quinta-feira, junho 22, 2017
Sexualidade e Gênero

21ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo acontece domingo, 18 de Junho, com concentração a partir das 10h em frente ao MASP, na Avenida Paulista tendo como madrinha Fernanda Lima e apresentação oficial da drag queen Tchaka. O movimento é organizado pela ONG APOGLBT SP (Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo) e tem como apresentadora a Drag Queen Tchaka.

Para esta edição, o tema é “Independente de nossas crenças, nenhuma religião é Lei! Todas e todos por um Estado Laico.”. Este tema foi discutido em várias reuniões ao longo do ano desenvolvido pela ONG em parceria com coletivos, outras ONGs LGBTs e militantes independentes onde, entre diversas questões, o fundamentalismo religioso tem ganhado dentro da política grande importância aos avanços e retrocessos morais sobre os assuntos ligados à diversidade.

Dentro deste movimento, promovendo o respeito às diferenças, a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo conta com dois fortes patrocinadores em 2017: Skol e Uber.

Apoiamos a Parada do Orgulho LGBT porque estamos ao lado da bandeira do respeito acima de tudo. Desde a última parada nos consolidamos neste caminho. Apoiar a Parada LGBT é fomentar a cultura colocando em foco a diversidade e promovendo antes de tudo o respeito pelo outro. Estamos muito orgulhosos em fazer parte mais uma vez”, disse Maria Fernanda Albuquerque, diretora de marketing da Skol.

A Uber acredita que todo mundo deve ter o direito de ser autêntico em sua individualidade, orientação sexual e identidade de gênero, e mais que isso, se sentir seguro e respeitado. Com isso em mente, a Uber é patrocinadora oficial da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo em 2017. Mas é importante a gente ressaltar que buscamos ser aliados da comunidade LGBT, não só no dia da Parada do Orgulho, mas o ano todo.“, disse Ana Pellegrini, Diretora Jurídica e Líder de Diversidade da Uber no Brasil.

Sobre o tema Estado Laico, Claudia Regina, presidenta da APOGLBT SP, diz:

Nossos principais inimigos hoje são os fundamentalistas religiosos, grupos de pessoas dentro de algumas religiões que insistem em nos condenar e retirar direitos já adquiridos. No Congresso Nacional, por exemplo, o debate sobre a criminalização da LGBTFobia é repleto de ataques de parlamentares da bancada religiosa e conservadora, muito dos quais utilizando-se de suas imunidades parlamentares para disseminar o ódio a uma parcela da população. Seus argumentos? Alguns citam suas visões de fé, como se estivessem em seus púlpitos e não em uma instituição que deveria garantir e se orientar pela laicidade, preconizada na Constituição Federal de 88.

Justificativa do tema de 2017

“A laicidade do Estado democrático garante respeito à diversidade religiosa, humana e cultural. O Estado deve assegurar todos os direitos humanos, tais como a liberdade religiosa, o Direito de cada cidadão a exercer ou não a religiosidade que quiser, mas deve ser garantida a não discriminação. Além disso, é necessária a autonomia do Estado frente às Igrejas, garantindo sua imparcialidade.

Essa conquista cidadã – inclusive para todas e todos fiéis religiosos – está garantida pelos princípios constitucionais da democracia, liberdade, igualdade e separação entre Estado e Igreja nos artigos 1°, 5°, 19°, inciso I o qual transcrevemos:

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.

Entretanto vê-se, por meio de políticas de privilégios tributários e de concessão de canais de TVs e rádios, por exemplo, o favorecimento de algumas instituições religiosas em detrimento de outras. Além disso, vivencia-se o crescimento constante da representatividade do fundamentalismo religioso em todas as esferas governamentais.

É uma grave ameaça à cidadania, e à democracia constitucional brasileira, o fato de integrantes dos Três Poderes, em qualquer nível, atuar tendo como guia seus valores religiosos, sem observância à cidadania, à pluralidade e aos direitos humanos. Cargos públicos não podem ser utilizados para imposição de visões religiosas quaisquer sejam elas.

