domingo, março 26, 2017
Segmento T

Foi no dia 17 de Maio de 1990 que ocorreu a exclusão da homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa foi uma importante vitória para o movimento LGBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) comemorada por pessoas e ONGs de vários países.

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“O mundo inteiro comemora esta data. Foi quando a homossexualidade deixou de ser uma doença pela ciência e se torna, finalmente, o que ela sempre foi: apenas uma expressão saudável da sexualidade humana! Todos, LGBTs e simpatizantes pela causa, temos que comemorar!”, diz Nelson Matias Pereira, sócio fundador e diretor da APOGLBT (ONG responsável pela Parada do Orgulho LGBT de São Paulo).

No Brasil, somente aos 04 de Junho de 2010, por meio do Decreto do Presidente da República, o Dia Nacional de Combate à Homofobia foi oficialmente instituído.

Para Diego Oliveira, que organiza o 16º Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade que será realizado dia 27 de Maio na Academia Paulista de Letras em São Paulo:

A luta pelos direitos dos LGBTs é uma luta de todos. Por isso o Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade contempla pessoas e empresas que, de uma forma ou de outra, contribuem por um mundo melhor para todos. Não precisa ser militante LGBT para fazer algo em benefício aos LGBTs.“, enfatiza Diego.

Nas redes sociais, pessoas e organizações do mundo inteiro celebram esta data. Como é o caso, por exemplo, do Shopping da Bahia em seu post recente no Instagram:

 


Ou por exemplo, a postagem feita pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte:

Uma foto publicada por SPMRN (@spmrn_) em

No Twitter, hoje a tag “#MenosHomofobiaEmais” esta entre os 10 assuntos mais publicados!

Veja algumas das postagens:

Prefeitura do Rio de Janeiro

Fanpage & Canal no Youtube: Vinte e Quatro (O Sapatão)

E você? Já expressou sua comemoração nas redes sociais? Conta pra gente! Registre seu comentário abaixo com o link da sua postagem!

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Vamos, tod@s junt@s, comemorar!

“Em algum lugar para além do arco-íris, bem mais para lá, existe uma terra a qual ouvi sobre numa canção de ninar.”

Todos buscamos algo. Buscamos nosso lugar no mundo, o pote de ouro no fim do arco-íris. Porém, para achar esse lugar durante nossa busca, nos deparamos com obstáculos que vão aos poucos esvaziando esse pote até que nele restam apenas sonhos desfeitos que um dia poderiam reluzir feito ouro. Os papéis sociais que se espera que desempenhemos, nos pedem a todos imitar um estereótipo normativo, deixando todos nossos potes um cinza igualzinho.

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Em algum momento precisamos juntar a coragem necessária de ir além do céu cinza, atravessando as fronteiras das normas sociais para encontrar nosso lugar, nossa voz e nossa liberdade. Existe um arco-íris depois do arco-íris, de cores muito mais ricas e brilhantes, quase não se pode distinguir uma da outra já que umas são tão belas quanto as demais. São as cores de quem ousou ir para além do arco-íris para expressar sua verdadeira identidade, seu ser único e inigualável. Lamentavelmente, nossa sociedade fica com um pouco de medo de quem tem a coragem de ir além, e às vezes responde com invisibilidade e o esquecimento.

Em sua primeira edição, ‘Ocupa!’ vai além do arco-íris para homenagear essas pessoas que estão determinados a viver de maneira autêntica mesmo que isso signifique viver à margem da sociedade. No Sábado, 28/05/2016, véspera da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (a maior do Brasil e uma das maiores do mundo), receberemos diversos artistas que tem muito a dizer sobre as questões de identidade de gênero, orientação sexual e cidadania LGBT além de contarmos com a presença do CRD – Centro de Referência da Diversidade, uma instituição que trabalha para dar acolhimento e encaminhamento social à população LGBT que está à margem da sociedade normativa e também da sociedade LGBT como um todo (parte da arrecadação será doada ao CRD para que ele possa seguir com esse trabalho de vital importância não apenas para a comunidade LGBT mas para a sociedade em geral).

