sexta-feira, julho 21, 2017
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As celebrações do mês do Orgulho LGBT continuam. Nessa quarta-feira, 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBT acontece na Assembléia Legislativa, a tradicional Sessão Solene que homenageia a luta pela igualdade de direitos entre todas as pessoas, independente da orientação sexual ou da identidade de gênero.

Nesse ano em que a Parada do Orgulho LGBT trouxe no seu tema uma importante reflexão sobre a necessidade da luta pelo Estado laico, que não pode deixar de reconhecer direitos em virtude de posições de grupos religiosos, a sessão Solene homenageará com um diploma ativistas de diferentes gerações que tem de destacado no enfrentamento à violência e discriminação contra pessoas LGBT, combate ao racismo e machismo.

Venha celebrar o orgulho LGBT e a construção de uma sociedade sem nenhum tipo de preconceito e discriminação.

O Ato Solene é organizado pelos mandatos dos deputados e deputadas estaduais: Leci Brandão (Pc do B) Carlos Giannazi (PSOL) , Clélia Gomes (PHS) , José Zico Prado (PT) , Márcia Lia (PT) e Ramalho da Construção (PSDB).

O evento conta com o apoio institucional do SOS Racismo, APOGLBT SP e Sindicato dos Comerciários.

Confirme sua presença no Facebook:
https://www.facebook.com/events/116539922283876

A Associação da Parada LGBT de São Paulo (APOGLBT SP) convida outras ONGs de direitos LGBTs, coletivos e militantes independentes para a reunião dos GTs (Grupos de Trabalho) para o Mês do Orgulho LGBT em 2017.

A reunião será neste sábado, 03/06, às 13h30, na UGT (Rua Aguiar de Barros, 144)

Pedimos a gentileza para que, todas as pessoas interessadas, cadastre seus dados abaixo (caso já tenha se cadastrado em outro momento, não é necessário cadastrar-se novamente!):

Por Leonan Oliveira

Mulher transexual, fotógrafa, produtora e presidente da Associação de Pessoas Portadoras de Deficiência de Passos, essas são apenas algumas das diversas funções de Leandrinha Du Art. A mineira, de 22 anos, é referência de empoderamento, ativismo e resistência LGBT.

Durante uma viagem à São Paulo, onde participou do Ciclo de Debates, ela visitou a sede da Associação da Parada do Orgulho LGBT, e dividiu conosco suas idéias e crenças.

Leandrinha Du Art visita a sede da APOGLBT (26/05)

Confira abaixo nossa entrevista na íntegra:

APOGLBT – Você acredita que ser LGBT e ter alguma deficiência torna tudo mais complicado? Existe preconceito dentro do preconceito?

Leandrinha: Eu acredito que ser LGBT já é complicado… ser portadora de necessidades especiais já é complicado… Os dois juntos é o pacote da desgraça completo. São lutas diferentes, mas não deixa de ser. É mais um enfrentamento para as pessoas porque choca mais.

Existe muito muito preconceito dentro do preconceito. Eu acho que na classe LGBT é muito mais, nem é por conta da deficiência física, mas por conta de alguns pensamentos que você passa a ter, por conta de ser trans e não se importar de se intitular travesti…porque eu sou mulher transexual e a menina da esquina é travesti? Só porque a gente não teve as mesmas oportunidades? Só porque eu tô tendo um destaque maior? Então quando eu me intitulo travesti é para representar essas meninas, que na maioria das vezes não teve a oportunidade que eu tive para chegar onde eu cheguei.

APOGLBT – Como você se descobriu uma mulher transexual?

Leandrinha: É um passo a passo… Primeiro eu me assumi gay, e depois me descobri trans. Como eu me descobri? Eu acho que é não me identificando com o meu próprio corpo, e não ter ponto de referência, nem contato com o mundo LGBT, ficou bem mais difícil para saber o que eu era. Então eu não sabia o que eu era… eu era um menino, que não me identificava com o meu corpo, e mesmo assim ainda tentava entender aquele corpo, pra ver se alguma coisa estava errada.

Demorou… eu me assumi com 17 anos, hoje eu vejo o jovem se assumindo bem cedo e me dá uma alegria imensa, porque eu acho que quanto mais cedo, melhor. O impacto vai ser gerado do mesmo jeito… Eu entendo que a maioria demore pra se assumir pra família com medo de violência, na qual eu não sou apta a falar porque nunca sofri, mas mesmo assim eu falo por essas pessoas também. O tempo necessário pra se assumir é o tempo que você levar para se entender, se tiver que levar 20, 30 anos, leva… mas não fica a vida inteira tentando viver igual as outras pessoas.

APOGLBT – Quando começou a militar? Sentiu alguma dificuldade?

Leandrinha: Eu comecei a militar quando eu nasci, porque eu já nasci uma pessoas portadora de necessidades especiais…então eu tive que sobreviver para me destacar. A menos que eu quisesse ficar dentro de um quarto, isolada…longe de tudo e de todos.

