domingo, março 26, 2017
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literatura lgbt

Escrito por Antônio Teixeira Benevides Neto, o livro Mel e Fel é lançado neste domingo no MDS (Museu da Diversidade Sexual) em São Paulo. Com apoio do Governo do Estado, o público terá a oportunidade de ouvir o relato do autor, que estará autografando a obra, das 15h30 às 18h, no local.

Natural de Fortaleza (CE), Antônio Teixeira Benevides Neto é filho de um comerciante e de uma enfermeira, que faleceu de leucemia quando ele tinha apenas onze meses. O padrão confortável da infância sob os cuidados dos avós pecuaristas, só foi interrompido pelos insultos e ameaças, principalmente por parte de seu pai, boêmio e alcoólatra. A história se assemelha a de muitos brasileiros dos quais ouvimos falar, não fosse o fato de Neto ter percebido na prostituição a possibilidade de concretizar a transexualidade e, assim, viver um grande amor. Além das dificuldades familiares, estudantis e financeiras, a autobiografia relata o contato com as drogas, a temperada de dez anos de trabalho na Europa, as conquistas materiais e as decepções afetivas numa história de reviravoltas com fim surpreendente.

“Minhas motivações sempre foram pautadas na atração que sentia pelo mesmo sexo, e na ânsia em encontrar alguém para amar e ser amado.”, enfatiza o autor.

Em meio a diferentes “fases” (masculina ou feminina) que viveu, Neto acumulou alegrias e dores, relatadas sob título “Mel e Fel”. São 600 páginas classificadas em 23 capítulos, que o autor acaba de publicar, de forma independente e tiragem limitada. Os exemplares são distribuídos diretamente pelo autor e estarão disponíveis a um preço especial durante o lançamento em São Paulo (SP).

Confirme sua presença no evento do Facebook:
https://www.facebook.com/events/1863319580546512/

SERVIÇO:

Lançamento do livro ‘Mel e Fel’, de Antônio Teixeira Benevides Neto
19/02 (domingo), das 15h30 às 18h
Museu da Diversidade Sexual, Rua do Arouche, 24 – República (Estação República do metro)
Entrada Franca

Daniel Moreira e Guilherme Viana decidiram ler livros com temática LGBT e, logo em seguida, resenhar em áudio um pouco do conteúdo e publicar no site que criaram chamado Semtions.

E, engana-se quem acha que as resenhas são simples ou superficiais. Nada disso. Gui e Ton, como um chama o outro carinhosamente durante as apresentações, leem os livros juntos e no decorrer da gravação do áudio, eles comentam o que mais gostaram, o que o livro aborda, a construção de alguns personagens e a melhor parte: contam sem contar, ou seja, não dão spoilers.

O projeto, que tem pouco tempo de vida, já resenhou quatro livros com temática LGBT e o áudio, sobre os livros lidos até o momento, podem ser escutados tanto pelo site quanto pelos seus perfis no Soundcloud e Youtube.

Ficaram curiosxs? Escute agora mesmo os quatro livros resenhados até o momento (em ordem cronológica):

Semitons #04 – Theus – Fabrício Viana

Semitons #03 – Condicional – Paulo Sérgio Moraes

Semitons #02 – Scarlet – Reynaldo Araújo

Semitons #01 – 30 dias – Moa Sipriano

Participe, comente e compartilhe o projeto Semitons:

www.semitons.com.br

Todos os livros podem ser adquiridos na Amazon em ebook ou em sites específicos, basta fazer uma busca no Google.

O MDS, Museu da Diversidade Sexual, apresenta o Sarau Literário LGBT de Natal. A atividade tem como objetivo promover uma tarde descontraída entre leitores e autores de livros com temática LGBT.

Entre xs autorxs convidadxs, estarão Drikka Silva, Karina Dias, Mayti Ulian, Priscila Cruz, Ana Luiza Libânio, Lis Selwyn, Marisa Medeiros, Ana Paula Enes, Ruth Vanessa, Lara Orlow, Fabricio Viana e Dario Neto. Além de editoras especializadas em literatura LGBT.

sarau-literatura-lgbt-natal

O evento vai das 14h as 18h e diversos livros poderão ser adquiridos diretamente com seus autores/editoras. Quem desejar recitar textos, trechos de livros, etc, será bem recebidx.