Dentre as diversas vítimas do desrespeito ao Estado Laico, estamos nós LGBT. Os exemplos são inúmeros – e desumanos. É proposta legislativa federal o Estatuto da Família, que, com base unicamente em argumentos religiosos, não reconhece como legítimos e legais diversos arranjos familiares, inclusive com responsáveis legais LGBT.

Vimos nos anos de 2015 e 2016 retrocessos na promoção da igualdade de gênero nos planos de educação articuladas por bancadas legislativas católicas e evangélicas, e referendadas por chefes do Poder Executivo. E ainda há trabalho para que o Ensino Religioso no sistema público de educação seja confessional ao invés de propor visão secular da história das religiões. Seria o Estado a serviço do fundamentalismo religioso.

No Congresso Nacional, o debate sobre a criminalização da discriminação por orientação sexual e identidade de gênero é repleto de ataques de parlamentares da bancada religiosa conservadora, muitos dos quais envolvidos em crimes de corrupção. Seus argumentos? Alguns citam suas visões de fé, como se estivessem em lugares religiosos e não em uma instituição que deveria se orientar pela laicidade, portanto, pelo respeito à Constituição.

O mesmo ocorre no debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo no Congresso Nacional. A busca é por reconhecimento legal, e tão somente com foco no casamento civil. Entretanto, seus opositores sacam do coldre, em inadmissível desrespeito à igualdade – outra cláusula pétrea constitucional -, referências religiosas na tentativa de derrubar a necessária separação entre Estado e religião, base do Estado moderno.

São vistas omissões de governantes no Poder Executivo no dever de proteger, garantir e defender os direitos humanos e a cidadania de LGBT por meio de políticas públicas de superação das discriminações contra tal diversidade humana, e de sua inclusão em áreas tais como saúde, trabalho, educação e segurança pública.

E o que dizer do Poder Judiciário, cuja missão é defender a Constituição e, portanto, a laicidade? No entanto, vemos tribunais ostentando crucifixo, em detrimento de outras religiões. Se seguisse a laicidade, nenhum símbolo seria posto, o que serviria como mostra do respeito a todas as crenças.

O direito a escolher ou não a uma religião também nos é fundamental, especialmente quando algumas religiões não aceitam LGBT. Nesse sentido, o ataque a outras religiões, principalmente as de matriz africana – essas majoritariamente inclusivas – e a conivência do Estado aos ataques civis que elas sofrem, também nos prejudica.

Por fim, os direitos reprodutivos e ao próprio corpo não devem ser cerceados por nenhum dogma religioso.

Pelo grande risco que significa ao Estado Laico para a cidadania de todas e todos, convocamos nesse momento e para fortalecer nosso movimento e luta, as mulheres, as pessoas negras, as minorias religiosas, minorias étnicas, ateus e agnósticos, para estar na maior Parada LGBT do mundo, trazendo seu protesto, sua manifestação em favor do Estado Laico e em defesa da igualdade.”

Programação da 21ª Parada do Orgulho LGBT

A 21ª edição da Parada do Orgulho LGBT terá sua concentração às 10 horas e início da marcha às 13h com saída do primeiro trio. O trajeto dos trios será entre a Avenida Paulista e a Rua da Consolação. O último trio chega à Rua da Consolação às 18 horas. Ao final da Parada, no Vale do Anhangabaú, acontecerá a partir das 19 horas o Show de Encerramento com Alice Caymmi, Tamara Angel e o Cabaré com artistas da noite de São Paulo. Diversos  artistas ainda serão confirmados. Outros, por questões de contrato, só podem ser divulgados dias antes do evento.

Por enquanto, as atrações principais são Anitta no trio da Uber e Daniela Mercury no trio da Skol, além de diversas intervenções culturais promovidas pelo diretor artístico Heitor Werneck no início e durante a manifestação.