Depois que eu conquisto o meu lugar no sol, é onde eu falo: “vamo comigo?”, e eu acho que é pra isso que eu sirvo. A minha militância é essa… arrastar essas pessoas, essas mulheres que têm a auto-estima baixíssima, os portadores de necessidades especiais que ainda estão dentro de casa, sentindo vergonha do seu corpo, de sua deficiência…os LGBTs que perderam o senso político da gravidade do momento em que nós estamos vivendo. Eu falo: “Vamo acordar?”.

Acho que nunca tive dificuldade pra militar, porque já nasci assim, né? Claro, é muito difícil, mas nunca tive um momento onde eu pensei em parar de fazer as coisas que eu faço… mas justamente por eu ser obrigada desde pequena a lutar pelo que acredito.

APOGLBT – Você se sente representada pelos movimentos sociais LGBT?

Leandrinha: Nessa hora, LGBTs me crucificam e me matam…Mas eu me sinto muito representada por alguns, outros, não. Porque eu acho que se perdeu o fio da meada política, sabe? Se perdeu o motivo de estarmos fazendo isso…porque da parada LGBT? Se perdeu isso. O que é uma pena, porque se você perguntar para as pessoas que vão na parada qual o tema desse ano, a maior parte não vai saber responder. Elas vão mais por uma boate a céu aberto do que pela causa em sí.

Claro que eu apoio a parada, porque a visibilidade é um passo dado… porque se você está na rua, mesmo que não sabendo direito a importância disso, alguém está te vendo.

APOGLBT – Atualmente, qual a maior importância do seu trabalho?

Leandrinha: Conscientizar as pessoas de que elas são capazes, que elas têm que ser empoderadas, e que de alguma forma estão sendo preconceituosas consigo mesmas.

Desconstruir pra construir de novo é o que eu faço, sabe? Quando uma pessoa me olha e vê todo esse todo meu, eu acho que ela para pra pensar e enxerga uma referência… e eu sinto muito orgulho de ser referência… Quando uma pessoa me elogia eu não fico falando: “Ai, magina…”… EU SOU MESMO! Eu trabalhei pra isso, eu sou boa no que eu faço, eu acredito no meu potencial, eu sou referência e meu trabalho é esse… levar as pessoas comigo.

APOGLBT – Hoje você serve de exemplo para muitas pessoas que compartilham das mesmas dificuldades. E você? Teve ou tem alguém como exemplo de superação?

Leandrinha: Eu tenho milhares de referências… tanto comunicadores como pessoas do meio LGBT. Eu sou comunicadora também, então eu acho que é importante se inspirar nos outros, mas sem perder sua própria identidade. Sempre manter sua essência mesmo.

APOGLBT – Que conselho você daria para quem é LGBT, tem alguma deficiência e se sente sozinha(o)?

Leandrinha: Se conheça, se permita dar o seu espaço, mas se conheça em primeiro lugar… o que mais pesou pra mim foi não me conhecer, então acredito que esse seja o primeiro passo pra você construir uma vida legal.

APOGLBT – Se você pudesse criar uma sociedade perfeita, como ela seria?

Leandrinha: Eu não acredito em uma sociedade perfeita… eu acredito em várias idéias, pontos de vista diferentes. Uma sociedade perfeita seria aquela onde todos nós nos respeitássemos e soubéssemos ouvir outras pessoas, mesmo que não compactuando as idéias… siga aquilo que você acredita, mas não impeça os outros de acreditar em suas idéias próprias. Respeito é a solução pra uma sociedade perfeita.

APOGLBT – Como as pessoas podem entrar em contato com você? Tem site, Facebook, Twitter?

Leandrinha: Eu tenho minha página no Facebook “Leandrinha Du Art”, meu Instagram LeandrinhaDu… Lá eu posto vários textos meus, vários eventos que eu participo e escrevo bastante matérias sobre determinados temas.

Eu converso muito com pessoas do Brasil todo, mulheres, portadores de deficiência de vários lugares… faço o possível pra responder todo mundo. É bastante prazeroso, sabe? Alcançar esse público que eu alcanço é um passo, e cada passo precisa ser valorizado.

Militância é mostrar quem somos, é expressar sentimentos, alegrias e motivações que todos nós, seres humanos, possuímos. E mostrar com orgulho. Com orgulho LGBT. Sem medo, sem sofrimento e da forma como desejamos: livres e felizes.

Pensando nisso, escolhemos algumas tatuagens inspiradoras de pessoas que, com esse mesmo sentimento, registraram na pele seu Orgulho LGBT. Registraram seu amor ao igual.

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E você? Também tem uma tatuagem? Conta pra gente! Utilize o formulário abaixo!

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Thiago Aranha, diretor-presidente da ONG

A Casa de Apoio Brenda Lee reabriu em março, acolhe travestis e transexuais portadores de HIV, após cinco anos de atendimentos suspensos, o renascimento do legado de Brenda Lee é representado pelo Thiago Aranha diretor-presidente da ONG.

