nome Social é Direito“, “Aprovação Lei João Nery já“, “Aprovação Lei 7852 já” e “Meu cu é laico“, “Vamos ser viado pra sempre” (frase do personagem “bicha bichérrima” do Paulo Gustavo), “Cada dia mais bicha, um level a mais, igual um pokemom” (Do documentário Bichas), “Hétero só serve pra fazer mais bicha” (meme popular na internet). Entre outros.

6) Quantos cartazes você produziu e foram distribuídos durante a Parada neste ano? Tem ideia aproximada?
Iran: Foram aproximadamente 120 cartazes. 80 produzidos por mim e o restante por quem passava e escolhia fazer o seu.

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7) Além de você, teve outras pessoas com a mesma atitude? Ou com algum trabalho de militância deste tipo?
Iran:  Acho que com esse propósito não teve ninguém não, mas como fiquei em um único ponto da Paulista não consigo te precisar.

8) Há quanto tempo você participa da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo? Percebeu alguma mudança na sociedade ao longo dos anos, graças a visibilidade da Parada?
Iran:  Essa foi a minha décima edição. Eu sinto que a Parada está cada vez mais organizada, porém, o evento é na verdade formado de pessoas e são elas que devem fazer o que acham certo. Sinto que ela tem sido mais política e isso é muito importante, em especial em um país onde a política é tão contrária aos direitos LGBT.

9) Muitos criticam a Parada como um enorme carnaval. Dizem que precisa de mais militância e empoderamento, mas não fazem nada para mudar isso. Você fez. Acha que as pessoas deveriam reclamar menos e também colocar a mão na massa? Concorda que a militância tem que ser de todos e não só da ONG APOGLBT, responsável pela Parada do Orgulho LGBT de São Paulo?
Iran:  Eu amo o fato da Parada ser um enorme carnaval, isso é Brasil. A gente tem como característica essa alegria, esse animo, esse amor e é muito importante a gente lembrar que se divertir, beber, beijar na boca é sim um ato político e de resistência, principalmente em uma sociedade homofóbica quanto a nossa. Vale lembrar também que uma coisa não exclue a outra.

10) Para os próximos anos, você pretende fazer a mesma coisa? Tem outras ideias ou projetos para a Parada?
Iran:  Ano que vem vão ser 500 cartazes e por enquanto é só isso, porém, participo de vários projetos e faço matérias de temática LGBT, então, quem sabe não surge uma nova ideia?

11) Para finalizar, gostaria de deixar um recado para todos os leitores e amigos do nosso portal?
Iran:  Queria repetir uma coisa que faço constantemente: se um dia eu for agredido, espancado ou morto por homofobia eu não quero absolutamente ninguém usando camiseta com a minha cara se manifestando ou rezando. Pra mim, a luta é agora, enquanto eu tô vivo.

Iran, obrigado pela entrevista e, novamente, parabéns por sua criatividade, militância e atitude. Que ela realmente sirva de exemplo para muitas pessoas!