Este e um convite para celebrarmos o direito à livre expressão, à autenticidade, a identidade, diversidade e a liberdade de sermos quem somos, como somos.

Junte-se a nós nessa data especial e iremos juntos para aquele lugar especial além do arco-iris, onde todos podemos ser o que desejarmos sem medo ou julgamento.

*PROGRAMAÇÃO*

13:00hs – Abertura
14:40hs – Bate papo com Paulo Sérgio Morais, autor de ‘Olho Grego’ e ‘Condicional’
15:20hs – Bate papo com Samuel de Paula Gomes, autor de ‘Guardei no armário’
16:00hs – Show da banda “Isso e as biscates”
16:40hs – Bate papo com Roberto Muniz Dias, mestre em literatura pela UNB, dramaturgo e autor de ‘Adeus a Aleto’, ‘Um buquê improvisado’, ‘Urânios’, ‘Uma cama quebrada’ (peça)
17:20hs – Debatendo a diversidade: Apresentação do trabalho do CRD – Centro de Referência da Diversidade e debate sobre diversidade, discriminação, preconceito e marginalização da população LGBT e caminhos para a inclusão social.
18:00hs – Show da banda “Verónica Decide Morrer” (Participação Daniel Peixoto)
18:40hs – Mesa de bate-papo entre os artistas participantes, convidados e o público.
20:30hs – DJ Bispo + DJ Oba
24hs – Fechamento da casa.

*INSTALAÇÕES* Corpo Tóxico: A relação entre a masculinidade tóxica e a transfobia (fotografía + performance + textos). Por Anahi Lucas, Letícia Maia, Hideo Kushiyama, Gael Oliveira, Thais Haliski /// Mamilos livres: Livertade de mostrar os corpos femeninos e masculinos (lambe-lambe) Por Leticia Bahia /// Desfrutarse: O tabú da masturbaçao feminina (relatos anónimos). Por Beatriz Cruz.

*TIME* /// Ideia criativa e produção executiva: Anahi Lucas – Fabio Casaca – Alexandre Melo /// Assessoria de imprensa: Rubia Formaggi ///

*ONG* /// CRD – Centro de Referência da Diversidade desenvolve ações que possibilitam a inclusão social e a geração de renda. É um espaço destinado a atender homens e mulheres, profissionais do sexo, gays, travestis, transexuais e portadores de HIV/Aids em situação de vulnerabilidade e risco social. O CRD tem como meta compatibilizar o respeito à diversidade, à autonomia e às escolhas individuais e visa oferecer acolhida e escuta especializada às múltiplas necessidades de seus usuários; de forma a promover orientação adequada e encaminhamento a serviços de assistência, de saúde e jurídicos. Para mais informações: http://crdiversidade.no.comunidades.net/index.php

*O LOCAL* /// TELSTAR é um hostel que desde a sua concepção em 2011 carrega em seu DNA, arte, cultura e inquietação. O empreendimento localizado no bairro da Vila Mariana a poucos metros da estação de mesmo nome, abriga em seu subsolo um espaço cultural recentemente batizado de SUBMUNDO 177, com estrutura para eventos culturais, gastronômicos e festas. Fotografia, quadrinhos, artes plásticas, música, grafite, moda já foram temas de eventos realizados no espaço. O intuito é e sempre será abrir espaço para talentos de diferentes vertentes artísticas, ajudando assim a manter o cenário cultural alternativo da cidade em movimento.

SERVIÇO

O QUE: OCUPA! – Edição Além do Arco-Íris
QUANDO: Sábado, 28/05 à partir das 13:00hs
ONDE: Submundo177 – Rua Capitão Cavalcanti, 177 – Vila Mariana
QUANTO: R$10 + 1kg de Alimento ou R$15
Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/1711740639107529

O processo de descobrir-se homossexual, a pressão psicológica exercida pela Igreja, o medo do inferno, o primeiro beijo, o impulso amoroso, a primeira transa e o apoio encontrado em uma ONG são alguns dos pontos marcantes da obra, cujo título “Guardei no Armário”, faz referência à expressão ‘sair do armário’, que caracteriza o assumir-se homossexual. Lançado pela editora Pragmatha, o livro marca a estreia de Samuel de Paula Gomes no universo literário.