Ordem dos Trios

  1. Abertura: Tema 2017
  2. Famílias LGBT/Mães pela Diversidade
  3. Prefeitura I
  4. Prefeitura II
  5. Prefeitura III
  6. Prefeitura  IV
  7. Comerciários
  8. Skol
  9. Lésbicas e Bi
  10. Gays e Bi
  11. Segmento TT
  12. Coletivos LGBT APEOESP/CUT
  13. Juventude
  14. Saúde HIV/Aids
  15. Governo SP
  16. Divina Divas
  17. Artistas da Noite LGBT
  18. UBER
  19. Paz

Bloqueio da Av. Paulista

A Av. Paulista estará bloqueada para carros a partir das 8 horas do dia 18 de Junho. A liberação da avenida acontecerá após a limpeza da via urbano no domingo. A Rua da Consolação ficará bloqueada para carros entre 12h e 19 horas.

 

SERVIÇO:

21ª Edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo
– Tema: “Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei! Todas e todos por um Estado Laico”
– Horário: das 10h às 18h
– Concentração: Em frente ao Masp, na Avenida Paulista – São Paulo/SP
– Realização: APOGLBT
– Patrocínio: Skol, Uber e Doritos
– Apoio institucional: Prefeitura de São Paulo
– Apoio Accor Hotels
– Evento oficial no Facebook: https://www.facebook.com/events/105978123240834

Premiação que homenageia ações dos direitos humanos
da população LGBT é uma das mais importantes no Brasil

Para homenagear e reconhecer ações sociais que contribuíram para o avanço dos direitos humanos da população LGBT, a Associação da Parada do Orgulho GLBT (APOGLBT) realiza a 17º edição do Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade. A atriz Leandra Leal e a trans Gretta Star são as mestres de cerimônia da premiação que acontece no dia 16 de junho na Academia Paulista de Letras, na capital paulista.

Ao todo são 19 categorias entre personalidades, entidades, autoridades políticas e ações culturais que contribuíram para o avanço dos direitos humanos da população LGBT em 2016/2017. As indicações dos premiados puderam ser feitas através do site da Associação (www.paradasp.org.br). A escolha foi feita pela diretoria da APOGLBT que avaliou a contribuição de cada um deles a comunidade LGBT.

A Premiação

O Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade surgiu com o objetivo de lembrar os fatos mais significativos no cenário político, social e cultural para a população LGBT, contribuindo na promoção dos Direitos Humanos. Reconhecendo a atuação dos premiados como sendo de alta representatividade na vida de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. É também um momento de divulgação e valorização das atividades que contribuíram com o movimento na consolidação do respeito à diversidade, bem como um estímulo às práticas socialmente responsáveis.

O troféu para a cerimônia foi desenhado e doado à APOGLBT pelo arquiteto e jornalista Duílio Ferronato, desde a primeira edição do Prêmio. Uma réplica estará disponível no dia do evento.

Premiados 2017

Categoria / Homenageado

Artes Cênicas:  Gisberta – Luis Lobianco
Cinema Internacional:  Moonlight – Sob a Luz do Luar
Cinema Nacional:  São Paulo em Hi-Fi e A Glória e A Graça
Direitos Humanos: Flávia Piovesan – Secretária Especial de Direitos Humanos
Documentário: Laerte-se  e Gaycation – Ellen Page
Educação: Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, E.E.Joaquim Luiz de Brito – Brito Sem Homofobia e Professor Luis Lima
Especial: Museu da Diversidade (5 anos de museu),  Museu de Berlim e livro Dois Pais, Sim! da autoria Vasco e Júnior
Esporte: Banda Alma celeste
Imprensa: Programa Fantástico – Reportagem sobre Crianças Trans
Internacional: Sara Ramirez.
Internet: Canal das Bee
Jovens: Candy Mel (Banda Uó)
Literatura:  Se eu fosse puta – Amara Moira
Memória: Elke Maravilha, Vitimas de Orlando, Dandara, Vítimas da Chechênia e Luis Ruas
Militância: Resistência Das Paradas – Campinas, Sorocaba, Rio de Janeiro
Música: Liniker
Publicidade:  SKOL – Campanha #RespeitoIsON (lançada no dia Internacional do Orgulho LGBT. Cerveja que se posicionou claramente a favor de LGBT’s e tem constantemente apoiado eventos para esse público) e Natura – Comercial Dia dos namorados
Trabalho:  OIT – Discute oportunidade de trabalho para o segmento LGBT
TV:  Novela Liberdade Liberdade