O MDS fica dentro do Metrô República em São Paulo, mais especificamente no mezanino (fora das catracas). Caso não consiga encontrar, basta perguntar aos funcionários do metrô.

Para confirmar sua presença no Facebook, o link é:
https://www.facebook.com/events/1871925469704784

Aproveite e convidem xs amigxs. Incentive autores nacionais e a produção literária LGBT.

Com data marcada para Março de 2017, brasileiros ganham seu primeiro congresso nacional, online e gratuito de livros com temática LGBT.

Literatura Gay“, “Literatura LGBT“, “Literatura LGBTTT“, “Literatura Lésbica” ou “Literatura Queer” é o nome dado ao conjunto de livros com temática LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros), escritos ou não por autores LGBTs, e direcionados ou não para o público LGBT.

Embora alguns não gostem destas classificações, muitos autores as entendem como um movimento político: unindo, incentivando, compartilhando e promovendo livros com temática LGBT.

Idealizado pelo jornalista, bacharel em psicologia e autor de livros com esta temática, Fabrício Viana, o “I Congresso Nacional Online de Literatura Queer” é um evento 100% online e gratuito que tem como principal objetivo unir editores, escritores e leitores de livros com temática LGBT.

Tenho observado um aumento significativo na produção literária queer nos últimos anos. São autores independentes, editoras e diversos profissionais produzindo literatura assumidamente LGBT. Porém, somos muitos e infelizmente estamos dispersos. A ideia do Congresso Nacional Online de Literatura Queer é justamente unir todas estas pessoas. Unir leitores, autores e editores e, assim, potencializar a promoção de todos, para todos.”, explica Viana.

Até o momento, o Congresso já tem mais de 19 palestrantes.

Convidei individualmente todas estas pessoas. Porém, suas biografias e temas de suas palestras só entrarão no site nas próximas semanas. São pessoas com trabalhos fantásticos e que irão se dividir em temas que já dominam, como ‘O mercado literário’, ‘A importância de personagens LGBTs na literatura’, ‘Publicação’, ‘Autopublicação’, ‘Como criar personagens LGBTs’, ‘A história da literatura queer’, ‘Escrita criativa’, ‘Como escrever seu livro’, ‘Gêneros literários’, entre outros.”, completa Viana.

Para participar é fácil, basta entrar no endereço www.literaturaqueer.com.br e preencher os dados da ficha de inscrição. O evento, marcado para ocorrer entre os dias 27 de Março e 02 de Abril de 2017, também tem uma página no Facebook: http://facebook.com/literaturaqueer

Até a data do evento, outros palestrantes serão divulgados. A criação do evento está, realmente, agradando muita gente. Estamos fazendo história. A nossa história.”, finaliza Viana.

Assista ao vídeo de apresentação:

Serviço:

I Congresso Nacional Online de Literatura Queer
De 27 de Março à 02 de Abril de 2017
Inscrições gratuitas no endereço: http://www.literaturaqueer.com.br

Será realizado nesta quinta, dia 06 de outubro de 2016, às 19h, na Casa de Cultura Japonesa em São Paulo, o Café Acadêmico “As representações LGBT na canção brasileira” e o lançamento do livro “Nós duas”, de autoria do pesquisador Renato Gonçalves.

Com prefácio do Prof. Dr. Walter Garcia, músico e docente do IEB-USP, a obra “Nós duas- as representações LGBT na canção brasileira” traça um panorama histórico-social da temática LGBT em um dos produtos culturais mais significantes no Brasil, a canção popular-comercial. Selecionando um repertório compreendido entre a década de 1970 e os dias atuais, o pesquisador Renato Gonçalves promove diálogos multidisciplinares para abordar a canção em suas diversas dimensões, como letra, imagem e performance.

O evento contará com a presença da cantora e compositora Marina Lima e do Prof. Dr. Ferdinando Martins (FFLCH e ECA-USP).

Quando: 06.10.2016, às 19h

Local: Casa de Cultura Japonesa, Av. Prof. Lineu Prestes, 159, Cidade Universitária, São Paulo – SP.