Samuel-de-Paula-Gomes-livro-Guardei-no-Armário“Conto nesse livro a ferida que a igreja evangélica abre nos corações dos LGBTs que crescem nelas e os traumas que carregamos em silêncio”, afirma. Segundo Samuel, a inspiração para transformar em livro sua experiência, compartilhada anteriormente em um blog, de mesmo nome, surgiu da observação do quanto falta um referencial inspirador para quem passa por essas mesmas dificuldades. “Ainda existem poucos títulos nacionais feitos para o público LGBT, gerados por LGBTs, e é quase impossível achar algum com um protagonista negro”.

O livro integra o projeto Guardei no Armário, que também conta com um canal no Youtube onde outros públicos considerados minoria compartilham suas experiências de vida. “Conheci muitas pessoas que poderiam escrever livros sobre suas vidas, suas dores e conquistas. Muitos LGBTs com sofrimentos muito maiores que os meus, que passaram por situações completamente diferentes das que vivi. Essas pessoas precisam ser ouvidas, porque acredito que em algum lugar terá alguém que se identificará com a história ou aprenderá com ela”. No canal, explica Samuel, o protagonista não é o Youtuber X ou Y, mas sim a pessoa que está na frente da câmera, seja ela obesa, magra, branca, negra, amarela ou vermelha, lésbica, gay, bi, travesti ou transexual.

O livro será lançado no dia 23 de maio, em São Paulo, integrando a programação da Parada Gay e conta a trajetória do escritor enquanto homossexual, negro e cristão, criado na periferia da maior cidade da América Latina.

Sobre o autor

Samuel de Paula Gomes

Nascido em São Paulo, Samuel de Paula Gomes, 28, é ativista das causas LGBTs e designer gráfico. Formou-se com recursos do programa de inclusão social ProUni. Hoje, trabalha como Motion Designer, passando por grandes produtoras do mercado áudio visual.

Serviço:

Lançamento do livro Guardei no Armário
Autor: Samuel de Paula Gomes
23 de maio de 2016, a partir das 18h
Local: Tubaina Bar
Endereço: Rua Haddock Lobo, 74 – Cerqueira César, São Paulo – SP
Valor Livro: R$ 35,00
Site: http://www.guardeinoarmario.com
Facebook: https://www.facebook.com/GuardeiNoArmario
Youtube: https://www.youtube.com/c/guardeinoarmariooficial

Documentário Princesas Impossíveis sobre transgêneros em São Paulo está on-line e disponível gratuitamente. Assista abaixo!

Texto publicado na descrição do vídeo:

Estamos em uma era de desconstrução de preconceitos, em especial a LGBTfobia. No entanto, a exclusão sofrida por transgêneros continua notavelmente ignorada nos debates sobre discriminação e, nas raras ocasiões em que o tema é apreciado junto ao grande público, isso costuma se dar por um viés patologizante, altamente criticado por vários militantes da causa. A falta de entendimento sobre a realidade trans é enorme, mas é cada vez mais acompanhada de grande curiosidade. Quem são essas princesas que o mundo insiste em enxergar como homens, esses rapazes que o mundo espera que sejam princesas e essas pessoas que não se identificam como homens nem mulheres?

E, visto que qualquer realidade humana consiste num emaranhado de histórias, vivências e opiniões, muitas vezes conflitantes entre si, este documentário busca trazer à tona algumas dessas histórias e começar a familiarizar seus espectadores com a questão.

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Em poucos momentos fica tão claro como preconceitos são úteis ao sistema desigual e explorador em que vivemos. Todos os dias, o que mais vemos são oprimidos se voltando contra oprimidos. Enquanto nos hostilizamos uns aos outros, por sermos “macacos”, “travecos”, “viadinhos” ou “piranhas”, não podemos nos voltar, juntos, contra o sistema que nos oprime a todos.

