sábado, abril 29, 2017
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Por Tamara Smith*

23 anos depois, a luta continua diariamente contra o preconceito, a cultura do estupro e o machismo; com o tema ”Visibilidade, Saúde e Organização” aconteceu no Rio de Janeiro o 1º Seminário Nacional de Lésbicas (SENALE).

Uma das mais importantes conquistas: um espaço de discussão voltado exclusivamente para lésbicas com o objetivo de fortalecer suas vozes a organização política e condição social; não esquecemos do ”Stonewall Brasileiro” que aconteceu dia 19 de agosto, de 1983 no Ferro’s Bar em São Paulo aonde Rosely Roth com outras integrantes do Grupo de Ação Lésbico-Feminista (GALF), reivindicaram com o apoio de aliados, de outros coletivos, representantes do poder público e judiciário, o direito de divulgar o jornal Chanacomchana escrito por ela e Miriam Martinho; pois como um local frequentado por lésbicas, recusou o apoio ao trabalho voltado para elas? A conquista repercutiu na imprensa que tratou com devido respeito a ação social de que todos os dias sofriam ameaças e a repressão da ditadura militar.

Os anos passaram, conquistas e visibilidade ganham espaço graças a rapidez para se comunicar e chegar ao inacessível, aos jovens e adultos que buscam ajuda sobre a descoberta de si mesmo(a) e dividem suas opiniões e experiências: fundação de coletivos, ações de militantes independentes sendo reconhecidos por pessoas próximas ou até mesmo de outros continentes.

A discriminação contra as mulheres no esporte, mercado de trabalho e na política vai acabar com a união, agora não é momento de dizer ”sou mais militante do que você…” ou ainda ”sofro mais racismo do que você…”, sem falar no ”sou mais discriminada do que você”.

Se queremos de fato equalidade de direitos e união, diremos:

” Estou com você na luta contra o machismo, a cultura do estupro e o preconceito.”

Dia 29 de agosto, dia da visibilidade lésbica.

 

* Tâmara Smith tem 27 anos, é lésbica, estudante de Comunicação Social/Jornalismo e militante LGBT. Seu twitter é http://twitter.com/aboiola

Para quem não acompanhou, nesse final de semana em Las Vegas aconteceu o UFC 200. E não foi uma luta “qualquer”, a baiana Amanda Nunes ganhou da Miesha Tatecom ao finalizar a luta com um mata-leão no primeiro round. A comemoração foi em dobro: Amanda é brasileira e a primeira lésbica assumida a ganhar um título no Ultimate Fighter.

Na coletiva de imprensa ela agradeceu a namorada, Nina Ansaroff, companheira de luta na categoria peso-palha do American Top Team.

”É incrível, sou feliz comigo mesma. É isso o que importa. Nina é a melhor parceira de treinos da minha vida. Ela vai ser a próxima campeã dos palhas, podem ter certeza! Ela tem muito talento e significa tudo para mim. Me ajuda demais. Eu a amo. ”

A declaração de amor (que jamais deve ser escondido!) foi exemplar. Parabéns pela conquista, Amanda! Estamos todos orgulhosos! Que você sirva de exemplo para muitas outras meninas que estão no armário e precisam viver uma vida plena e satisfatória. E, de preferência, com grandes conquistas como a sua!

Por Tâmara Smith

Conheça a Karina Dias, autora do livro SEM DESTINO: depois que ela partiu…
e outros títulos “de meninas para meninas”

Neste final de semana aconteceu o segundo lançamento do livro “SEM DESTINO: depois que ela partiu…”, da escritora Karina Dias no Museu da Diversidade de Sexual em São Paulo. Evento tão esperado pelos leitores e fãs da literatura LGBT, Karina concedeu uma entrevista exclusiva para nosso site. Confira:

1 – Obrigado pela entrevista. Embora acreditemos que para ser uma boa escritora não precisa necessariamente de uma boa formação, queremos saber: qual é a sua formação acadêmica? Fez especialização? Algum curso específico para a escrita?

Karina: Eu quem agradeço. 🙂 Eu sou jornalista, formada na Universidade São Judas Tadeu, São Paulo. Fiz Mestrado em Jornalismo Contemporâneo na Faculdade Cásper Líbero, São Paulo. Pesquisadora, membro do grupo de pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo. Roteirista, produtora e editora.

