quarta-feira, agosto 23, 2017
Segmento G
Segmento - Gays

Por Fabrício Viana.

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Iran Giusti. Foto: Arquivo Pessoal

Muita gente critica a Parada do Orgulho LGBT, independente do lugar e da ONG que a administra. A principal reclamação? Que falta política. Falta protesto. Que tudo virou um grande “carnaval” a céu aberto. Claro que em um evento social deste porte, alegria e militância tem que caminhar juntos sempre. E que até a alegria gerada pelas pessoas que se fantasiam e vão apenas para se divertir, sem medo de serem o que são, também é um ato político. Agora, se falta mais política, mais atos políticos, não adianta só criticar. Como diz o artigo (um dos mais lidos em nosso portal) “Antes de criticar a Parada, leia este texto”, a responsabilidade de uma manifestação mais politizada tem que ser de tod@s. Não só dos organizadores. E é justamente isso que Iran Giusti fez, no dia 29 de Maio, na Avenida Paulista, durante a 20ª Parada do Orgulho LGBT.

E o que o jovem Iran fez? Ele comprou cartolina, escreveu frases de protesto e militância e começou a distribuir gratuitamente para todas as pessoas que se interessavam não só em participar da Parada, mas também fazer a diferença. Lindo isso, não? Tanto que fizemos questão de entrevistá-lo em nosso portal e pedimos que todos compartilhem, o máximo que puderem, esta entrevista. Que a atitude dele sirva de exemplo para tod@s. Sempre!

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Iran Giusti criando e distribuindo gratuitamente cartazes de militância durante a 20ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo

Vamos à entrevista?

1) Qual seu nome e formação?
Iran: Iran Giusti, sou formado em Relações Públicas e jornalista de profissão.

2) Na 20ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, você estava distribuindo gratuitamente cartazes de militância LGBT, de quem foi esta ideia?
Iran:
Minha mesmo 🙂

3) Você teve apoio ou financiamento, para produzir estes cartazes, de alguma empresa ou ONG?
Iran: Não tive não, foi tudo do meu bolso mesmo.

4) Amigos ou parentes te ajudaram nesta empreitada?
Iran: No dia alguns amigos foram à Parada e ajudaram na distribuição. Foi bem lindo.

5) Entre as frases dos cartazes, poderia citar algumas pra gente?
Iran: Eu optei por misturar bastante, inserindo frases divertidas com mais políticas: “Vote LGBT“, “Nome Social é Direito“, “Aprovação Lei João Nery já“, “Aprovação Lei 7852 já” e “Meu cu é laico“, “Vamos ser viado pra sempre” (frase do personagem “bicha bichérrima” do Paulo Gustavo), “Cada dia mais bicha, um level a mais, igual um pokemom” (Do documentário Bichas), “Hétero só serve pra fazer mais bicha” (meme popular na internet). Entre outros.

6) Quantos cartazes você produziu e foram distribuídos durante a Parada neste ano? Tem ideia aproximada?
Iran: Foram aproximadamente 120 cartazes. 80 produzidos por mim e o restante por quem passava e escolhia fazer o seu.

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7) Além de você, teve outras pessoas com a mesma atitude? Ou com algum trabalho de militância deste tipo?
Iran:  Acho que com esse propósito não teve ninguém não, mas como fiquei em um único ponto da Paulista não consigo te precisar.

8) Há quanto tempo você participa da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo? Percebeu alguma mudança na sociedade ao longo dos anos, graças a visibilidade da Parada?
Iran:  Essa foi a minha décima edição. Eu sinto que a Parada está cada vez mais organizada, porém, o evento é na verdade formado de pessoas e são elas que devem fazer o que acham certo. Sinto que ela tem sido mais política e isso é muito importante, em especial em um país onde a política é tão contrária aos direitos LGBT.

9) Muitos criticam a Parada como um enorme carnaval. Dizem que precisa de mais militância e empoderamento, mas não fazem nada para mudar isso. Você fez. Acha que as pessoas deveriam reclamar menos e também colocar a mão na massa? Concorda que a militância tem que ser de todos e não só da ONG APOGLBT, responsável pela Parada do Orgulho LGBT de São Paulo?
Iran:  Eu amo o fato da Parada ser um enorme carnaval, isso é Brasil. A gente tem como característica essa alegria, esse animo, esse amor e é muito importante a gente lembrar que se divertir, beber, beijar na boca é sim um ato político e de resistência, principalmente em uma sociedade homofóbica quanto a nossa. Vale lembrar também que uma coisa não exclue a outra.

