quinta-feira, julho 20, 2017
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drag queen

LGBTs representam grande parte da sociedade, ocupando cargos e sendo referência para muitos. Esse é o caso do professor Luis Lima, que foi dar aula montado de drag queen, na última quarta (17), para promover a reflexão sobre a importância do combate à LGBTfobia.

Foto: Friday Manson/Arquivo pessoal

No dia que é celebrado o dia internacional de combate à LGBTfobia, os alunos de uma escola pública de João Pessoa tiveram aula com Friday Manson, nome usado por Luis no meio artístico.
Ele tem 25 anos, licenciatura e mestrado no ensino de Química, e ressalta a importância dessa representatividade para os alunos LGBTs.

“Desde que comecei a ensinar, há 7 anos, eu sou o professor que eu queria ter tido, principalmente como LGBT. Enquanto estudante, eu achava que eu não podia ocupar alguns espaços e trilhar alguns caminhos porque a sociedade me dizia que aquele espaço não era próprio para quem é homossexual… Não quero que meus alunos se sintam como eu me senti há muitos anos”, disse o professor.

Quanto a se montar de drag queen, ele recebeu a permissão da diretora para fazer a intervenção, que foi colocada em prática com os alunos do Ensino Médio, pautando que o ambiente escolar não deve ser um espaço para o reforçar as diferenças, e sim celebrar a diversidade.

Professor Luis/Arquivo Pessoal

Embora os estudantes já soubessem do lado artístico do professor, essa foi a primeira vez que Luis foi visto de drag pela turma. Ele afirma que os alunos tiveram uma aceitação muito positiva da situação, e que alguns, ao final da aula, foram declarar a admiração e o quanto aquilo foi importante para a composição de um futuro melhor.

“Um aluno disse que a perspectiva dele mudou muito, enquanto LGBT. Disse que eu sou um referencial positivo. Eu até chorei, porque a intenção é essa. Representatividade importa”, afirma.

Chandelly Kidman, personagem drag queen de Dackson Mikael de Sousa Rodrigues, 24 anos, resolveu conciliar suas performances nos palcos da noite LGBT com animações para crianças que fazem tratamento de câncer.

Em entrevista dada ao portal G1, Dackson disse que estes projetos sociais o alimentam como ser humano. Seu trabalho, que é realizado uma vez por mês no Hospital São Marcos, clinica referência no tratamento do câncer no Piauí, diverte não só as crianças mas também pais, mães e até mesmo os profissionais de saúde do local.

“Esse projeto significa muito tanto para mim quanto para as crianças porque isso acaba sendo uma extensão do tratamento que elas fazem no hospital. Era um desejo pessoal e eu não tinha noção do quanto era importante. Estou fazendo parte da vida dessas crianças e de alguma forma ajudo no tratamento. Com o projeto, eu reflito mais sobre o mundo por conta do poder dessa sutiliza”, disse.

Dackson Mikael de Sousa Rodrigues
Chandelly Kidman, que existe há 4 anos, nasceu de um concurso chamado Brasilian Drag. Depois disso, ela já se apresentou em São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão e Pará.

“Esse projeto (com as crianças) me dá um gás e me dá uma noção do que é o mundo humano. A gente vê e percebe o poder da gentileza. Me alimenta como pessoa, como artista. É uma troca de energias”

Por Fabrício Viana

Drag Queen Tchaka, a “Rainha das Festas”, como ela mesma se vende (e muito bem, obrigado!), é uma mistura gostosa de arte com militância. Arte porque, para ser uma drag queen, tem que ter seus talentos artísticos (aprendidos ou inatos) e militante porque, ao contrário de outros artistas, é participante ativa da militância LGBT há anos. Conseguimos uma entrevista exclusiva com essa menina.

Vamos ler, comentar e compartilhar?

1) Qual seu nome e sua formação? Pode falar?
Meu nome é Valder Bastos Santos, sou formado em direito pela Universidade Brás Cubas e tenho o curso profissionalizante de ator na Escola de Teatro Macunaíma.

2) Quando a personagem Drag Queen Tchaka surgiu em sua vida? Há quanto tempo você trabalha com ela?
Em meados dos anos 2000 um grupo de amigos resolveu que no revellion desse mesmo ano alguém se ‘montaria’ de Drag Queen e eu fui o escolhido por ser ‘a mais pintosa’, espalhafatosa e engraçada. Então em 2016, faço 16 anos de carreira na arte de encantar através do lúdico e estou na marca de mais de 4 mil eventos, shows, palestras, feiras, congressos, participações em programa de TV, teatro e cinema por todo Brasil.