Serviço:

17º Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade
– Dia 16 de Junho de 2017
– Horário: as 19h
– Local: Academia Paulista de Letras – Largo do Arouche, 324 – República
– Realização: APOGLBT
– Patrocínio: Skol, Uber e Doritos
– Apoio institucional: Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo,  ACGE – Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias
– Apoio: Accor Hotels
–Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/1691770107789673

 

Mostra de Cinema tem filmes Esteros, Mãe só há uma e Divinas Divas na sua programação

A Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, dentro da programação do Mês do Orgulho LGBT 2017, promove a Mostra de Cinema dia 12, 13 e 14 de Junho no Cine Belas Artes. Entre os filmes escolhidos para exibição gratuita estão Esteros, Os Invisíveis e Divinas Divas.

Segue a programação:

Dia 12 as 21h30
Exibição do filme: Esteros
Data de lançamento 8 de junho de 2017 (1h 17min)
Direção: Papu Curotto
Elenco: Ignacio Rogers, Esteban Masturini, Renata Calmon, Maria Merlino, Marcelo Subiotto, Pablo Cura e Felipe Titto
Gêneros: Drama, Romance
Nacionalidades: Argentina, Brasil
Sinopse: Matias e Jerônimo são dois grandes amigos de infância que cresceram juntos em Paso de los Libres, cidade folclórica na fronteira entre Brasil e Argentina. Durante a adolescência, a atração sexual inesperada entre os dois surge e o desejo floresce. No centro de preconceitos familiares, a história de amor entre eles é interrompida, mas, dez anos depois, eles se reencontram e têm uma nova chance.

Dia 13 as 21h30
Exibição do filme: Mãe só há uma
Data de lançamento 2016 (1h 22min)
Direção: Anna Muylaert
Elenco: atores desconhecidos
Gênero Drama
Nacionalidade Brasil
Sinopse: Após denúncia anônima, o adolescente Pierre é obrigado a fazer um teste de DNA. Ele descobre que foi roubado da maternidade e que a mulher que o criou não é sua mãe biológica. Após a revelação o garoto é obrigado a trocar de família, de nome, de casa, de escola, tudo isso em meio às descobertas da juventude.

Dia 14 as 21h30
Exibição do filme: Divinas Divas
Data de lançamento 22 de junho de 2017
Direção: Leandra Leal
Elenco: Miguel Falabella, Rogéria, Jane di Castro, Valéria, Brigitte de Búzios, Fujika de Holliday, Camile K. E Eloína.
Gênero: Documentário
Nacionalidade: Brasil
Sinopse: A história de Maurice, Monette, Lucien e Thérèse, que nasceram entre as duas guerras mundiais. Hoje, eles são idosos e homossexuais, mas, tirando essas características, não têm nada em comum. Através deles, o filme retrata um século de história da sociedade francesa.

Os ingressos gratuitos para assistir aos filmes serão distribuídos 30 minutos antes de cada exibição. Cheguem cedo! Sujeito a lotação da sala.

Serviço:

Mostra de Cinema do Mês do Orgulho LGBT 2017
Exibição dos filmes Esteros, Mãe só há uma e Divinas Divas
Dias 12, 13 e 14 com exibição de um dos filmes as 21h
Ingressos gratuitos. Retirar 30 minutos antes de cada exibição ((Sujeito a lotação da sala.)
Local: R. da Consolação, 2423 – Consolação, São Paulo – SP

 

O Museu da Diversidade Sexual (MDS) abre no próximo dia 13, a 2ª Mostra Diversa 2017. A exposição é uma coletiva com trabalhos de artistas que imprimem questões de diversidade, sexualidade e gênero em suas obras.