O jornalismo ajudou muito na questão do aperfeiçoamento da escrita, sobretudo no que se refere a uma das práticas mais importantes (em minha opinião) para o escritor, que é a pesquisa. Através da pesquisa, nos tornamos ótimos ouvintes e observadores, além de permitir maior avanço da realidade espelhada da literatura. Para mim, literatura, acima de tudo, reflete o contexto social em que estamos inseridos.

2 – Quantos livros você já escreveu, qual seu público alvo e quais os títulos foram traduzidos para os outros idiomas?

Eu escrevi 4 livros: “Aquele dia junto ao mar”, “Diário de uma garota atrevida”, “As Rosas e a Revolução” e “SEM DESTINO: depois que ela partiu…”. Este último é uma realização do Governo do Estado de São Paulo e Secretaria da Cultura do Estado, através do Proac 26/2015.

Participei também de 3 coletâneas: “Orgias Literárias da Tribo”,  “Rio de Cores” e “Voces Para Lilith”  (somente neste último a publicação foi em espanhol, por ser a primeira antologia de literatura lésbica da América Latina). Ainda não tive a oportunidade dos meus livros serem traduzidos para outros idiomas.

Meu público alvo são as mulheres lésbicas e bissexuais.

3 – Você ganhou o Prêmio Papo Mix em 2014 e o Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade em 2015, ambos na categoria literatura LGBT; por quê o reconhecimento aos escritores LGBTs é importante neste segmento?

Os prêmios são muito importantes porque dão visibilidade, não somente ao nosso trabalho, mas a nossa bandeira contra o preconceito. É uma forma de dizer que nós existimos e fazemos cultura LGBT. Existe um público que respeita o nosso trabalho e as nossas histórias são ferramentas de militância, pois mostram o mundo real, em que os homossexuais vivem como qualquer outro cidadão, embora não tenhamos os mesmos direitos (ainda, infelizmente). No Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade 2015, por exemplo,  ganhamos todos, lésbicas, gays, trans, travestis… pois foi a premiação de uma coletânea linda, o “Orgias Literárias da Tribo”, que trouxe uma gama de experiências e sensações. Muito bom ter o privilégio de compartilhar. Sozinhos nós não somos absolutamente nada.

4 – No livro As Rosas e a Revolução, você traz a realidade das personagens Vilma e Alda que juntas, durante a ditadura militar, resistem a repressão mesmo após 48 anos. Esse sombrio momento na política ainda está presente na sociedade? Como você vê isso?

O período ditatorial é importantíssimo para nós, brasileiros. Infelizmente, correntes conservadoras, até fascistas, insistem em minimizar a história ou fomentam nas mentes e corações de parte da sociedade a opinião de que a ditadura foi ou é  bom para o país (um absurdo! Basta estudar o tema para achar um grande absurdo). Nenhum sistema opressor, seja de direita, seja de esquerda é saudável. A democracia, por mais difícil que seja, ainda é a melhor opção.

Neste momento político atual (2016), penso que existe uma onda de insatisfação e desencanto com a política. Mas há também a força daqueles que resistem e dizem NÃO ou retrocesso. Talvez possamos dizer que o estopim para o momento político atual foram as manifestações de junho de 2013. Daí em diante, percebe-se claramente a apropriação das manifestações por grupos oportunistas que atacam diretamente a democracia. Não vivemos hoje uma ditadura militar, mas sim, uma possibilidade real de que os avanços democráticos sejam duramente reprimidos pelo conservadorismo presente em nosso Congresso. Nos acostumamos com a fragilidade dos discursos, dos debates, e beiramos ao esquecimento histórico, que pode ser fatal para a nossa democracia tímida e jovem. Por tudo isso, tenho muito orgulho de ter lançado o livro As Rosas e a Revolução que resgata a memória (mesmo de forma fictícia) de um período que todos nós, brasileiros, deveríamos temer de recriar em nossa política.

5 – Você é uma escritora que alcança lésbicas e meninas bissexuais, a empatia da leitora pela personagem, ajuda na compreensão dos desafios de ser LGBT na sociedade atualmente? Meninos também leem seus escritos?