Fabrício Viana (www.fabricioviana.com) é jornalista, escritor e bacharel em psicologia, em seis anos ele já escreveu e publicou quatro livros com temática LGBT: “O Armário” (sobre a homossexualidade), “Ursos Perversos” (contos homoeróticos), “Orgias Literárias da Tribo” (coletânea LGBT premiada duas vezes em 2015) e o recente “Theus. Do fogo à busca de si mesmo” (romance com temática gay).

COLETANEA-LGBT-LITERATURALGBTPara comemorar mais de 20 mil leitores, Viana está dando de graça, 100 exemplares da coletânea “Orgias Literárias da Tribo“. A única coletânea no Brasil onde é possível encontrar pelo menos um autor representando cada segmento LGBT.

Ao contrário do que se imagina, o livro “Orgias Literárias da Tribo” não é um livro erótico/pornô. É um livro de contos, crônicas, poesias e textos em geral que representam o dia a dia da comunidade LGBT. Com 144 páginas, 10 autores e com dois prêmios recebidos em 2015, a coletânea permite que gays leiam textos de lésbicas, lésbicas de pessoas trans e trans de bissexuais. Ou tudo fora desta “ordem”. Afinal, como diz Viana no livro, é “uma orgia literária” e a ordem não importa tanto. A leitura da obra, sim.

Para ganhar o livro gratuitamente e autografado, você terá apenas que morar no Brasil e pagar o valor do frete (R$ 8,00). Segundo Viana, como ele separou 100 exemplares para doação, não pode bancar o frete para todos (R$ 800,00). Se você gostou e quer ganhar um exemplar autografado, corra, visite o link agora mesmo e leia todas as regras:

http://fabricio-viana.blogspot.com.br/2016/07/coletanea-lgbt.html

Lembrando que não é promoção. As primeiras 100 pessoas que fizerem o pagamento do frete, leva o livro de graça e autografado. É um presente do autor, não tendo vínculo algum com a APOGLBT ou com a Editora. Portanto, se gosta de Literatura LGBT, vai lá agora e garanta o seu!

O curso de Escrita Narrativa com temática Queer – 2ª edição é um espaço para quem deseja escrever histórias que tratem de personagens e experiências que desafiem os lugares-comuns da heteronormatividade.

Mas o que é o queer? Longe de buscar uma definição, aqui o queer como um convite à desestruturação de noções tradicionais de gênero e sexualidade. Uma escrita criativa com temática queer é aquela que provoca as expectativas dos leitores em temas relacionados à orientação sexual e identidade de gênero, criando outro espaço para que sujeitos historicamente marginalizados, silenciados ou apagados se manifestem.

E para quem é este curso? Para todas as pessoas que se sentem silenciadas ou que não encontram espaço para se reconhecer nas histórias que já estão sendo contadas – supostamente sobre quem somos. Este é um curso para quem deseja escrever a própria história.

O curso é gratuito. Serão dez encontros, de 23 de agosto a 25 de outubro, sempre às terças-feiras das 19h30 às 22h.

Endereço: Complexo Cultural Funarte, Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo/SP.

Cada encontro será orientado por um tema centralizador e contará com exercícios, leituras críticas e debates:

Dia 23/08 – Por que e como escrever
Dia 30/08 – Como planejar uma história
Dia 06/09 – As ferramentas de quem escreve
Dia 13/09 – O tema
Dia 20/09 – A criação de personagem
Dia 27/09 – As tramas do enredo
Dia 04/10 – A narração e o ponto de vista
Dia 11/10 – O tempo narrativo
Dia 18/10 – O uso da descrição
Dia 25/10 – Fechamento / celebração

As vagas para o curso são limitadas. Para se inscrever, preencha o formulário na página www.ninhodeescritores.com/queer

Os inscritos selecionados serão informados via e-mail e, eventualmente, SMS.

Quem ministrará este curso?

Tales Gubes é o fundador do Ninho de Escritores, projeto de aprimoramento da escrita por meio do acolhimento, e escreve sobre gênero e sexualidade em textos e ficção e não ficção. Mestre em Cultura Visual, já ministrou cursos de extensão sobre educação e sexualidade na Universidade Federal de Goiás.

Quando juntamos o assunto homossexualidade com o ramo literário infantojuvenil a primeira reação de algumas pessoas (apenas as mais ignorantes!) é que estão “ensinando sexo” para “crianças”. E não é nada disso. No Brasil existem muitas publicações infantojuvenis que abordam a homossexualidade, ou até mesmo a sexualidade humana, de forma leve, suave e ponderada (sem nada de sexo!).