A mostra diversa acontece a cada dois anos, e esta em sua segunda edição. Com o objetivo de abrir espaço para novos artistas e visões, a mostra coloca em pauta o questionamento do binarismo de gênero, a descriminação e a violência sofrida pela comunidade LGBT, a transexualidade e a questão dos padrões impostos pela sociedade.

Foram inscritos 70 projetos, mas apenas 17 foram selecionados, contemplando diferentes técnicas artísticas como fotografia, colagem, desenho, aquarela e pintura.

Dentre os projetos, destaca-se “Adágio” de Rafael Roncato, “POSTALGBT” de Weio e “Luz dos Olhos Meus” de Victor Grizzo.

Com entrada gratuita, a exposição estréia às 17h do dia 13/06 e fica em cartaz até o dia 30 de setembro.

 

SERVIÇO:

Abertura: 13 de junho, terça-feira, das 17h00 às 20h00
Endereço: Estação República do Metrô – Piso Mezanino, loja 518
Entrada Sugerida: Rua do Arouche, 24, República – São Paulo

Em cartaz até 30 de setembro
Funcionamento: de terça a domingo, das 10h00 às 20h00
Entrada gratuita

Por Leonan Oliveira

Mulher transexual, fotógrafa, produtora e presidente da Associação de Pessoas Portadoras de Deficiência de Passos, essas são apenas algumas das diversas funções de Leandrinha Du Art. A mineira, de 22 anos, é referência de empoderamento, ativismo e resistência LGBT.

Durante uma viagem à São Paulo, onde participou do Ciclo de Debates, ela visitou a sede da Associação da Parada do Orgulho LGBT, e dividiu conosco suas idéias e crenças.

Leandrinha Du Art visita a sede da APOGLBT (26/05)

Confira abaixo nossa entrevista na íntegra:

APOGLBT – Você acredita que ser LGBT e ter alguma deficiência torna tudo mais complicado? Existe preconceito dentro do preconceito?

Leandrinha: Eu acredito que ser LGBT já é complicado… ser portadora de necessidades especiais já é complicado… Os dois juntos é o pacote da desgraça completo. São lutas diferentes, mas não deixa de ser. É mais um enfrentamento para as pessoas porque choca mais.

Existe muito muito preconceito dentro do preconceito. Eu acho que na classe LGBT é muito mais, nem é por conta da deficiência física, mas por conta de alguns pensamentos que você passa a ter, por conta de ser trans e não se importar de se intitular travesti…porque eu sou mulher transexual e a menina da esquina é travesti? Só porque a gente não teve as mesmas oportunidades? Só porque eu tô tendo um destaque maior? Então quando eu me intitulo travesti é para representar essas meninas, que na maioria das vezes não teve a oportunidade que eu tive para chegar onde eu cheguei.

APOGLBT – Como você se descobriu uma mulher transexual?

Leandrinha: É um passo a passo… Primeiro eu me assumi gay, e depois me descobri trans. Como eu me descobri? Eu acho que é não me identificando com o meu próprio corpo, e não ter ponto de referência, nem contato com o mundo LGBT, ficou bem mais difícil para saber o que eu era. Então eu não sabia o que eu era… eu era um menino, que não me identificava com o meu corpo, e mesmo assim ainda tentava entender aquele corpo, pra ver se alguma coisa estava errada.

Demorou… eu me assumi com 17 anos, hoje eu vejo o jovem se assumindo bem cedo e me dá uma alegria imensa, porque eu acho que quanto mais cedo, melhor. O impacto vai ser gerado do mesmo jeito… Eu entendo que a maioria demore pra se assumir pra família com medo de violência, na qual eu não sou apta a falar porque nunca sofri, mas mesmo assim eu falo por essas pessoas também. O tempo necessário pra se assumir é o tempo que você levar para se entender, se tiver que levar 20, 30 anos, leva… mas não fica a vida inteira tentando viver igual as outras pessoas.