10) Para os próximos anos, você pretende fazer a mesma coisa? Tem outras ideias ou projetos para a Parada?
Iran:  Ano que vem vão ser 500 cartazes e por enquanto é só isso, porém, participo de vários projetos e faço matérias de temática LGBT, então, quem sabe não surge uma nova ideia?

11) Para finalizar, gostaria de deixar um recado para todos os leitores e amigos do nosso portal?
Iran:  Queria repetir uma coisa que faço constantemente: se um dia eu for agredido, espancado ou morto por homofobia eu não quero absolutamente ninguém usando camiseta com a minha cara se manifestando ou rezando. Pra mim, a luta é agora, enquanto eu tô vivo.

Iran, obrigado pela entrevista e, novamente, parabéns por sua criatividade, militância e atitude. Que ela realmente sirva de exemplo para muitas pessoas!

A Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo vem manifestar às famílias, amigos e companheiros das vítimas do atentado na boate Pulse, em Orlando, Flórida, nosso mais profundo pesar pela tragédia que resultou na morte de tantos LGBT nesta madrugada de domingo, 12/06.

É inconcebível e inaceitável a perda sofrida. A morte é um fenômeno natural, mas por terrorismo e LGBTFobia, não.

Neste momento, alguns integrantes da APOLGBT, junto com outros movimentos de direitos humanos LGBT, estão em vigília no vão do MASP, em São Paulo.

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Aos sobreviventes e aos familiares dos atingidos, nossos votos de solidariedade.

Fernando Quaresma
Presidente da APOGLBT

Em 2016, o livro sobre a homossexualidade, que aborda os processos psíquicos sobre a “entrada e a saída do armário“, do jornalista, escritor e bacharel em psicologia Fabrício Viana, completa 10 anos de existência.

Publicado de forma independente em 2006, Viana enfatiza que escreveu o livro com uma linguagem simples, abordando os principais tópicos do tema como a história da homossexualidade, origem do preconceito científico e religioso, dinâmica psicológica do machismo e até mesmo a homofobia internalizada, presente em diversos homossexuais e que deve ser eliminado.

“Existem muitos livros bons no Brasil sobre a homossexualidade. Eu senti falta de um livro simples, didático, orientado não só aos homossexuais que estão dentro do armário mas também para professores, pais, psicólogos e outros profissionais que gostariam de entender mais sobre o tema. Felizmente consegui. O livro é um sucesso e hoje tornou-se um dos mais conhecidos e respeitados sobre o tema”, enfatiza Viana.

livro-homossexualidadeJá na sua quarta edição, e com mais de 4 mil exemplares vendidos ao longo destes anos, o livro faz parte do catálogo da Editora Orgástica, uma micro editora brasileira focada em diversidade sexual e “literatura LGBT”.

“Eu escrevi o livro O Armário por necessidade. Sempre soube que o assunto era muito pouco discutido de forma aberta e com uma linguagem mais acessível. Hoje, após 10 anos, mesmo a mídia falando mais a respeito, o preconceito e a desinformação continuam grandes. Meu livro serve para todos, até mesmo para quem é assumido, pois trata de assuntos importantes como a homofobia internalizada, que mesmo quem é assumido precisa eliminar.”, continua o autor.

Além do livro O Armário, Fabrício Viana gostou tanto da ideia de escrever que publicou mais livros com temática LGBT, como o “Ursos Perversos” (contos eróticos gays), “Orgias Literárias da Tribo” (uma premiada coletânea de contos, poesias e crônicas não eróticas do universo LGBT) e seu recente sucesso chamado “Theus. Do fogo à busca de si mesmo” (romance com temática gay que também vai para a quarta edição).

“Quando escrevi O Armário, muitos leitores pediram para continuar escrevendo. Como gosto de literatura erótica, lancei o Ursos Perversos. Depois organizei a coletânea Orgias Literárias da Tribo com 10 autores fantásticos. Meu ultimo trabalho é o romance Theus que, pela primeira vez, me assusta! Quase todos os leitores, ao terminar de ler o Theus, me escrevem chorando dizendo que ficaram profundamente abalados. E me agradecem por isso. É incrível”, finaliza Viana.

Tanto o livro O Armário quanto seus outros livros não são vendidos em livrarias. Apenas on-line pelo site da Bons Livros Editora Digital, no endereço http://bonslivroseditoradigital.com.br ou a versão digital (e-book) na Amazon Brasil.

Para contato direto do autor, ele tem o website http://fabricioviana.com. Lá, o leitor também encontra todas suas redes sociais, como Facebook, Twitter, Instagram, Wattpad, Google+, Youtube e SnapChat.