O objetivo? Além de propor uma boa experiência literária, livros deste tipo facilitam a educação dos jovens para a diversidade humana: demonstrando que no mundo também existem pessoas que gostam do mesmo sexo e, melhor, não tem nada de errado nisso.

Por isso, publicamos a lista criada pelo escritor e bacharel em psicologia Fabrício Viana com 11 livros infantojuvenis que abordam a homossexualidade. Todos eles podem ser encontrados facilmente na Internet para compra. Se você conhece algum outro, por favor, registre sua opinião nos comentários!

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A história de Júlia e sua sombra de menino
Autor: Christian Bruel

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Bem-te-vi
Autor: Marli Porto
Pode ser comprado on-line neste link

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Amor entre meninas
Autora: Shirley Souza

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Meus dois pais
Autor: Walcyr Carrasco

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O fado padrinho, o bruxo afilhado e outras coisinhas mais
Autora: Anna Claudia Ramos

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O menino que brincava de ser
Autora: Georgina Martins

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Uma bebida e um amor sem gelo, por favor
Autora: Liliane Prata

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O namorado do papai ronca
Autor: Plinio Camillo

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Olívia tem dois papais
Autora: Marcia Leite

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Tal pai, tal filho?
Autora: Georgina Martins

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Todos os amores
Autora: Georgina Martins

 

Romance Gay THEUS

fabricioviana-livrosVários livros são escritos e publicados com temática voltada para à diversidade sexual mas, como não ganham muita visibilidade, somem dos olhos atentos da população LGBT. É preciso muita garra e energia para manter a chama acesa e não desistir. Esse é o perfil do jornalista, escritor e bacharel em psicologia Fabrício Viana (foto ao lado), que escreve desde 2006.

Com quatro livros publicados até o momento, Viana tem em seu repertório o livro O Armário (sobre a homossexualidade e os processos psíquicos que envolvem a “entrada e saída do armário), Ursos Perversos (contos eróticos gays), Orgias Literárias da Tribo (uma premiada coletânea LGBT com 10 autores) e seu mais recente sucesso chamado Theus. Do fogo à busca de si mesmo (um romance gay incrível).

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Romance Gay chamado Theus: Do fogo à busca de si mesmo.

Seu ultimo trabalho tem feito tanto sucesso que seu romance gay Theus já foi resenhado por vários Youtubers, assista ao último deles, feito pelo Josué Augusto:

Aqui tem outro vídeo, publicado pelo filósofo e escritor Sérgio Viúla:

Gostou?

Então leia “Theus: Em Busca de Si Mesmo” e tire suas próprias conclusões!

Serviço:

Romance Gay: THEUS: DO FOGO À BUSCA DE SI MESMO
Autor: Fabrício Viana
Dados Técnicos: A terceira edição tem 196 páginas no formato 14x21cm
Para comprar o livro impresso:
http://bonslivroseditoradigital.com.br/theus
Para comprar a versão digital na Amazon Brasil:
https://www.amazon.com.br/THEUS-Do-fogo-busca-mesmo-ebook/dp/B00XOO003G
Fanpage do Livro Theus:
http://facebook.com/livrotheus
Página pessoal do autor Fabrício Viana:
http://fabricioviana.com

Por Tâmara Smith

Conheça a Karina Dias, autora do livro SEM DESTINO: depois que ela partiu…
e outros títulos “de meninas para meninas”

Neste final de semana aconteceu o segundo lançamento do livro “SEM DESTINO: depois que ela partiu…”, da escritora Karina Dias no Museu da Diversidade de Sexual em São Paulo. Evento tão esperado pelos leitores e fãs da literatura LGBT, Karina concedeu uma entrevista exclusiva para nosso site. Confira:

1 – Obrigado pela entrevista. Embora acreditemos que para ser uma boa escritora não precisa necessariamente de uma boa formação, queremos saber: qual é a sua formação acadêmica? Fez especialização? Algum curso específico para a escrita?

Karina: Eu quem agradeço. 🙂 Eu sou jornalista, formada na Universidade São Judas Tadeu, São Paulo. Fiz Mestrado em Jornalismo Contemporâneo na Faculdade Cásper Líbero, São Paulo. Pesquisadora, membro do grupo de pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo. Roteirista, produtora e editora.