APOGLBT – Quando começou a militar? Sentiu alguma dificuldade?

Leandrinha: Eu comecei a militar quando eu nasci, porque eu já nasci uma pessoas portadora de necessidades especiais…então eu tive que sobreviver para me destacar. A menos que eu quisesse ficar dentro de um quarto, isolada…longe de tudo e de todos.

Depois que eu conquisto o meu lugar no sol, é onde eu falo: “vamo comigo?”, e eu acho que é pra isso que eu sirvo. A minha militância é essa… arrastar essas pessoas, essas mulheres que têm a auto-estima baixíssima, os portadores de necessidades especiais que ainda estão dentro de casa, sentindo vergonha do seu corpo, de sua deficiência…os LGBTs que perderam o senso político da gravidade do momento em que nós estamos vivendo. Eu falo: “Vamo acordar?”.

Acho que nunca tive dificuldade pra militar, porque já nasci assim, né? Claro, é muito difícil, mas nunca tive um momento onde eu pensei em parar de fazer as coisas que eu faço… mas justamente por eu ser obrigada desde pequena a lutar pelo que acredito.

APOGLBT – Você se sente representada pelos movimentos sociais LGBT?

Leandrinha: Nessa hora, LGBTs me crucificam e me matam…Mas eu me sinto muito representada por alguns, outros, não. Porque eu acho que se perdeu o fio da meada política, sabe? Se perdeu o motivo de estarmos fazendo isso…porque da parada LGBT? Se perdeu isso. O que é uma pena, porque se você perguntar para as pessoas que vão na parada qual o tema desse ano, a maior parte não vai saber responder. Elas vão mais por uma boate a céu aberto do que pela causa em sí.

Claro que eu apoio a parada, porque a visibilidade é um passo dado… porque se você está na rua, mesmo que não sabendo direito a importância disso, alguém está te vendo.

APOGLBT – Atualmente, qual a maior importância do seu trabalho?

Leandrinha: Conscientizar as pessoas de que elas são capazes, que elas têm que ser empoderadas, e que de alguma forma estão sendo preconceituosas consigo mesmas.

Desconstruir pra construir de novo é o que eu faço, sabe? Quando uma pessoa me olha e vê todo esse todo meu, eu acho que ela para pra pensar e enxerga uma referência… e eu sinto muito orgulho de ser referência… Quando uma pessoa me elogia eu não fico falando: “Ai, magina…”… EU SOU MESMO! Eu trabalhei pra isso, eu sou boa no que eu faço, eu acredito no meu potencial, eu sou referência e meu trabalho é esse… levar as pessoas comigo.

APOGLBT – Hoje você serve de exemplo para muitas pessoas que compartilham das mesmas dificuldades. E você? Teve ou tem alguém como exemplo de superação?

Leandrinha: Eu tenho milhares de referências… tanto comunicadores como pessoas do meio LGBT. Eu sou comunicadora também, então eu acho que é importante se inspirar nos outros, mas sem perder sua própria identidade. Sempre manter sua essência mesmo.

APOGLBT – Que conselho você daria para quem é LGBT, tem alguma deficiência e se sente sozinha(o)?

Leandrinha: Se conheça, se permita dar o seu espaço, mas se conheça em primeiro lugar… o que mais pesou pra mim foi não me conhecer, então acredito que esse seja o primeiro passo pra você construir uma vida legal.

APOGLBT – Se você pudesse criar uma sociedade perfeita, como ela seria?

Leandrinha: Eu não acredito em uma sociedade perfeita… eu acredito em várias idéias, pontos de vista diferentes. Uma sociedade perfeita seria aquela onde todos nós nos respeitássemos e soubéssemos ouvir outras pessoas, mesmo que não compactuando as idéias… siga aquilo que você acredita, mas não impeça os outros de acreditar em suas idéias próprias. Respeito é a solução pra uma sociedade perfeita.

APOGLBT – Como as pessoas podem entrar em contato com você? Tem site, Facebook, Twitter?