Serviço:

Livro O Armário. Sobre a homossexualidade.
144 páginas. Formato 14x21cm.
4ª edição pela Bons Livros Editora Digital.
http://bonslivroseditoradigital.com.br

Fonte: Revista Exame

Miguel Martins, de 29 anos, é o primeiro soldado homossexual brasileiro a receber autorização para se casar usando a farda de gala da Brigada Militar. A união com o modelo Diego Souza, de 21 anos, é bem vista pela corporação.

Segundo o tenente-coronel Roberto Ortiz Pereira, comandante do batalhão, não há nenhum impedimento para a realização da cerimônia. O uso da farda é uma prerrogativa da função exercida pelo soldado, portanto, não faz sentido negar esse direito.

Martins trabalha no 1º Batalhão de Patrulhamento de Áreas de Fronteira, em Uruguaiana, na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina e o Uruguai. Ele conta que assumiu a homossexualidade para seus familiares e amigos quando tinha 20 anos e que até então nunca sofreu preconceito por isso.

“Nunca fui desrespeitado ou alvo de piados por ser um PM homossexual. Já efetuei diversas prisões e sequer os criminosos fizeram deboche.”

Fonte: Razões Para Acreditar

Jozi Cats, primeiro time de rugby assumidamente gay na África do Sul, lançou uma campanha contra a homofobia utilizando-se expressões, gírias e estereótipos comuns direcionados à comunidade gay.

Segundo o presidente do time, Teveshan Kuni, a ideia da campanha é não somente atrair novos jogadores mas também criar um ambiente favorável para que outros atletas pudessem assumir sua própria orientação sexual.

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Em uma das imagens da campanha, “Pillow Bitter” que, traduzindo para nossa cultura, ficaria algo parecido como “Morde Fronhas”, muito utilizado em brincadeiras preconceituosas para caracterizar homossexuais, Kuni ressalta a importância desta ação:

“O que estamos fazendo é tornar as pessoas conscientes do que elas dizem, e como isso pode afetar a comunidade. Um dos nossos jogadores sequer havia se assumido gay para seus amigos e sua família, então, para ele foi como um rito de “sair do armário”

Para Fabrício Viana, autor do livro sobre a homossexualidade “O Armário” e que neste ano completa 10 anos de existência, “Campanhas como esta são importantes para mostrar outras pessoas que assumir-se gay, bi ou lésbica não é o fim do mundo, seja no esporte ou fora dele; e pode ser bem mais libertador do que imaginamos. Uma vida sem mentiras, plena e satisfatória é o que precisamos. Por isso campanhas como esta devem ser compartilhadas sempre!”.

A campanha do time Jozi Catz pode ser vista no seu Facebook, perfil https://www.facebook.com/jozicats

O site Tem Local? É uma plataforma que recebe denúncias de militantes e coletivos

Uma iniciativa motivada por uma necessidade de muitos LGBTs: uma plataforma para denunciar e mapear regiões com casos de ofensas, ameaças, agressões verbais e físicas contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, mulheres transexuais, homens trans, pansexuais, pessoas não-binárias e/ou intersex.

Desta forma, os usuários do site podem denunciar ações que testemunharam ou foram vítimas, por meio de um simples registro ou ainda, de forma anônima, com o objetivo de mapear a homofobia e transfobia, prezando pela segurança de tod@s.

O site, criado por Thiago Bassi, Antonio Kvalo e Marcus Lemos, está localizado no endereço www.temlocal.com.br e tem uma atenção especial de seus administradores que, no futuro, pretendem colar adesivos nos locais com os dizeres “Aqui tem LGBTFobia”.

Mas, claro, a plataforma Tem Local? apenas marca as denúncias e assim, gera uma estatística acessível a todas as pessoas. Porém, é importante também denunciar aos órgãos de segurança pública e políticas LGBT, ou ainda, pelo Disque Direitos Humanos (Disque 100), qualquer ação discriminatória que presenciar ou seja vítima.

Afinal, a segurança pública e o respeito é dever e direito de todos os cidadãos. Porém, todos nós nos sentimos orgulhosos de ver projetos como este “pipocando” digitalmente. Prova de que, juntos, somos realmente mais fortes.

Por Tâmara Smith*

* Tâmara Smith tem 27 anos, é lésbica, estudante de Comunicação Social/Jornalismo, militante LGBT e assessora de imprensa da APOGLBT. Seu twitter é http://twitter.com/aboiola

Entrevista com Willian S. Martins, um dos organizadores do GT de Juventude LGBT

1) Willian, o que é o GT da Juventude LGBT?
Willian:
O GT (Grupo de Trabalho) da juventude é um núcleo organizado por jovens e afins, em cooperação com a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT SP), que visa promover o incentivo de jovens para a militância política e ideológica do segmento LGBT.

