Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de SP realiza pesquisa sobre comportamento sexual do brasileiro

Óbvio que não estaríamos aqui hoje, continuando a escrever a história da humanidade, se não existisse o sexo. E, pelo menos desde o século 20, especialmente com o lançamento dos mais conhecidos relatórios sobre a sexualidade humana – o Kinsey, o Master & Johnson e o Hite – a partir do final da década de 1940, as práticas e hábitos sexuais passaram a ser discutidas mais abertamente, exploradas e analisadas sob a perspectiva da pesquisa científica (claro que com algumas ressalvas, levando-se em conta a época em que foram produzidos).

Esse impulso foi promovido também pela mídia, que deu ampla cobertura para a divulgação desses relatórios, trazendo o assunto para fora das ‘quatro paredes’ ou do consultório médico. A revolução sexual empreendida nos anos 1960 e 1970 também colocou o comportamento sexual na pauta do dia, endossando a premissa de que o sexo é uma manifestação universal, inevitável e saudável.

Agora, o Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da FMUSP, em conjunto com centros de pesquisa de 45 países, está realizando um grande estudo transcultural, da Sexualidade (ISS)”, que chamado tem por objetivo “Pesquisa Internacional examinar diferentes comportamentos sexuais, incluindo aspectos positivos (por exemplo, satisfação sexual, desejo sexual) e negativos (riscos sexuais, problemas do funcionamento sexual). É o maior estudo em sexualidade já realizado, com meta de alcançar o número de 90 mil participantes (2 mil em cada país). Essa pesquisa também pretende observar mais amplamente alguns comportamentos sexuais que podem resultar em sofrimento significativo (compulsão sexual, disfunções, etc.) ou prejuízo funcional em diferentes domínios, examinando sistematicamente por que e para quem diferentes comportamentos sexuais podem apresentar resultados ideais ou adversos, e ajudar aqueles que tenham uma experiência sexual problemática.

Com o ISS, será possível fornecer escalas públicas que avaliem de forma confiável diferentes comportamentos sexuais, que poderão ser usadas em pesquisas futuras, identificar fatores de risco e proteção, bem como populações que podem ser alvos de proteção e intervenções. Sexo e a cidade Existe diferença no comportamento sexual a partir da cidade em que cada indivíduo vive? Será São Paulo, por exemplo, por seu tamanho e heterogeneidade, uma cidade mais livre sexualmente ou onde ocorrem mais comportamentos sexuais problemáticos? E quais as diferenças – ou similaridades – que serão apontadas no comportamento sexual de cada país do estudo? E com a pandemia, com o isolamento social e a redução no contato físico entre as pessoas, o que mudou? o sexo virtual ganhou corpo?

Esses e muitos outros questionamentos serão objeto desse grande estudo, totalmente on-line, gratuito e anônimo, que tem como coordenador no Brasil o psiquiatra Marco Scanavino, Professor Contratado e Pesquisador do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, fundador e coordenador do AISEP – Ambulatório de Impulso Sexual Excessivo e de Prevenção aos Desfechos Negativos associados ao Comportamento Sexual do IPq. A coordenadora principal da Pesquisa Internacional da Sexualidade (ISS) é a Dra. Beáta Bőthe, da Universidade de Montreal, Canadá.

A pesquisa é on-line, anônima e gratuita. Queremos saber sua opinião!


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Publicado por: Fabrício Viana
Fabrício Viana é o jornalista (MTB 80753/SP), escritor LGBT premiado e responsável pela assessoria de imprensa e comunicação da APOLGBT SP, ONG que realiza a maior Parada LGBT do mundo. Contato com a Diretoria da ONG, aqui.