Inédito: Árbitro paralisa jogo de futebol após gritos homofóbicos da torcida.

A partida entre Vasco e São Paulo, vencida pelo time carioca no domingo (25), entrará para a história: pela primeira vez na história do futebol brasileiro, o jogo foi paralisado pelo árbitro após a torcida começar a desferir gritos homofóbicos.

Anderson Daronco (FIFA/RS), arbitro da partida, relatou na súmula da partida válida pela 16ª rodada do Brasileirão :

“Relato que aos 17 minutos do segundo tempo houve um canto vindo da arquibancada da torcida do Vasco em que dizia: “time de veado”. Aos 19 minutos do segundo tempo, a partida foi paralisada para informar ao delegado do jogo e aos capitães de ambas as equipes a necessidade de não acontecer novamente e para informar no sistema de som do estádio o pedido para que os torcedores não gritassem mais palavras homofóbicas. Foi arremessado no gramado fora do campo de jogo um copo plástico contendo liquido dentro na direção do banco de reservas da equipe do São Paulo após a marcação do primeiro gol da equipe do Vasco da Gama. Relato que o copo foi atirado da arquibancada com torcedores do Vasco da Gama localizada atrás do banco de reservas da equipe visitante. Informo também que após o término da partida, quando as duas equipes se dirigiam para os vestiários, houve um tumulto embaixo do túnel inflável, que não foi possível identificar os envolvidos devido a distância da arbitragem até o túnel, e pela grande presença de jogadores titulares e suplentes, membros de comissão técnica, diretores das equipes, seguranças e membros de imprensa trabalhando na partida” (Reprodução/CBF)

Daronco utilizou-se ainda do sistema de som do Estádio São Januário, no Rio, para realizar o pedido aos torcedores para que não gritassem mais as palavras homofóbicas.

O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) já havia informado que a partir desta rodada do Brasileirão, os clubes podem perder até três pontos por atitudes homofóbicas nos estádios. Segundo o artigo 243-G do Código Disciplinar:

“Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”

Em caso de reincidência, será retirado o dobro da pontuação.

“Time de Veado não pode!”, veja o trecho onde Daronco diz a Luxemburgo para pararem com grito homofóbico:

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Publicado por: Fabrício Viana
Fabrício Viana é jornalista (MTB 80753/SP), gay, life coach, escritor premiado e responsável pela assessoria e comunicação da APOGLBT SP, ONG que realiza a maior Parada LGBT do mundo. Mais sobre Viana? Clique aqui.