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Willian S. Martins

2) Quando que o GT da Juventude foi criado?
Willian:
GT da Juventude LGBT foi criado no meio do ano de 2015. Entretanto, podemos considerar que o GT da Juventude foi reativado, tendo em vista que a Secretaria de Jovens da Associação deu início em 2001, onde, desde essa época, alguns jovens veem colaborando e abraçando a causa da APOGLBT-SP.

3) Qual seu principal objetivo?
Willian:
Promover ações e incentivar o interesse de jovens na militância LGBT, empoderando e trazendo-os para a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Jovens possuem energia, garra e muita força de vontade. E não só podem como devem fazer a diferença.

4) O GT da Juventude é um grupo fechado? Válido apenas para os associados da APOGLBT?
Willian: Não. O GT existe graças a pró atividade dos jovens na militância LGBT em São Paulo, não faz sentido ser um grupo fechado. Mesmo porque nós buscamos novas opiniões e ideias. Quem tiver interesse de fazer parte, é só entrar em contato com a gente. Estamos sempre de portas abertas.

5) Como um grupo de jovens, há ordens estabelecidas pela diretoria da APOGLBT?
Willian: O importante é o respeito pelas diretrizes pré estabelecidas para o GT da Juventude não perder o foco e planejar as ações sempre com autonomia e respeito entre seus colegas. A direção da APOLGBT acompanha todas as ações, como a recente “marque-se contra a transfobia”, que resultou, inclusive, no início da campanha #ChegaDeTransfobia. Campanha esta que veio de encontro com o tema da Parada do Orgulho LGBT de 2016 “Lei de Identidade de Gênero, Já! Todas as pessoas juntas contra a transfobia”. Somos um grupo de jovens, apoiados pela APOGLBT e por isso também carregamos responsabilidades.

6) Jovens de outras ONGs, coletivos ou independentes, interessados no GT, também podem participar?
Willian: A união dos jovens na militância LGBT é importante, independente se já atuam em coletivos e outras ONGs. Até militantes independentes, todos ganham e somam vozes com a gente. Juntos, somos sempre mais fortes! Todos são bem vindos.

7) Tem algum exemplo? De como conquistam mais jovens para as ações do GT?
Willian: Sim, temos muitos exemplos! O mais recente, como dito anteriormente, foi o vídeo que tem mais de 34 mil visualizações em nossa fanpage sobre as ações transfóbicas que deixam marcas para sempre, já que o Brasil é o país que mais mata travestis, mulheres transexuais e homens trans no mundo! Quatro vezes mais que o México. Um teste foi realizado com um resultado surpreendente no dia 14 de fevereiro, no Bloco da Diversidade em São Paulo, onde 10 mil participantes aderiram a ação e a uma festa temática no mês passado. Todos os convidados se marcaram com as cores azul, branco e rosa. Tiraram fotos, compartilharam nas redes sociais e foi um sucesso! Fruto da campanha que entrou no ar, o que usa a hashtag #ChegaDeTransfobia. Estamos muito orgulhosos de termos começado este movimento. Sabemos da nossa importância.

8) Então é verdade? As redes sociais ajudaram neste trabalho de jovens na militância LGBT?
Willian: Muito, porque recebemos respostas e publicações das pessoas que também se marcaram com as cores da militância T. E não somente no dia 29 de Maio. Todos os dias ainda temos estas publicações. Essas manifestações estiveram ainda no Ciclo de Debates, Feira Cultural LGBT e Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade. Além da própria Parada do Orgulho LGBT.  O empoderamento dos jovens, que em sua maioria moram em periferias invisíveis aos olhos da gestão pública na luta contra o preconceito é muito importante:  basta dar espaço, voz e reconhecimento ao esforço de cada um.

9) Para fazer parte, entrar em contato? Qual o e-mail?
Willian: Pode escrever para o meu e-mail que eu respondo, passo informações e também faço a ponte com o GT Juventude LGBT. Meu e-mail, da APOGLBT, onde também sou um dos diretores, é willianmartins@paradasp.org.br

10) O grupo é assistido por adultos? Outros profissionais?
Willian: Sim, por se tratar de um grupo de jovens, tem o apoio do presidente da APOGLBT e também advogado Fernando Quaresma. Nosso sócio-diretor, Nelson Matias Pereira, recentemente publicou uma nota sobre o GT da Juventude, nele, diz:

“Para a APOGLBT a juventude é de fundamental importância para qualquer país, para qualquer organização. Ainda que  a juventude não tenha grandes experiências, mas a juventude é o grupo que renova que questiona; é a juventude que capta as mudanças com mais facilidade. Estas mudanças que estão acontecendo na cultura, sociedade, na política. Sem esquecer que para concretizarmos essa mudança, cabe ao próprio jovem reivindicar e assumir seu papel na participação de movimentos sociais e políticos. Afinal, eles representam quase 20% dos eleitores e qualquer mudança na história, na política e no desenvolvimento econômico deste país passa pela participação ativa da Juventude. Qualquer país que não invista na juventude, não tem futuro. A ideia de trazer os jovens é primeiro dar empoderamento a essa juventude, e compor  a experiência dos mais experientes com o vigor e ousadia e força da juventude.”