Assista agora mesmo:

Entrevistadas(os):

Monique Top – Jornalista, Apresentadora, Dançarina e Militante
Amara Moira – Escritora, Garota de Programa e Militante
Caio Fucidji Ishida – Estudante Secudarista e Militante
Paola – Garota de Programa
Raul Lima Silva – Estudante de Arquitetura e Militante
Carolina Gerassi – Advogada

Quando criei alguns projetos na Internet para levar informações sérias e respeitosas sobre a homossexualidade, comecei a receber um número significativo de e-mails de pessoas, pais, professores, psicólogos, amigos, entre outros profissionais, a respeito das questões que envolvem o tal “homossexualismo” (termo, inclusive, em desuso nos dias atuais por ter conotação de doença).

Como eu nunca consegui responder a tantos e-mails, resolvi pesquisar sobre a homossexualidade e escrever um livro sobre ela. Para meu espanto, em 2006, eu descobri que o “problema” da homossexualidade é algo muito maior do que imaginamos. Não é apenas um problema da homossexualidade, mas sim da sexualidade humana em geral. Sim. Temos um sério problema de educação sexual não só no Brasil mas em diversos países do mundo. Não sabemos nada sobre sexo. A família, em muitos casos, joga a responsabilidade para a escola e a escola, com menos condições, joga a responsabilidade para a família. E daí? A família, sem saber nada sobre ela, acaba passando tudo o que ela sabe aos demais: exatamente nada.

Então, se temos um problema de educação sexual e muitos assuntos sobre a sexualidade humana são obscuros, imagina então sobre a homossexualidade? Que sempre foi condenada pela religião e também, em determinado momento, pela ciência (justamente quando a ciência e religião caminhavam juntas). Alias, para terem ideia, até a masturbação, segundo a ciência, algumas décadas atrás era a causa da epilepsia, poderia ter perda de sangue e em alguns casos até levar a morte. Isso para termos ideia do quanto já fomos errados em diversos conceitos, inclusive cientificamente (e sim, isso esta em livros médicos respeitados de poucos séculos atrás).

Logo, neste cenário humano, se você for estudar a homossexualidade, verá que o preconceito é muito maior do que imaginamos. Felizmente, consegui colocar tudo isso em um livro de fácil acesso e leitura, chamado O ARMÁRIO e que já vendeu mais de 4 mil exemplares. O livro, dividido em duas partes, fala sobre a minha descoberta, focada apenas na minha “saída do armário” (afinal, minha vida não é diferente da de muitos) e a segunda, mais científica, faz um breve panorama histórico sobre a religião, ciência, família, psicologia e os processos psíquicos que são envolvidos nestas questões do preconceito, incluindo a homofobia internalizada (tão comum em homossexuais, até mesmo nos “assumidos”) e a questão muito pertinente do machismo.

E não para por ai. Como me formei em psicologia, e esse sempre foi o meu mal estar da formação, faço uma crítica feroz aos estudantes e formados de psicologia quando o tema é a homossexualidade. Infelizmente, nas faculdades de psico, não é dado a disciplina de sexualidade humana. Logo, o preconceito, a ignorância e a desinformação também paira por lá (eu mesmo não tive e sei que muitos não tiveram, não tem e nem terão!). O que é ruim, afinal, muitos homossexuais acabam parando em consultórios psicológicos com dúvidas relacionadas as suas questões sobre a orientação sexual e nem todos os profissionais estão preparados para melhor atendê-lo. Como também cito no O ARMÁRIO o profissional, com toda a sua formação, terá ferramentas capazes de atender muito bem um homossexual em seu consultório clínico, mas não compreenderá toda a vivência homossexual, seus conflitos e pode acontecer, como acontece, deste profissional pertencer a alguma religião que condena a homossexualidade e, sem perceber, também condená-la em seu paciente.

