A juventude fazendo a diferença na militância LGBT de São Paulo

Entrevista com Willian S. Martins, um dos organizadores do GT de Juventude LGBT

1) Willian, o que é o GT da Juventude LGBT?
Willian:
O GT (Grupo de Trabalho) da juventude é um núcleo organizado por jovens e afins, em cooperação com a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT SP), que visa promover o incentivo de jovens para a militância política e ideológica do segmento LGBT.

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Willian S. Martins

2) Quando que o GT da Juventude foi criado?
Willian:
GT da Juventude LGBT foi criado no meio do ano de 2015. Entretanto, podemos considerar que o GT da Juventude foi reativado, tendo em vista que a Secretaria de Jovens da Associação deu início em 2001, onde, desde essa época, alguns jovens veem colaborando e abraçando a causa da APOGLBT-SP.

3) Qual seu principal objetivo?
Willian:
Promover ações e incentivar o interesse de jovens na militância LGBT, empoderando e trazendo-os para a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Jovens possuem energia, garra e muita força de vontade. E não só podem como devem fazer a diferença.

4) O GT da Juventude é um grupo fechado? Válido apenas para os associados da APOGLBT?
Willian: Não. O GT existe graças a pró atividade dos jovens na militância LGBT em São Paulo, não faz sentido ser um grupo fechado. Mesmo porque nós buscamos novas opiniões e ideias. Quem tiver interesse de fazer parte, é só entrar em contato com a gente. Estamos sempre de portas abertas.

5) Como um grupo de jovens, há ordens estabelecidas pela diretoria da APOGLBT?
Willian: O importante é o respeito pelas diretrizes pré estabelecidas para o GT da Juventude não perder o foco e planejar as ações sempre com autonomia e respeito entre seus colegas. A direção da APOLGBT acompanha todas as ações, como a recente “marque-se contra a transfobia”, que resultou, inclusive, no início da campanha #ChegaDeTransfobia. Campanha esta que veio de encontro com o tema da Parada do Orgulho LGBT de 2016 “Lei de Identidade de Gênero, Já! Todas as pessoas juntas contra a transfobia”. Somos um grupo de jovens, apoiados pela APOGLBT e por isso também carregamos responsabilidades.

6) Jovens de outras ONGs, coletivos ou independentes, interessados no GT, também podem participar?
Willian: A união dos jovens na militância LGBT é importante, independente se já atuam em coletivos e outras ONGs. Até militantes independentes, todos ganham e somam vozes com a gente. Juntos, somos sempre mais fortes! Todos são bem vindos.

7) Tem algum exemplo? De como conquistam mais jovens para as ações do GT?
Willian: Sim, temos muitos exemplos! O mais recente, como dito anteriormente, foi o vídeo que tem mais de 34 mil visualizações em nossa fanpage sobre as ações transfóbicas que deixam marcas para sempre, já que o Brasil é o país que mais mata travestis, mulheres transexuais e homens trans no mundo! Quatro vezes mais que o México. Um teste foi realizado com um resultado surpreendente no dia 14 de fevereiro, no Bloco da Diversidade em São Paulo, onde 10 mil participantes aderiram a ação e a uma festa temática no mês passado. Todos os convidados se marcaram com as cores azul, branco e rosa. Tiraram fotos, compartilharam nas redes sociais e foi um sucesso! Fruto da campanha que entrou no ar, o que usa a hashtag #ChegaDeTransfobia. Estamos muito orgulhosos de termos começado este movimento. Sabemos da nossa importância.

8) Então é verdade? As redes sociais ajudaram neste trabalho de jovens na militância LGBT?
Willian: Muito, porque recebemos respostas e publicações das pessoas que também se marcaram com as cores da militância T. E não somente no dia 29 de Maio. Todos os dias ainda temos estas publicações. Essas manifestações estiveram ainda no Ciclo de Debates, Feira Cultural LGBT e Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade. Além da própria Parada do Orgulho LGBT.  O empoderamento dos jovens, que em sua maioria moram em periferias invisíveis aos olhos da gestão pública na luta contra o preconceito é muito importante:  basta dar espaço, voz e reconhecimento ao esforço de cada um.

9) Para fazer parte, entrar em contato? Qual o e-mail?
Willian: Pode escrever para o meu e-mail que eu respondo, passo informações e também faço a ponte com o GT Juventude LGBT. Meu e-mail, da APOGLBT, onde também sou um dos diretores, é willianmartins@paradasp.org.br

10) O grupo é assistido por adultos? Outros profissionais?
Willian: Sim, por se tratar de um grupo de jovens, tem o apoio do presidente da APOGLBT e também advogado Fernando Quaresma. Nosso sócio-diretor, Nelson Matias Pereira, recentemente publicou uma nota sobre o GT da Juventude, nele, diz:

“Para a APOGLBT a juventude é de fundamental importância para qualquer país, para qualquer organização. Ainda que  a juventude não tenha grandes experiências, mas a juventude é o grupo que renova que questiona; é a juventude que capta as mudanças com mais facilidade. Estas mudanças que estão acontecendo na cultura, sociedade, na política. Sem esquecer que para concretizarmos essa mudança, cabe ao próprio jovem reivindicar e assumir seu papel na participação de movimentos sociais e políticos. Afinal, eles representam quase 20% dos eleitores e qualquer mudança na história, na política e no desenvolvimento econômico deste país passa pela participação ativa da Juventude. Qualquer país que não invista na juventude, não tem futuro. A ideia de trazer os jovens é primeiro dar empoderamento a essa juventude, e compor  a experiência dos mais experientes com o vigor e ousadia e força da juventude.”

11) Obrigado pela breve entrevista. Para finalizar, é possível mostrarmos algumas fotos do grupo? Do último evento, por exemplo?
Willian: Sim, claro. Temos muitas. As fotos foram tiradas pelo Rodrigo Ferreira na Avenida Paulista, durante a ação “Marque-se #ChegaDeTransfobia”, no último dia 29 de Maio.

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