3) Porque o slongan “Tchaka, a rainha das festas”?
O título de “TchaKa, a rainha das festas” surgiu de um convite do jornalista Maurício Coutinho que, no ano de 2010, fez uma exposição “InformaSamba 2010” no Shopping Ligth e me coroou como a rainha das festas da cidade de São Paulo. Teve faixa e tudo. Adorei a brincadeira e comecei a usar positivamente ao meu favor.

4) Além de toda a alegria, simpatia e irreverência, a Tchaka é uma boa “marqueteira”. Você fez algum curso ou aprendeu tudo com a vida?
Adoro a arte de vender, fiz diversos cursos no Sebrae sobre empreendedorismo, mesmo na época da faculdade eu já vendia cestas de café da manhã para ajudar a pagar a mensalidade. Hoje faço workshop e apresentação de novas drag queens, como por exemplo, o projeto “Drag Contest” que é patrocinado pela Prefeitura de São Paulo. Acredito que todos profissionais, independente de sua área, deveriam fazer um curso de como vender suas habilidades profissionais. Digo sempre o seguinte: quanto deveria ganhar um advogado com 16 anos de carreira? É exatamente ou até mais o que devo ganhar na profissão de ator performático, temos que aprender que ser ator além de ‘vocação’ (que é questionável) também e fazer um planejamento estratégico de carreira.

5) Quais os trabalhos que a Tchaka realiza no dia a dia? Festas infantis? Eventos corporativos?
Hoje a Tchaka é multimídia: realizo diversos atividades, sou uma drag queen do dia (risos). Durante o dia fico no escritório da “Agência de Animação Tchaka Eventos”, somos 16 atores e atrizes como anões, DJs, recepcionistas, bartenders e drag queens: todas no estilo Tchaka de ser. Gravo o programa Okay Pessoal no SBT, estou em cartaz no teatro, também ministro “Palestra Motivacional Lúdica” para grandes empresas e faço as tradicionais festas sociais, como por exemplo aniversário surpresa, chá de cozinha, chá de bebê, chá de casa nova, chá-bar, festas de formatura, festa de casamento, bodas, festa de debutantes, etc

6) Diferente de alguns artistas, você se preocupa muito com a militância LGBT. Da onde vem este sentimento de querer fazer algo por um mundo melhor?
O sentimento que me motiva vem de minha mãe, que é uma mulher de 82 anos e que sempre lutou por dias melhores, envolvida com política na adolescência, lá na época da ditadura, ela lutava pelos direito da mulheres, etc. A faculdade de direito me deu base para falar corretamente, ser bom na oratória e entender o que sou e devo fazer nesse mundo. O envolvimento com as questões dos direitos dos LGBTTs vem dessa época, e do enfrentamento direto. Uso minha imagem, arte, força e voz para tentar por meio do lúdico despertar outras cabeças pensantes.

7) A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, o maior evento de visibilidade LGBT do mundo, é promovido pela APOGLBT há 20 anos. Você tem acompanhado esta evolução? Se sim, o que mudou na sociedade graças a Parada?
O trabalho desses 20 anos da APOGLBT é essencial para que hoje possamos ser o que somos, com a visibilidade e sensibilização da população. O respeito para os LGBTTs que até então é renegada, começou a ser vista, sentida e vivenciada de forma mais tranquila. A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo beneficia à todos os lgbtts do Brasil por ser politizada. Precisamos continuar na luta para que chegue um domingo, na Avenida Paulista, e realmente tenha só a festa de todas as vitórias que conquistamos anteriormente. Enquanto isso não acontece, precisamos ter consciência que #FervoTambemÉLuta

8) Há 3 anos, você apresenta, junto com outros artistas, a Parada do Orgulho LGBT na Avenida Paulista. Como é esta experiência?
Drag Queen Tchaka ser a apresentadora da parada LGBTT de São Paulo é um mix de dever social e responsabilidade em se comunicar com 3 milhões de cabeças pensantes, é me fazer ser a voz daqueles que o ano inteiro não tem.

9) Tem algum fato que te marcou, durante alguma Parada do Orgulho LGBT de São Paulo?
Vários momentos me marcaram durante esses anos. Sempre venho no chão (exceto esses 3 últimos anos que apresentei no primeiro trio) e um determinado ano, vendo os trios passarem, ouvi de longe o Hino Nacional Brasileiro cantado brilhantemente pela travesti e cantora Renata Peron. Foi muito emocionante. E esse ano, em especial, ver à frente do primeiro carro o grupo “Mães Pela Diversidade”.