Sim. Novamente, como cito no meu livro, um professor de uma faculdade de psicologia em São Paulo, uma faculdade renomada inclusive, recentemente disse que o “homossexualismo” era uma doença para quase 80 alunos do quarto ano do curso de psicologia. Isso agora. Não falo de décadas atrás. Por outro lado, existem diversos profissionais sérios e capacitados para falar com propriedade quando o tema é psicologia e a homossexualidade. Conheço um psicanalista, por exemplo, que tem um trabalho acadêmico internacional dentro deste tema. E isso é realmente fantástico.

Logo, devemos ter muita atenção quando realizarmos estudo/pesquisas que envolvem estes dois temas: psicologia e a homossexualidade. Como a própria Internet, existe um mar de informações desencontradas e é justamente por isso que precisamos ter boas referências, bons livros, bons estudos e achar um bom caminho, onde a homossexualidade é vista como ela é de fato: apenas uma vertente saudável da sexualidade humana.

E que a psicologia, estudantes, formados, professores e profissionais da área, comecem a deixar seu preconceito de lado e estudar esta parte humana que, querendo ou não, faz parte do ser humano. Somos seres completos e, por isso, sexualizados.

Fabrício Viana*

*Fabrício Viana é jornalista, bacharel em psicologia com pós em marketing, autor de vários livros com temática LGBT, entre eles O Armário (sobre a homossexualidade), Ursos Perversos (contos), Orgias Literárias da Tribo (coletânea premiada duas vezes) e seu mais recente sucesso chamado Theus (romance gay). Seu site com suas redes sociais é www.fabricioviana.com

 

Entre gays e “não gays” encontramos diversos indivíduos considerados “neuróticos” ou com algum desequilíbrio emocional. Infelizmente isso é “quase” comum nesta sociedade nem tão boa como imaginamos.

Claro que a homossexualidade, em si, não é o fato dessa desordem, afinal, hoje sabemos que ela não é considerada doença pela comunidade médica e científica (a homossexualidade é apenas uma expressão natural da sexualidade humana, e apenas isso!). O que causa a neurose são os conflitos que o indivíduo possui entre seus desejos (ID) e o que a sociedade impõe (superego), que faz com que o mesmo (ego) se torne fragilizado.

Se a sociedade não fosse tão preconceituosa e os homossexuais não aprendessem desde pequeno que seus desejos são “errados” (isso gera inclusive uma homofobia internalizada neles), é muito provável que muitas neuroses deixariam de existir. Isto é, nem seriam criadas.

Entretanto, quanto maior o desejo e quanto mais reprimido ele for pela sociedade (ou mesmo pelos pais), mais forte se torna o ciclo “neurotizante”, ao ponto de, com o tempo, podendo apresentar reações psicossomáticas, psicomotoras (famosos “tiques nervosos”), de isolamento, confusões mentais e até psicoses (loucura). Entre outros sintomas de desequilíbrio mental, como um dos casos que cito no meu livro sobre a homossexualidade chamado O Armário:

Para termos uma ideia mais precisa do quanto complicado é viver uma vida dupla, de mentiras e com grande desperdício de energia psíquica, vamos a um caso bem interessante de um rapaz. Noivo e com uma vida bastante conturbada, ele começou a criar – para sua futura esposa, amigos e familiares – desculpas para sair à noite, conhecer rapazes e ter seus encontros puramente sexuais (afinal, é a única coisa que poderia fazer nestas suas breves saídas – saciar seus desejos). Porém, a frequência com que saía aumentava ao ponto dele precisar criar histórias e personagens para suas desculpas, para que ninguém desconfiasse da verdade. A mais utilizada era a de que ele estava indo para a casa de um colega de trabalho resolver pendências, colega que só existia em sua mente. Para que a desculpa não fosse sempre a mesma, ele inventou uma filha desse colega, e que sempre o ajudava levando-a para o hospital (pois ela fazia um longo tratamento, segundo ele). Quando essa história também se saturava, ele criava outro personagem, um outro amigo de trabalho, um outro parente deste colega, uma tia com que tinha perdido contato desde pequeno, mas que morava em outra cidade, e por aí foi. Em apenas dois anos, esse rapaz se encontrava em uma situação muito complicada. Ele criou tantos personagens e tantas histórias em sua mente, para dar as desculpas, que foi parar em um tratamento psicológico em estado grave (quase de psicose) com o objetivo de tentar separar quem de sua vida era real e quem era imaginário (criado por sua mente), pois ele não sabia mais ‘quem era quem’.(página 97 e 98, livro O Armário)