Leandrinha: Eu tenho minha página no Facebook “Leandrinha Du Art”, meu Instagram LeandrinhaDu… Lá eu posto vários textos meus, vários eventos que eu participo e escrevo bastante matérias sobre determinados temas.

Eu converso muito com pessoas do Brasil todo, mulheres, portadores de deficiência de vários lugares… faço o possível pra responder todo mundo. É bastante prazeroso, sabe? Alcançar esse público que eu alcanço é um passo, e cada passo precisa ser valorizado.

O casamento é a maneira legal que a sociedade encontrou para oficializar a união entre pessoas que se amam. Como sabemos, a manifestação do amor ultrapassa as barreiras de sexo e gênero, mas ainda hoje existem países que proíbem o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Sinônimo de tradicionalismo e bons costumes, os países asiáticos são um excelente exemplo de onde isso acontece, mas parece que a situação por lá está mudando. A justiça da ilha deu o primeiro passo para a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo na quarta passada 24.

O Código Civil de Taiwan afirma que o contrato de matrimônio só pode ser assinado por um homem e uma mulher, mas a Corte Constitucional determinou que isso vai contra a constituição do lugar, que garante o direito ao casamento e igualdade entre todos os cidadãos.

Centenas de pessoas comemoraram a decisão em frente ao parlamento de Taiwan.

O governo tem 2 anos para aplicar a decisão, e caso o parlamento não aceite, a corte afirma que casais homossexuais poderão fazer o registro de casamento conforme sua interpretação.

Por estas e outras acreditamos em um mundo melhor para todos e todas!

A Associação da Parada LGBT de São Paulo (APOGLBT SP) convida outras ONGs de direitos LGBTs, coletivos e militantes independentes para a reunião dos GTs (Grupos de Trabalho) para o Mês do Orgulho LGBT em 2017.

A reunião será neste sábado, 27/05, às 13h30, no Sindicato dos Comerciários de SP (Rua formosa, 99 – 12 andar).

Pedimos a gentileza para que, todas as pessoas interessadas, cadastre seus dados abaixo (caso já tenha se cadastrado em outro momento, não é necessário cadastrar-se novamente!):

A luta da comunidade LGBT por direitos e uma sociedade mais igualitária é histórica. Muitas coisas já foram conquistadas, mas ainda temos muitas coisas para reivindicar.

Um dos grandes perseguidores dos LGBTs atualmente são os extremistas religiosos, incluindo a bancada evangélica, que seguindo sua própria crença, tenta determinar regras e leis para toda a sociedade.

Exatamente por isso, a Parada do Orgulho LGBT em São Paulo desse ano (marcada para o dia 18/06) tem como tema a defesa da laicidade do Estado: “Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei! Todas e todos por um Estado laico”.

Sabendo disso, o GT Juventude promoveu uma ação durante a primeira edição do piquenique para LGBTs com deficiência, organizado pela página Menino Gay . Depois de discutido, o grupo criou frases que resumem o que pensam, e em uma seção de fotos, compartilhou conosco suas conclusões.

Veja abaixo, 12 falas do GT Juventude tem sobre a laicidade do Estado:

– Allan:  “O senhor é meu pastor e sabe que sou LGBT”

– Fabio: “Podemos andar juntos!”

– Guilherme: “Só estarei protegido se o Estado for laico.”

–  Ivone: “Siga o exemplo de Jesus e ame sem distinção.”

– Jefferson: “Primeiramente #ForaBancadaEvangélica, segundamente #VivaALaicidade”

– Leandrinha: “Eu respeito sua religião… Então, respeite minha identidade de gênero”

– Leo: “Sou LGBT e sou religioso, e sei que o Estado deve ser laico”

 – Matheus: “O Estado é laico e eu sou livre!”

– Mike: “Religião prega amor e não ódio às pessoas.”

– Moisés: “Eu respeito sua religião… Então, respeite minha orientação sexual”

– Nath: “Respeito para todos, todas as crenças, em todos os lugares!”

– Rafa: “Sua religião não mandarás em minha vida”