10) Sabemos que famílias e crianças também participam da Parada. Como elas encaram a personagem Tchaka. Ou outros artistas?
A cada ano o número de famílias com crianças vem aumentando e isso é deliciosamente positivo para o movimento. Devemos grande parte desse processo às drag queens que nesses 20 anos transformaram à Avenida Paulista e a Avenida da Consolação num tapete arco-íris, com todas as suas cores, alegria, militância, excentricidade e exuberância. A figura da drag Queen no universo heteronormativo é visto como deve ser: de artistas. E dessa forma ajudam comunicando as mensagens políticas, durante à manifestação, para todas as pessoas.

11) Tchaka também pode ser vista no teatro? Tem alguma peça em cartaz neste momento?
Esse ano me permiti brincar, brilhar e entreter almas também nos palcos do Teatro Brigadeiro aos domingos com a comédia “As Vizinhas”. Compartilho o palco com os atores Carri Costa, Solange Teixeira, Thiago Cavalcante e Valder Bastos.

12) Para finalizar, o que você diria para todas as pessoas LGBTs que estão lendo, neste momento, esta entrevista?
Muitas pessoas, por ver a Tchaka correndo, trabalhando, realizada no casamento de 16 anos com maridão Chefe Carlito, feliz da vida, etc me veem como exemplo positivo. Sempre falo o seguinte: ter estudado me deu liberdade de fazer as escolhas certas, então LGBTTs de nosso gigante país, vamos estudar, ler muito e assim termos a consciência que temos que fazer nossa parte nessa transformação, afinal, o mundo que queremos só será possível se todos e todas formos respeitados e respeitadas pelo que somos.

13) Pode deixar seu site e contatos? Muito obrigado pela entrevista!
O site é www.tchaka.com.br. WhatsApp 11 991327750 e o instagram @TchaKaDragQueen

A oficina ”Montagem: Nasce uma Drag Queen” estará presente na 16ª Feira Cultural LGBT no Vale do Anhangabaú em São Paulo

            Dindry Buck (www.dindry.com), personagem Drag Queen interpretada por Albert Roggenbuck, que também é ator, maquiador, publicitário e jornalista, promove a oficina “Montagem: Nasce uma Drag Queen” na 16ª Feira Cultural LGBT que será realizada dia 26 de Maio no Vale do Anhangabaú em São Paulo.

dindry-buck-dragqueen

A oficina, realizada há anos, pretende compartilhar com todas as pessoas interessadas informações de como o transformismo surgiu na história da humanidade e como as Drag Queens, dentro deste movimento, começaram a ganhar espaço e atenção do público em trabalhos artísticos dentro e fora da comunidade LGBT.

Segundo Drindry, para participar da oficina é fácil, basta chegar pelo menos 20 minutos antes do evento, fazer um cadastro e prestar muita atenção na aula prática. Após as aulas sobre montagem que incluem maquiagem e figurino, além de toda a parte teórica, o melhor aluno ou aluna ganhará a faixa “Drag Diversidade”.

E se você acha que a oficina é só para a comunidade LGBT, engana-se. Heterossexuais, homens ou mulheres, também são muito bem vindos. Afinal, ser uma Drag Queen é uma grande arte! Portanto, não marque bobeira, anote o dia, local e horário e se jogue com muita purpurina!

Relação dos oficineiros:

– Dindry Buck: é ator, maquiador, publicitário e jornalista;
– Ivo Brasil: formado em gestão de eventos, carnavalesco e gestor cultural;
– Eduardo Moraes: fotógrafo, jornalista e ator;
– Sissi Girl: Drag Queen no ramo do entretenimento em festas e eventos a mais de 20 anos, maquiador, cabeleireiro e militante LGBT.

Serviço:

Data: 26 de maio de 2016
Oficina ”Montagem: Nasce uma Drag Queen”
Onde? Na16ª Feira Cultural LGBT – APOGLBT
Endereço: Vale do Anhangabaú, São Paulo/SP
Horário da oficina:13h às 15h
Horário da Feira: 10h às 22h
Entrada: Franca

16ª Feira Cultural LGBT

– Data: 26 de maio
– Horário: das 10h às 22h
– Local: Vale do Anhangabaú – ao lado do metrô Anhangabaú em São Paulo
– Realização: APOGLBT
– Produção: FourX em parceria com a Groupe 360º e OCP
– Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/508776212647310