Logo, a matemática de uma vida dupla é simples: se você tem uma pilha e usar metade de sua energia para uma vida saudável e a outra metade com o objetivo de “esconder-se”, é diferente de usar a mesma pilha/energia 100% ao seu favor, isto é, “fora do armário” e sendo você verdadeiramente em qualquer lugar com todos os seus desejos e com uma vida afetiva e sexual plena e satisfatória. Algumas empresas já sabem disso, segue mais um trecho do meu livro:

Algumas empresas de recursos humanos já sabem, por exemplo, que um rapaz no trabalho que não é assumido gasta muito mais energia escondendo seus desejos e vida homossexual do que outro – também homossexual – que não precisa escondê-los. Optam por aquele que é assumido, afinal, ele produzirá muito mais que o outro.

Claro que chegar a este ponto não é algo inatingível, acredito que, se muitos conseguem, você e qualquer pessoa também pode conseguir. Tudo bem, sabemos que isso não acontece de um dia para outro. Tudo depende de você e do caminho “lento” ao objetivo final, mas se você não começar a batalhar por sua vida e por sua felicidade, quem irá? Lembre-se de que, a única pessoa que sabe o que é melhor para você é você mesmo. Se escolher “sair do armário“, ótimo, parabéns e ao mesmo tempo esteja preparado para as grandes dificuldades que irá encontrar. Se escolher continuar “no armário”, ótimo também. Mas você não acha que vai desperdiçar grande energia onde poderia investir?

Digo isso pois é comum homossexuais assumidos, quando chegam ao seu “último estágio de aceitação”, pararem e pensarem: “como é gostoso ser quem realmente eu sou, não ter que esconder minha orientação sexual para amigos, familiares, colegas de trabalho ou estudo”. Tiro isso por mim e por muitos amigos, de todas as idades, que vez ou outra, comentam sobre. Lembrando que, não basta apenas sair do armário, também precisa – e isso é muito importante – livrar-se completamente da homofobia internalizada, que muitos homossexuais, mesmo assumidos, carregam consigo. Falo também no meu livro. Lembrando que ele não é vendido em livrarias, apenas neste link (144 páginas) ou a versão digital no site da Amazon Brasil

Portanto, o que vale, realmente, é refletirmos sobre tudo isso. E divulgar essa matéria para o máximo de pessoas possíveis. Precisamos ter uma vida autêntica antes de tudo.

Abraços fraternos,

 

Fabrício Viana*

*Fabrício Viana é jornalista, bacharel em psicologia com pós em marketing, autor de vários livros com temática LGBT, entre eles O Armário (sobre a homossexualidade), Ursos Perversos (contos), Orgias Literárias da Tribo (coletânea premiada duas vezes) e seu mais recente sucesso chamado Theus (romance gay). Seu site com suas redes sociais é www.fabricioviana.com

Essa situação infelizmente acontece todos os dias em estabelecimentos públicos e privados

Alguns locais possuem normas sobre não ter qualquer tipo de discriminação entre colaboradores e clientes, mas e os lugares que ignoram a Lei Estadual 10.948/2001 e expulsam clientes ou até mesmo funcionários por conta da orientação sexual e identidade de gênero?

Artigo 1.º – Será punida, nos termos desta lei, toda manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra cidadão homossexual, bissexual ou transgênero.
Artigo 2.º – Consideram-se atos atentatórios e discriminatórios dos direitos individuais e coletivos dos cidadãos homossexuais, bissexuais ou transgêneros, para os efeitos desta lei:
I – praticar qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica;
II – proibir o ingresso ou permanência em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público;
III – praticar atendimento selecionado que não esteja devidamente determinado em lei.”

