CineSesc: “Maria Luiza”, documentário sobre a primeira mulher trans das forças armadas brasileiras

Dirigido por Marcelo Díaz, o filme narra a trajetória de Maria Luiza da Silva que, após 22 anos de trabalho como militar, foi aposentada por invalidez e lutou para ter seus direitos reconhecidos

“Maria Luiza” fica em cartaz de 19 a 25/11, às 18h, e os ingressos estão disponíveis no site sescsp.org.br/cinesesc

Em sua quinta semana de reabertura, o CineSesc exibe o documentário brasileiro Maria Luiza, de Marcelo Díaz. O filme, que narra a trajetória da primeira transexual integrante das Forças Armadas Brasileiras e investiga as motivações para impedi-la de vestir a farda feminina e a se afirmar como mulher trans, estreia nesta quinta-feira, 19/11, e segue em cartaz até dia 25/11, quarta-feira, com sessão única às 18h. Os ingressos são limitados, pois a nova configuração do cinema prevê distanciamento seguro entre as poltronas, e a venda acontece exclusivamente online.

Maria Luiza da Silva, cabo da FAB durante 22 anos, foi aposentada por invalidez, após assumir sua condição de transexual. O filme que leva seu nome aborda os conflitos, as desilusões e as conquistas da cabo em seu processo de busca de identidade como transexual. Investiga os motivos pelos quais foi impedida de continuar a exercer sua atividade militar como mecânica de aviação e realizar seu sonho: vestir a farda feminina.

Movido por histórias de transformação pessoal e que de alguma forma questionam o status quo, o diretor Marcelo Díaz conheceu a situação da militar através de uma reportagem do jornal Correio Braziliense. “Há quase dez anos atrás, Maria Luiza me recebeu em seu apartamento no Cruzeiro, cidade-satélite de Brasília, de forma muito afetuosa. Ficamos horas conversando. Fiquei extremamente impactado pela história que ela me contou, desde sua vida pregressa em Ceres, interior de Goiás, seu sonho em trabalhar com aviação na FAB, até sua luta por continuar na Aeronáutica, como mulher trans, passando pelos bastidores da vida militar, o casamento, a filha e o processo de mudança de gênero”, ele explica.

Maria Luiza nasceu em Ceres (GO) como José Carlos, mas nunca se reconheceu como uma figura masculina. Curiosamente era o dia de Santos Dummont, patrono da aviação brasileira. Quando completou 18 anos prestou o serviço militar e entrou para a FAB, onde trabalhou durante 22 anos como cabo. Enquanto servia na área de mecânica de aeronaves na Base Aérea de Brasília, revelou seu desejo pela mudança de sexo. Após muitas passagens por médicos e psicólogos da Aeronáutica, em 1998 recebeu o diagnóstico de transexual e em 2000 o comando decidiu que ela deveria se aposentar com a metade do soldo que recebia na época.

Pediu ajuda ao Ministério Público e deu início a um longo processo pelo reconhecimento de sua identidade como mulher trans. Em 2005, ela fez a cirurgia de transgenitalização e, em 2007, corrigiu gênero e nome nos documentos civis. Apenas um ano depois foi emitida sua nova identidade militar como Cabo Maria Luiza, fato sem precedentes no país.

As filmagens duraram ao todo 2 anos, em períodos espaçados. Foram inúmeros encontros com Maria Luiza, desde a fase de pesquisa até as filmagens. “Ela é uma pessoa com uma vivência e força tão impressionantes e de uma simplicidade e profundidade inspiradoras que sempre dá vontade de estar por perto. Tenho certeza de que qualquer pessoa que tiver a oportunidade de ver o filme poderá sentir-se tocada pela história e pelo que simboliza para o tema da identidade de uma maneira mais ampla”, conta Marcelo.

Além da habitual dificuldade para levantar financiamento para produzir o filme, outro grande desafio encontrado ao longo de todo o processo foi acessar o universo militar onde Maria Luiza viveu ao longo desses 22 anos de serviço. “Um grande sonho de Maria Luiza era vestir a farda feminina e eu queria muito registrar isso de alguma forma. Mas a realidade às vezes é mais dura. Maria Luiza não pode voltar à ativa e usar a farda feminina”, complementa o diretor.

IMPACTO DO FILME

Após 20 anos de luta, em junho de 2020 Maria Luiza da Silva conseguiu na justiça o direito à aposentadoria como suboficial, em decisão do ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que alega discriminação sofrida por ela. O debate gerado pelo filme, com suas exibições em diversos festivais nacionais e internacionais, contribuiu diretamente para a visibilidade do caso, tendo sido inclusive mencionado na decisão do STJ. É uma vitória, mas não definitiva, pois ainda cabe um último recurso à Corte.

DIRETOR MARCELO DÍAZ

Cineasta brasiliense, dirigiu curtas e médias exibidos em mais de 50 festivais pelo mundo e em canais de TV. Busca o cinema como meio de transformação. MARIA LUIZA é seu primeiro longa. Filmes: – Terra de Luz (2016, TVs públicas/ FSA) – Restrutural (2014, doc TV Câmara) – Desdobráveis (2013, curta – Melhor Roteiro, CineMube/São Paulo; mais de 20 festivais no Brasil, Chile, Argentina, Espanha, Suécia, EUA) – Galeno, Curumim Arteiro (2010, DOCTV Brasil) – Oficina Perdiz (2006, Melhor Curta de Brasília no Festival de Brasília; Prêmio de Público no Festival de Curtas de São Paulo; Melhor DOC no Festival São Carlos; mais de 30 festivais como: Havana, Milão, Sidney Latino, Brazilian FF Miami e Toronto, Gramado, Tiradentes, Cine Ceará), dentre outros.

FESTIVAIS

• É Tudo Verdade (classificatório para o Oscar/São Paulo, Rio, interior de SP)
• 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
• FIDBA (Festival Internacional de Documentários de Buenos Aires)
• 27º San Diego Latino Film Festival (EUA)
• Seattle Latino Film Festival (EUA)
• TranScreen (Amsterdam Transgender Film Festival/Holanda)
• Festival Internacional de Cinema pelos Direitos Humanos da Colômbia • Chéries-Chéris/25º. Festival do Filme LGBTQ&+++ (Paris/França)
• International Queer Film Festival Playa del Carmen (México)
• Humano Film Festival / México – Prêmio: MELHOR DOCUMENTÁRO
• Amazônia DOC/Festival Pan-Amazônico de Cinema
• Geneva International Queer Film Festival/Everybody’s Perfect (Suíça)
• International Queer Film Festival Merlinka (Sérvia)

Selecionado para o DOCMontevideo Meetings 2018, DOC SP 2018, LAB DOC IMPACTO 2018 (DOC SP/DOC Society), DOK LEIPZIG MARKET 2019.

Serviço:

CineSesc
Rua Augusta, 2075 – Cerqueira César – São Paulo/SP

Dias de funcionamento: segunda a domingo
Horário da unidade: 17h às 20h
Horário da sessão: 18h

Mais informações e como adquirir os ingressos, visite:

https://www.sescsp.org.br/programacao/223386_MARIA+LUIZA


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Publicado por: Fabrício Viana
Fabrício Viana é o jornalista (MTB 80753/SP) responsável pela assessoria de imprensa e comunicação da APOGLBT SP, ONG que realiza a maior Parada LGBT do mundo. Para a página de Imprensa, aqui. Contato com a Diretoria da ONG, aqui. Seja um Associado/a, aqui