11) Obrigado pela breve entrevista. Para finalizar, é possível mostrarmos algumas fotos do grupo? Do último evento, por exemplo?
Willian: Sim, claro. Temos muitas. As fotos foram tiradas pelo Rodrigo Ferreira na Avenida Paulista, durante a ação “Marque-se #ChegaDeTransfobia”, no último dia 29 de Maio.

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Tornou-se consideravelmente comum vermos ativistas, sobretudo transfeminitas (como eu), falarem de Teoria Queer. Esses dias, fui interpelada por uma amiga que me perguntava: “Diabéisso de Teoria Queer?”. De fato, é uma forma de saber que a Universidade não tende a ensinar aos estudantes de graduação, e, apesar de existir muito material na internet sobre o assunto, é raro que paremos nossas vidas para procurar um texto que responda: O que é teoria Queer? Antes, contudo, é importante entendermos o que é “queer”. Que termo é esse?

O nome: Queer

Queer é uma palavra inglesa, usada por anglófonos há quase 400 anos. Na Inglaterra havia até uma “Queer Street”, onde viviam, em Londres, os vagabundos, os endividados, as prostitutas e todos os tipos de pervertidos e devassos que aquela sociedade poderia permitir. O termo ganhou o sentido de “viadinho, sapatão, mariconha, mari-macho” com a prisão de Oscar Wilde, o primeiro ilustre a ser chamado de “queer”.

Desde então, o termo passou a ser usado como ofensa, tanto para homossexuais, quanto para travestis, transexuais e todas as pessoas que desviavam da norma cis-heterossexual. Queer era o termo para os “desviantes”. Não há em português um sinônimo claro, talvez, como propõe a professora Berenice Bento, possamos pensar o queer como “transviado”.

A Teoria Queer

A Teoria Queer começa a se consolidar por volta dos anos 90, com a publicação do livro “Problemas de Gênero” (Gender Troube) da Judith Butler. Fruto de uma trajetória que ela já vinha acompanhando desde um seminário, que carregava o nome “queer”, feito nos anos 80, por Teresa de Lauretis. De Lauretis, foi a primeira a pensar em “Tecnologias de Gênero”, aqui entendidas como as técnicas de ser homem ou ser mulher que aprendemos desde cedo.

Nos anos 70, as universidades americanas, são tomadas (ainda bem), por movimentos populares, e começam a criar os chamados “Estudos Culturais” como forma de dar conta da compreensão do crescente Movimento Negro – marcadamente os Panteras Negras – e para dar conta de outros movimentos como o “Free Speech” (Liberdade de Expressão), e do movimento feminista – com a criação dos Women Studies. Assim como outros movimentos, como os movimentos gay e lésbicos. Antes de prosseguir sobre “O que é a Teoria Queer”? Acho importante fazer uma pausa para historicizar o conceito de “Gênero” , pois a Teoria Queer é sobre tudo aquilo que escapa a nossas formulações habituais. Às formulações do senso comum.

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Primeira pessoa no mundo a conseguir registro civil como gênero neutro. Nem homem e nem mulher. Isso ocorreu na Austrália e seu nome é Norrie.

Gênero

Não é possível falar em Teoria Queer sem pensarmos na categoria de “Gênero” como sendo algo fluido, socialmente construído, performado e sistêmico. Parafraseando Teresa de Lauretis: um sistema sexo-semiótico, de interpretação dos dados biológicos como produtores de diferenças, que não são per si, mas produtos da interpretação arbitrária dos “marcadores biológicos”. Existem, ainda segundo a autora “Tecnologias de Gênero”, ou seja, construção de técnicas de viver que determinam como um sujeito pode se inserir na sociedade segundo normas específicas de “ser homem” ou “ser mulher”.