Para denunciar o ato discriminatório é necessário o registro via internet, escrita, carta, telegrama ou similar em órgãos públicos (Delegacia Civil, DECRADI) e/ou organizações não governamentais em defesa dos direitos humanos. O sigilo do autor da denúncia é garantido para segurança do mesmo, pois é importante detalhar o fato com identidade, características dos autores do ato discriminatório, local, data e horário.

Feito esse procedimento, a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania analisará a denúncia para impor as penalidades cabíveis que varia desde multa até cassação definitiva da licença estadual para funcionamento.

Onde denunciar? Acesse o materiais de apoio da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

http://www.defensoria.sp.gov.br/dpesp/repositorio/34/documentos/cartilhas/DirTrans.pdf

http://www.defensoria.sp.gov.br/dpesp/repositorio/34/documentos/cartilhas/dscrmn.pdf

Fonte: http://www.defensoria.sp.gov.br

Tâmara Smith*

* Tâmara Smith tem 27 anos, é lésbica, estudante de Comunicação Social/Jornalismo, militante LGBT e assessora de imprensa da APOGLBT. Seu twitter é http://twitter.com/aboiola

 

18ª PARADA LGBT-SP-04-05-2014-FOTOS JOCA DUARTE (201 de 489)

Publicado originalmente na Revista G Magazine, em 2006.

Desde que me entendo por gay e estudioso do assunto, reparo que inúmeras pessoas protestam, reclamam e criticam a Parada do Orgulho LGBT, independentemente do local onde ela é feita. Eu entendo todas elas pois no início eu também criticava, como também não concordava com o jeito de ser de outros gays, principalmente aqueles que apresentavam trejeitos ou afeminações (sim, eu também já reproduzi, sem saber, esse machismo ridículo). Acredito que tudo é uma fase e só abrindo mais a cabeça para a diversidade é que podemos entendê-la, respeitá-la e admirá-la. Além de ter plena consciência de sua realização (como é feita) e principalmente: o que nós, que tanto reclamamos e criticamos, fazemos para que as coisas melhorem.

Esse artigo foi pensado na virada deste ano, quando eu estava na praia e uma menina muito simpática comentou na rodinha de amigos sobre um detalhe da Parada LGBT de São Paulo. Ela falava com muita indignação sobre a grande distância entre dois trios elétricos durante o percurso, dando a entender que isso era um problema gravíssimo dos organizadores da manifestação social. Nesta hora eu perguntei a ela: Você tem ideia de quantas pessoas organizam este evento? Você tem ideia do trabalho que eles têm e das dificuldades que possuem para organizar a parada do orgulho LGBT?

Depois disso fiquei pensando, se tivessem mais pessoas trabalhando e fazendo algo, talvez tivesse uma equipe só pra ver esse problema “gravíssimo” que ela apresentava. Mas não. Não tem tanta equipe assim e as pessoas que estão lá, batalhando o ano inteiro (e não só meses antes como pensam alguns) têm que se preocupar com coisas muito mais importantes que a distância dos carros. Citei-a para entrar neste assunto, mas as críticas são gerais. Como disse, eu também já compactuei com algumas, mas quando não entendia o real valor da palavra DIVERSIDADE. Para mim, no PASSADO, todo homem gay deveria ser homem (sem trejeitos), a parada gay não poderia ter drags, pessoas fantasiadas, palhaços e muito menos se parecer com um carnaval. Achava que tudo isso não ajudava em nada em nossa imagem. Mas qual seria nossa imagem? Hoje, eu entendo que nossa imagem é a imagem da DIVERSIDADE HUMANA. Não podemos discriminar e nem recriminar todas as “expressões” da nossa comunidade. Existem gays, travestis, transexuais, barbies, fashionistas, ursos, simpatizantes, pessoas fantasiadas, drags, crianças, famílias e tudo isso faz parte da comunidade dita “gay”, ou “LGBT” (sendo mais politicamente correto). E a Parada do Orgulho LGBT, de São Paulo ou de qualquer outra região, nada mais é que um grande dia para mostrarmos a sociedade que nós, que sempre somos invisíveis para eles, EXISTIMOS. E existimos com todo o prisma de cores que o arco-íris possui.