Quando penso em uma história, procuro abordar assuntos atuais e trazer para as minhas personagens a simplicidade do cotidiano. Criar a empatia entre personagem e leitor é muito importante para construir um elo afetivo. Através desse elo, percebi que as narrativas ajudam em uma das questões principais dos LGBTs, que é a aceitação. Aceitar-se e ser feliz exatamente como somos, independente da sexualidade. Minhas personagens são gente comum, que sofrem, choram, sentem… Não tem poderes especiais, mas resolvem as dificuldades impostas pela vida (as quais todos estamos sujeitos), sem se submeter ao modelo heteronormativo hipócrita que rege a sociedade machista em que vivemos. Recebo muitas mensagens de pessoas que não são homossexuais. Homens e mulheres, gays, trans… que leem as minhas histórias e gostam do enredo. Isso é gratificante, pois nos une e a união, a compreensão, a tolerância, são as melhores ferramentas de resistência. Da mesma maneira que eu me encanto com romances héteros, gays, é maravilhoso saber que as pessoas também gostam das minhas narrativas. A sexualidade das personagens é o que menos importa (quando essa ideia estiver presente na sociedade, seremos um povo mais justo e menos preconceituoso), o bom mesmo é se emocionar e viajar sempre em um mundo novo, capaz de acalentar os nossos corações.

6 – Como foi o processo de busca por editora? Você publica seus livros da forma independente? Existem editoras que publicam livros com temática LGBT?

Sempre publiquei com editora, exceto “As Rosas e a Revolução” que eu me enveredei pelos caminhos da publicação independente. Foi uma experiência maravilhosa que eu quero repetir. Contudo, buscar uma editora, apesar de ser mais difícil, é um caminho muito melhor para se percorrer. Existem editoras especializadas na temática LGBT, a Metanoia, que publicou o meu último livro é uma delas. Tem também a Editora Orgástica, a Vira Letra e a PEL.

7 – A Literatura LGBT hoje é pouco difundida, inclusive por veículos LGBTs. Poderia citar outros autores, homens, mulheres ou trans, que possuem livros e que merecem serem lidos?

Pois é. Realmente, ainda falta muita visibilidade. No entanto, cada vez mais percebo que as pessoas estão produzindo, seja no impresso, seja em canais virtuais, como blogs e sites. Eu mesma vim da internet, como outras autoras. A Editora Malagueta, que hoje, infelizmente não publica mais, lançou os meus dois primeiros livros, um deles já tinha feito barulho na internet, que é o “Aquele dia junto ao mar” (esgotado) e o da “Drika Silva”, que também foi do virtual para o impresso, publicou também uma das autoras que eu mais admiro no meio LGBT que é a Lúcia Facco. Tem muita gente bacana produzindo literatura, vou citar alguns nomes, mas com certeza tem muito mais. Fabrício Viana (recordista em boas histórias) e Kadu Lago. A editora Metanoia vem numa pegada incrível ao publicar tanto homens quanto mulheres, tem o Roberto Muniz Dias, a Priscila Cruz, Lis Selwyn, Janaína Garcia, em breve Marisa Medeiros. A PEL traz Mariana Cortes, Sara Lecter e Duda Drey (que fez a capa do meu livro “SEM DESTINO: depois que ela partiu…”); tem a Vira Letra com Diedra Roiz e Wind Rose. É muita gente boa produzindo, com certeza eu não coloquei o nome de muitas outras pessoas que fazem a literatura LGBT percorrer um caminho de sucesso.

9 – Seus livros são vendidos onde? Tem um site seu? Como é feito a compra?

Meus livros são vendidos em meu site www.karinadias.com.br (através de cartão de crédito, débito e boleto bancário), no site da Editora Metanoia, da Editora Brejeira Malagueta, da Editora Orgástica, Livrarias Blooks e Cultura (sob encomenda). Em breve terei novas parcerias.

10  – Obrigado pela entrevista. Para finalizar, poderia deixar seu site ou contatos? Das suas redes sociais?

Agradeço imensamente a oportunidade de conversar com vocês que desenvolvem um trabalho super sério para o mundo LGBT.

Meus contatos:

Site: www.karinadias.com.br
Facebook: facebook.com/karina.dias
Instagram: @kadiasescritora