Gênero é um conceito que surge fora da gramática e da linguística, aproximadamente nos anos 1950, quando o Dr. John Money, da Universidade John Hopkins, o utiliza no estudo da redesignação sexual de pessoas intersexuais. Neste caso, John se pergunta: Se estas pessoas nasceram com genitália ambígua, como é possível que o genital seja fator decisivo na constituição do gênero? Não pode ser. Então, utiliza-se de tal conceito, para designar o resultado de seu tratamento de “reorientação do gênero” das pessoas intersexo. No entanto, o modelo de compreensão do Gênero proposto por ele se mostrou falho, e hoje existem movimentos e demandas de pessoas intersexo para que elas tenham autonomia na decisão do gênero ao qual se identificam, e não fiquem a mercê de uma decisão médico-familiar. Entretanto, não podemos desconsiderar que John Money avançou no descolamento do gênero e do genital. Uma relação direta e não arbitrária, para compreendê-los, como distintos , possibilitando, apesar de seus erros, desdobramentos teóricos importantes.

Paralelamente aos estudos de John Money, começaram a surgir, dentro das universidades, demandas para que existam estudos e disciplinas, até então consideradas não acadêmicas, como os estudos negros, latinos, feministas,… Demandas que surgem, não no seio das universidades, mas a partir de vários movimentos sociais nos EUA. Dando origem, assim, aos estudos culturais, negros, e ao campo conhecido como Women Studies. É no âmbito dos “Estudos das Mulheres” que o conceito de Gênero passa a figurar de forma semelhante (cof) ao que conhecemos hoje.

A partir da afirmação já famosa de Simone de Beauvoir em seu livro “O Segundo Sexo” – ” Não se nasce mulher, se chega a sê-lo” – que inicio um parênteses. Essa afirmação de Simone, não é uma afirmação diretamente sobre “Gênero”, mas sobre a mulher, que para Beauvoir, não era compreendida como um “outro”, mas como uma subalternidade que só podia se constituir em relação ao sujeito “homem”, em sua dependência. O devir mulher, não poderia, na ótica de Beauvoir, caber em um entendimento do “devir homem”, de modo que, os primeiros estudos feministas, nos trazem uma ótica ainda essencialista de “diferença de gênero”, diferença essa que continua a se constituir a partir de novas interpretações dos dados biológicos.

Os Estudos Feministas, até então, se centravam em um determinado sujeito, em uma determinada mulher, até que surgem, com Angela Davis, e outras feministas negras, latinas, operárias, lésbicas (com grande enfoque no “continuum lésbico” de Monique Wittig, em seu livro “O pensamento heterossexual”), a crítica a este sujeito do “feminismo clássico”, ou seja, a crítica a um feminismo que havia se mostrado branco, de classe média, acadêmico e elitista. Ainda neste período surgem também, os “Estudos de Gênero” que constroem uma crítica ao feminismo, ao pensar as “masculinidades”, aliadas aos estudos Gays e Lésbicos, oriundos das demandas sociais que surgiram após a Revolta de Stonewall.

É neste momento que “Gênero” passa a ser concebido em sua fluidez e a afirmação de Simone de Beauvoir é ampliada, a partir de um questionamento simples: “Se existe um devir mulher, porque não poderia existir um ‘devir gênero’?”. Entretanto, apesar deste questionamento, os estudos e movimentos gays e lésbicos se tornaramm higienizados, defendendo um corpo gay desejável, belo, e sobretudo, heteronormativo. É criado, como diria Guacira Lopes Louro em seu texto “Teoria Queer- Uma política pós-identitária para a educação”, uma identidade gay “positiva”, e, obviamente, essa identidade positiva, subentende a construção de uma identidade “negativa”, geralmente associada ao gay afeminado, à travesti, e às lésbicas masculinizadas e homens trans.

Neste momento ainda não havia uma distinção teórica clara entre Identidade de Gênero e Sexualidade, tal distinção se produz apenas com o trabalho teórico da antropóloga feminista Gayle Rubin, em seu artigo “The Traffic in Women: Notes on the ‘Political Economy’ of Sex”. Artigo no qual ela afirma ser necessário pensar como categorias radicalmente distintas a sexualidade e o gênero, mesmo que, em determinados momentos, como posteriormente nos mostra Judith Butler (em seu livro, “Gender Trouble”), tais categorias se amparem em sustentação mútua da cis-heteronorma.

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É neste contexto da higienização das identidades “gays e lésbicas” e do questionamento da identidade do “ser mulher” e do ” ser homem” que surge um movimento pautado nas diferenças, portanto não-assimilacionista, como ferramenta de crítica. Tal movimento é teórico e também social, a “Teoria Queer”, termo agora ressignificado como forma de empoderamento. É neste momento, a partir de uma associação teórica com os estudos pós-estruturalistas de Deleuze, Derrida e Foucault, que se começa a pensar o próprio Gênero como “ficção política encarnada”, termo cunhado por Paul. B. Preciado em palestra dada no “Hay Festival”, em Cartagena.