Para aqueles que acham que falta política, falta mais protesto neste grande dia, que faça alguma coisa e lute por aquilo que acredita. Leve uma faixa, faça um cartaz, coloque uma camiseta com dizeres de protesto e“grite” para o mundo a militância que sente falta. Não espere que os outros façam aquilo que você acha “ideal” em uma Parada do Orgulho LGBT. E se puder, convença até amigos mais próximos a fazerem a mesma coisa. Mesmo porque, política e luta não é feita em apenas um dia. É necessário lutarmos todos os dias por nossos direitos. Mas ninguém pensa nisso. Ninguém se compromete. Ninguém dá a cara à tapa e faz alguma coisa. Só criticam, criticam e criticam tudo.

Quando era mais novo, trabalhei ao lado do Teatro Municipal de São Paulo e ao meio dia havia um protesto de camelôs. Olhei para meu chefe e fiz uma crítica tremenda sobre a administração da cidade. Ele olhou pra mim e pediu para parar de criticar. Falou que críticas tanto eu quanto metade da cidade teríamos contra ela, mas ir lá e fazer alguma coisa pra melhorar, ninguém fazia. Que, ao invés de criticar qualquer coisa, deveria arregaçar as mãos e partir para ação de melhoria ou permanecer calado. Mas jamais criticar por criticar. Qualquer coisa que seja. Foi uma lição e tanto. Hoje vejo que tem muita gente que precisaria dela. Para “acordar” e finalmente fazer algo por todos nós. Ao invés de só reclamar. Então, antes de criticar a parada, antes de falar mal de alguma coisa que se refere a luta por nossos direitos, olhe pra si, veja o que você faz para ajudar ou melhor, o que poderá fazer para contribuir na luta por uma sociedade melhor. E não só neste dia, mas durante todo o ano.

Fabrício Viana*

*Fabrício Viana é jornalista, bacharel em psicologia com pós em marketing, autor de vários livros com temática LGBT, entre eles O Armário (sobre a homossexualidade), Ursos Perversos (contos), Orgias Literárias da Tribo (coletânea premiada duas vezes) e seu mais recente sucesso chamado Theus. Do fogo à busca de si mesmo (romance gay). Seu site com suas redes sociais é www.fabricioviana.com

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A cada hora que passa uma pessoa do segmento T (Travestis e Homens e Mulheres Transexuais) sofre agressões, constrangimentos, é alvo de piadas, são excluídas, entre outras coisas. E, por este motivo, a luta contra a transfobia é uma luta de todos.

A Constituição Federal determina que todo cidadão tem o direito de tratamento de seus semelhantes como pessoa humana, sem qualquer discriminação, tal como na Declaração Universal dos Direitos Humanos é determinado que “todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei”.

Portanto, como cidadãos, temos direito a vida! Temos que reivindicar por nossos direitos de sermos reconhecidos pelo nosso nome social. Queremos ter acesso e atendimento médico sem constrangimento! Estamos em busca dos nossos direitos à integração social, à educação e ao trabalho.

Passamos por diversas dificuldades por sermos Travestis, mulheres transexuais ou homens trans. Queremos ter assegurado o direito à liberdade de expressão. Por ser um absurdo em pleno século XXI, termos que lutar por direitos básicos, que outras pessoas jamais precisariam reivindicar.

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‪#‎CRIMINALIZAÇÃODATRANSFOBIAJÁ‬

Luiz Fernando Prado Uchoa*

*Luiz Fernando Prado Uchoa é homem trans, estudante de Jornalismo, articulista do site “pau pra qualquer obra” e membro do núcleo político da família Stronger.