Desde sábado a estudante M. L., de 18 anos, sofre com ameaças e é perseguida de forma assustadora: recebe ligações e até visitas em sua casa. Tudo porque ela esteve no 4º Batalhão de Infantaria Leve, em Osasco, para se alistar no serviço militar e alguém a fotografou dentro do quartel e espalhou a imagem nas redes sociais, assim como sua ficha de inscrição com seu nome de registro (que ela não usa).

 M. L., em reportagem para o Jornal Extra, disse que soube que suas fotos estavam sendo espalhadas pela internet por uma amiga. Logo em seguida começou a receber ofensas, ligações pedindo para sair e ameaças de morte. Assustada, foi procurar amigo na casa de parentes. Ela disse que, naquele dia, lembra de um soldado apontando o celular para ela, mas não imaginava o motivo.

Segundo a advogada Patrícia Gorich, presidente da Comissão Nacional de Direito Homoafetivo do Instituto Brasileiro de Direito da Família, que ajuda M. L. no caso:

“Ela viu um soldado com um celular no segundo andar do quartel, em um vão, mas não deu tanta atenção, pois não desconfiava que tamanho absurdo poderia acontecer. Ficou surpresa quando, no sábado, começaram a ligar para a casa dela e a mandar mensagem para o WhatsApp, o dia inteiro. Mandaram tanto mensagens de ódio quanto chamando para sair, chamando pelo nome de registro. Quando entrou no Facebook, viu que já tinha muita gente comentando que todos os dados dela estavam na internet: endereço, telefone, nome do pai e da mãe. A vida dela virou um caos”

Segundo M. L., ela publicou em seu perfil que foi conversar com o capitão do batalhão e contou o que aconteceu. Ele pediu desculpas e pediu para que ela aguardasse as coisas se acalmarem, sugeriu até trocar o telefone de sua casa, como se isso fosse resolver os dados causados. Foi então que ela registrou boletim de ocorrência e, depois que a história de tornou pública, a Coordenadoria da Presidência da República entrou em contato pedindo que a denúncia fosse formalizada.

Segundo a advogada, “Ela está com medo. E seu medo é legítimo. Ela foi exposta a uma situação vexatória. O nome e o rosto foram expostos, além de outros dados pessoais. E nenhum cidadão tem acesso à ficha pessoal de alistamento militar”.

Em comunicado, o Exército Brasileiro informou que teve conhecimento do fato e que já tomou as medidas administrativas necessárias para esclarecer o ocorrido. E que os envolvidos serão responsabilizados por suas ações, dentro do que prescreve a legislação vigente.

Ainda na nota, o Exército diz que não compactua com este tipo de procedimento e empenha-se, rigorosamente, para que eventuais desvios de conduta sejam corrigidos, dentro dos limites da lei. E que a instituição não discrimina qualquer pessoa, em razão de raça, credo, orientação sexual ou outro parâmetro.

Nota do editor/jornalista da APOGLBT: Diferente de outros veículos, borramos o rosto na imagem e não colocamos seu nome completo para evitar mais ainda sua exposição.

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