O jornalismo ajudou muito na questão do aperfeiçoamento da escrita, sobretudo no que se refere a uma das práticas mais importantes (em minha opinião) para o escritor, que é a pesquisa. Através da pesquisa, nos tornamos ótimos ouvintes e observadores, além de permitir maior avanço da realidade espelhada da literatura. Para mim, literatura, acima de tudo, reflete o contexto social em que estamos inseridos.

2 – Quantos livros você já escreveu, qual seu público alvo e quais os títulos foram traduzidos para os outros idiomas?

Eu escrevi 4 livros: “Aquele dia junto ao mar”, “Diário de uma garota atrevida”, “As Rosas e a Revolução” e “SEM DESTINO: depois que ela partiu…”. Este último é uma realização do Governo do Estado de São Paulo e Secretaria da Cultura do Estado, através do Proac 26/2015.

Participei também de 3 coletâneas: “Orgias Literárias da Tribo”,  “Rio de Cores” e “Voces Para Lilith”  (somente neste último a publicação foi em espanhol, por ser a primeira antologia de literatura lésbica da América Latina). Ainda não tive a oportunidade dos meus livros serem traduzidos para outros idiomas.

Meu público alvo são as mulheres lésbicas e bissexuais.

3 – Você ganhou o Prêmio Papo Mix em 2014 e o Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade em 2015, ambos na categoria literatura LGBT; por quê o reconhecimento aos escritores LGBTs é importante neste segmento?

Os prêmios são muito importantes porque dão visibilidade, não somente ao nosso trabalho, mas a nossa bandeira contra o preconceito. É uma forma de dizer que nós existimos e fazemos cultura LGBT. Existe um público que respeita o nosso trabalho e as nossas histórias são ferramentas de militância, pois mostram o mundo real, em que os homossexuais vivem como qualquer outro cidadão, embora não tenhamos os mesmos direitos (ainda, infelizmente). No Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade 2015, por exemplo,  ganhamos todos, lésbicas, gays, trans, travestis… pois foi a premiação de uma coletânea linda, o “Orgias Literárias da Tribo”, que trouxe uma gama de experiências e sensações. Muito bom ter o privilégio de compartilhar. Sozinhos nós não somos absolutamente nada.

4 – No livro As Rosas e a Revolução, você traz a realidade das personagens Vilma e Alda que juntas, durante a ditadura militar, resistem a repressão mesmo após 48 anos. Esse sombrio momento na política ainda está presente na sociedade? Como você vê isso?

O período ditatorial é importantíssimo para nós, brasileiros. Infelizmente, correntes conservadoras, até fascistas, insistem em minimizar a história ou fomentam nas mentes e corações de parte da sociedade a opinião de que a ditadura foi ou é  bom para o país (um absurdo! Basta estudar o tema para achar um grande absurdo). Nenhum sistema opressor, seja de direita, seja de esquerda é saudável. A democracia, por mais difícil que seja, ainda é a melhor opção.

Neste momento político atual (2016), penso que existe uma onda de insatisfação e desencanto com a política. Mas há também a força daqueles que resistem e dizem NÃO ou retrocesso. Talvez possamos dizer que o estopim para o momento político atual foram as manifestações de junho de 2013. Daí em diante, percebe-se claramente a apropriação das manifestações por grupos oportunistas que atacam diretamente a democracia. Não vivemos hoje uma ditadura militar, mas sim, uma possibilidade real de que os avanços democráticos sejam duramente reprimidos pelo conservadorismo presente em nosso Congresso. Nos acostumamos com a fragilidade dos discursos, dos debates, e beiramos ao esquecimento histórico, que pode ser fatal para a nossa democracia tímida e jovem. Por tudo isso, tenho muito orgulho de ter lançado o livro As Rosas e a Revolução que resgata a memória (mesmo de forma fictícia) de um período que todos nós, brasileiros, deveríamos temer de recriar em nossa política.

5 – Você é uma escritora que alcança lésbicas e meninas bissexuais, a empatia da leitora pela personagem, ajuda na compreensão dos desafios de ser LGBT na sociedade atualmente? Meninos também leem seus escritos?