No bojo destas discussões surge também a reflexão sobre a travestilidade e a transexualidade como experiências de gênero – a transfeminilidade como uma forma de mulheridade. Essa compreensão é importante, quando nos deparamos com discursos essencializadores do ser mulher. Judith Butler, em seu livro “Gender Trouble”, inicia com um questionamento que considero vital: “Quem é o sujeito do feminismo?”, ” É possível, pensar de forma categórica e universalizante em ‘mulher’?”. A resposta, obviamente é “não”, é possível pensar em “mulheres”, em “mulheridades”, em vivências femininas, mas não é possível universalizá-las na produção de um conceito identitário imutável.

É neste sentido que a vivência das mulheres trans, das travestis e das pessoas não-binárias que se identificam com a feminilidade podem ser compreendidas como vivências femininas, e que devem ser respeitadas como tal. Obviamente, há diferenças na vivência de uma mulher cisgênero e de uma mulher trans. Disso não há dúvidas, entretanto, ambas possuem vivências de suas feminilidades, das opressões diárias, dos enfrentamentos a partir de uma perspectiva do feminimismo.

Afinal, o que é a Teoria Queer?

É importante notar que a Teoria Queer não propõe um modelo “queer” de mundo. O queer é justamente o estranho. É aquele que se narra ou é narrado fora das normas. A Teoria Queer propõe o questionamento às epistemes (pressupostos de saber), ao que entendemos como verdade, às noções de uma essência do masculino, de uma essência do feminino, de uma essência do desejo. Para a Teoria Queer é preciso olhar para esses conceitos e tentar perceber que não se tratam, de forma alguma de uma essência, ou mesmo, que não há uma ontologia do todo, mas, no máximo, uma relação de mediação cultural dos marcadores biológicos.,

A teoria queer, como diria meu querido Paul Preciado, é uma teoria de empoderamento dos corpos subalternos, e não o empoderamento assimilacionista. O empoderamento que nos faz fortes em nossas margens e ocupar os espaços com nossos corpos transviados.

A Teoria Queer e o Brasil

Queer não é um termo inteligível no Brasil. As pessoas não se descrevem como queer por aqui. Ao menos, não as pessoas que não tem acesso a essa teoria. Mas no Brasil, os mesmos processos de normatização e subalternização dos corpos estão presentes. Aqui não há o queer, mas há “o traveco”. Não há o queer, mas há “o viadinho”. Não falam queer, mas falam “a sapatona”. Acredito, que a Teoria Queer, possa nos ajudar a construir uma teoria transviada nossa. Que empodere nossos corpos subalternos.

Como bem ressalta a transfeminista Daniela Andrade, os termos “transviada ou transviado” não englobam pessoas trans, pois supõe uma mistura, até conceitual de identidade de gênero e sexualidade, coisa que nós, homens trans, mulheres trans, travestis e pessoas trans de uma forma geral, temos lutado imensamente pra distinguir uma da outra.

A tensão Teoria Queer e Identidades Não binárias:

É fato que ninguém é transexual simplesmente por ter “aprendido com a Teoria Queer” ou qualquer outra teoria. Muito antes dessas teorias já existiam as pessoas trans. Eu escrevo desde um lugar muito específico: travesti, gorda, pobre, acadêmica e não binária. A Teoria Queer enfatiza que o gênero não é uma verdade biológica, mas um sistema de captura social das subjetividades. Isso significa que não somos nada ontologicamente? Não. Significa que existe uma percepção, por vezes disruptiva, entre como me sinto e como a norma diz que devo me sentir.

A percepção subjetiva que tenho de mim, é minha e não cabe a nenhuma teoria definí-la. Entretanto, a enunciação disso, ou seja, a capacidade de dizer, enquanto ato de fala (como nos diz Austin), e performance, passa pelo conhecer.

Eu nasci e cresci na periferia de São Paulo, e agora vivo na periferia de Caucaia, no Ceará. Na periferia, não existem, aos olhos da norma, pessoas não binárias. Eu mesma, ao longo de toda a minha vida nunca me percebi como homem, nem como mulher. Eu era “o gayzinho” e “o viadinho”, depois que descobri a transgeneridade é que percebi que eu podia enunciar o que sou: sou travesti não reivindico ser mulher, não reivindico ser homem, mas essa é uma posição minha. Eu reivindico sim a feminilidade.

A tensão reside quando alguns ativistas querem negar tudo que é acadêmico. Não é possível fazer isso! As pessoas trans, precisam adentrar a academia, que é uma instituição produtora de conhecimentos lidos como verdade, e narrar suas próprias vivências. É necessário ocuparmos os espaços que sempre nos foram historicamente negados. A academia é instrumento. Assim como o saber o é. A primeira travesti brasileira a obter o título de doutora foi minha muito amiga Luma Nogueira de Andrade. Ela sempre frisou que o caminho dela para a emancipação estava na educação, no acesso ao saber e ao conhecimento.