Quando penso em uma história, procuro abordar assuntos atuais e trazer para as minhas personagens a simplicidade do cotidiano. Criar a empatia entre personagem e leitor é muito importante para construir um elo afetivo. Através desse elo, percebi que as narrativas ajudam em uma das questões principais dos LGBTs, que é a aceitação. Aceitar-se e ser feliz exatamente como somos, independente da sexualidade. Minhas personagens são gente comum, que sofrem, choram, sentem… Não tem poderes especiais, mas resolvem as dificuldades impostas pela vida (as quais todos estamos sujeitos), sem se submeter ao modelo heteronormativo hipócrita que rege a sociedade machista em que vivemos. Recebo muitas mensagens de pessoas que não são homossexuais. Homens e mulheres, gays, trans… que leem as minhas histórias e gostam do enredo. Isso é gratificante, pois nos une e a união, a compreensão, a tolerância, são as melhores ferramentas de resistência. Da mesma maneira que eu me encanto com romances héteros, gays, é maravilhoso saber que as pessoas também gostam das minhas narrativas. A sexualidade das personagens é o que menos importa (quando essa ideia estiver presente na sociedade, seremos um povo mais justo e menos preconceituoso), o bom mesmo é se emocionar e viajar sempre em um mundo novo, capaz de acalentar os nossos corações.

6 – Como foi o processo de busca por editora? Você publica seus livros da forma independente? Existem editoras que publicam livros com temática LGBT?

Sempre publiquei com editora, exceto “As Rosas e a Revolução” que eu me enveredei pelos caminhos da publicação independente. Foi uma experiência maravilhosa que eu quero repetir. Contudo, buscar uma editora, apesar de ser mais difícil, é um caminho muito melhor para se percorrer. Existem editoras especializadas na temática LGBT, a Metanoia, que publicou o meu último livro é uma delas. Tem também a Editora Orgástica, a Vira Letra e a PEL.

7 – A Literatura LGBT hoje é pouco difundida, inclusive por veículos LGBTs. Poderia citar outros autores, homens, mulheres ou trans, que possuem livros e que merecem serem lidos?

Pois é. Realmente, ainda falta muita visibilidade. No entanto, cada vez mais percebo que as pessoas estão produzindo, seja no impresso, seja em canais virtuais, como blogs e sites. Eu mesma vim da internet, como outras autoras. A Editora Malagueta, que hoje, infelizmente não publica mais, lançou os meus dois primeiros livros, um deles já tinha feito barulho na internet, que é o “Aquele dia junto ao mar” (esgotado) e o da “Drika Silva”, que também foi do virtual para o impresso, publicou também uma das autoras que eu mais admiro no meio LGBT que é a Lúcia Facco. Tem muita gente bacana produzindo literatura, vou citar alguns nomes, mas com certeza tem muito mais. Fabrício Viana (recordista em boas histórias) e Kadu Lago. A editora Metanoia vem numa pegada incrível ao publicar tanto homens quanto mulheres, tem o Roberto Muniz Dias, a Priscila Cruz, Lis Selwyn, Janaína Garcia, em breve Marisa Medeiros. A PEL traz Mariana Cortes, Sara Lecter e Duda Drey (que fez a capa do meu livro “SEM DESTINO: depois que ela partiu…”); tem a Vira Letra com Diedra Roiz e Wind Rose. É muita gente boa produzindo, com certeza eu não coloquei o nome de muitas outras pessoas que fazem a literatura LGBT percorrer um caminho de sucesso.

9 – Seus livros são vendidos onde? Tem um site seu? Como é feito a compra?

Meus livros são vendidos em meu site www.karinadias.com.br (através de cartão de crédito, débito e boleto bancário), no site da Editora Metanoia, da Editora Brejeira Malagueta, da Editora Orgástica, Livrarias Blooks e Cultura (sob encomenda). Em breve terei novas parcerias.

10  – Obrigado pela entrevista. Para finalizar, poderia deixar seu site ou contatos? Das suas redes sociais?

Agradeço imensamente a oportunidade de conversar com vocês que desenvolvem um trabalho super sério para o mundo LGBT.

Meus contatos:

Site: www.karinadias.com.br
Facebook: facebook.com/karina.dias
Instagram: @kadiasescritora