As identidades não binárias como a minha e muitas outras são de difícil intelecção pra quem não é da academia. Isso porque não há trabalhos acadêmicos sobre o tema, e porque não há critérios visuais de identificação do “não binário”, e sabemos que, para o olhar da norma, a leitura, ou seja, a capacidade de intelecção, é vital para o processo de taxonomização. Ano que vem sairá um artigo meu, em uma revista americana sobre o universo “não binário”. Mas devemos lembrar que é importante reconhecer que a academia e a Teoria Queer são ferramentas que podemos usar para materializar o discurso sobre nossas identidades.

Austin dizia que falar é fazer. Que a linguagem e os atos de fala, tornam as coisas reais no mundo porque constrangem seu entorno. A academia, marcadamente a Teoria Queer e a desconstrução de Derrida trouxeram a ideia dos binários e dos não binários a serem rompidos e desconstruídos. Por que, então, não usar as ferramentas e construir um saber que emerge das nossas vivências?

Paulo Freire sempre dizia, que o saber popular precisa manter com o saber acadêmico uma relação de mão dupla, dialógica. A teoria não constrói nossa identidade, mas nos ajuda a enunciá-la e as vezes, a afirmá-la politicamente. É errado, portanto, exigir de travestis e pessoas trans que aceitem a teoria queer. Ou que saibam dela. Principalmente quando muitas, a maioria de nós na verdade, está fora da escola e da universidade. Enquanto nos prostituimos, não temos tempo pra pensar o “pronome” mais apropriado a ser usado. Mas isso não implica na negação de todo e qualquer saber acadêmico. É preciso conciliar as vivências com a academia, e na fusão delas, produzir um pensar e uma política identitária marcadamente brasileira.

Um apelo final

Precisamos imensamente construir um saber nosso, um saber dos corpos subalternizados brasileiros. Não somos os mesmos corpos norte-americanos. Somos corpos com nossas próprias marcas e precisamos, a partir delas, constituir uma teoria que nos empodere para, a partir daí, podermos começar a pensar numa política das identidades. Há de se convir que o termo “queer” está na moda. Muitos se narram como queer, porém, é uma pós-modernidade que sai com água, e cujo emprego sugere privilégios. Queer não é arrasar na balada. É uma narrativa de si, uma narrativa constante.

É comum muitas pessoas rejeitarem o termo queer dizendo que “isso é academicismo”. Ora, tudo bem, mas enquanto as pessoas trans não lutarem por si e pelas suas companheiras, não seremos capaz de produzir um saber formal a partir de nossas vivências. Um saber próprio para a experiência brasileira da não conformidade as normas de gênero. Contudo, a simples negação do termo nos conduz ao risco do colonialismo. De deixarmos espaço para que nossas identidades sejam vistas apenas com o olhar colonizador de um termo e teoria estrangeiros. Por esse motivo, se faz necessário que levemos esse debate para além da academia e dar voz às diferentes maneiras com que pessoas trangêneros brasileiras narram suas histórias.

Texto de Helena Vieira, publicado originalmente aqui.

A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP) lançou uma campanha virtual onde, em seu segundo vídeo, aborda também a homofobia.

Com a expressão e hashtag #NãoPassarão, o segundo vídeo destaca o papel do Ministério Público contra homofóbicos, racistas e agressores, sendo realçado o papel da instituição na defesa da cidadania, da igualdade e dos direitos humanos. Assista:

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Gostou? Então participe da campanha acima e, se puder, também faça parte da campanha da APOGLBT “Marque-se #ChegaDeTransfobia“. Juntos, lutamos por um mundo melhor para tod@s!

Nossa 20º Parada do Orgulho LGBT de São Paulo foi linda. Como em todos os anos, uniu alegria e militância. Alegria pela fantasia e sorriso das pessoas em não ter medo de serem quem são. E militância pois, todas as pessoas juntas, focadas no tema “Lei de Identidade de Gênero, Já! Todas as pessoas juntas contra a transfobia.

Para marcar em nossas memórias este momento incrível de visibilidade LGBT, afinal, ainda somos a maior Parada do Orgulho LGBT do mundo, segue algumas fotos clicadas por nosso fotógrafo. Você pode copiar e publicar em suas redes sociais.

Não esqueça de ver também o comunicado de agradecimento do nosso presidente Fernando Quaresma. E também de nos seguir no Instagram, Twitter e Facebook.