Em 1985, um ano depois de ter comprado o imóvel no bairro da Bela Vista, aconteceu uma série de assassinatos de travestis em São Paulo, Brenda, então, acolheu um número maior de meninas e, assim, a pensão recebeu o nome de Palácio das Princesas. Com o tempo, algumas de suas amigas começaram a aparecer doentes e ela as acolhia também. Até que recebeu o primeiro paciente portador do vírus HIV, em 1986, e virou casa de apoio.

Em entrevista ao Agência Aids, Thiago explica sobre o fechamento da casa entre 2011 e 2015:

“As atividades de acolhimento foram encerradas porque a diretoria não sabia mais lidar com o novo perfil das acolhidas. Na época da Brenda, a maioria dos usuários era de travestis que vinham da Europa doentes de aids. Em 2011, já eram travestis mais jovens, usuárias de drogas, que precisam até de reabilitação. Por falta de estrutura para lidar com o novo perfil, a procura também foi diminuindo.”

Outro motivo que contribuiu no encerramento das atividades desse período, e causou muitos problemas entre as usuárias, foi a antiga regra de quarentena, pois como elas chegavam com a saúde muito debilitada pelo HIV de hospitais especializados como Emílio Ribas, elas precisavam ficar 40 dias confinadas na casa. Com o avanço e inovações no tratamento do HIV, essa regra perdeu sentido.

”Uma das primeiras mudanças que fiz, foi extinguir essa regra.” conta Thiago.

Em 2013 a Casa de Apoio Brenda Lee foi reestruturada para retornar ao serviço de acolhimento, revendo documentos, conforme Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), adaptações e promoção de rodas de conversa aos interessados.

A casa possui 4 andares, 6 quartos ocupados, sala de estar, sala de TV, cozinha, banheiros, recepção e laje com varanda; funciona 24 horas e por mais que a casa tenha foco em pessoas travestis e transexuais, jovens gays também são acolhidos.

“A Brenda dizia que tudo o que a sociedade rejeitava, ela acolhia. Se um homossexual estava com AIDS e todo mundo dava as costas para ele, ela ia atrás, trazia pra cá e cuidava. Buscamos trazer sempre esse exemplo para o nosso dia a dia. Ela ajudou as pessoas num momento que ninguém sabia nada sobre a aids. Recebeu e cuidou dos primeiros casos da doença e também tinha uma ala para cuidar das que estavam com tuberculose”, continua Thiago, que, antes de ser diretor-presidente da ONG, era voluntário.

Após seu assassinato, a família de Brenda Lee não quis assumir a casa, que foi comprada, virou ONG para que sua memória fosse mantida e seu trabalho também, comenta ainda Thiago Aranha.

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Para ajudar a Casa de Apoio Brenda Lee, basta entrar em contato no telefone (11) 3112-1384 ou no endereço Rua Major Diogo, 779, Bela Vista, São Paulo – SP.

Serviço

Casa de Apoio Brenda Lee
Tel.: (11) 3112-1384
Rua Major Diogo, 779, Bela Vista, São Paulo – SP

Chandelly Kidman, personagem drag queen de Dackson Mikael de Sousa Rodrigues, 24 anos, resolveu conciliar suas performances nos palcos da noite LGBT com animações para crianças que fazem tratamento de câncer.

Em entrevista dada ao portal G1, Dackson disse que estes projetos sociais o alimentam como ser humano. Seu trabalho, que é realizado uma vez por mês no Hospital São Marcos, clinica referência no tratamento do câncer no Piauí, diverte não só as crianças mas também pais, mães e até mesmo os profissionais de saúde do local.

“Esse projeto significa muito tanto para mim quanto para as crianças porque isso acaba sendo uma extensão do tratamento que elas fazem no hospital. Era um desejo pessoal e eu não tinha noção do quanto era importante. Estou fazendo parte da vida dessas crianças e de alguma forma ajudo no tratamento. Com o projeto, eu reflito mais sobre o mundo por conta do poder dessa sutiliza”, disse.

Dackson Mikael de Sousa Rodrigues
Chandelly Kidman, que existe há 4 anos, nasceu de um concurso chamado Brasilian Drag. Depois disso, ela já se apresentou em São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão e Pará.

“Esse projeto (com as crianças) me dá um gás e me dá uma noção do que é o mundo humano. A gente vê e percebe o poder da gentileza. Me alimenta como pessoa, como artista. É uma troca de energias”

Por Fabrício Viana

Drag Queen Tchaka, a “Rainha das Festas”, como ela mesma se vende (e muito bem, obrigado!), é uma mistura gostosa de arte com militância. Arte porque, para ser uma drag queen, tem que ter seus talentos artísticos (aprendidos ou inatos) e militante porque, ao contrário de outros artistas, é participante ativa da militância LGBT há anos. Conseguimos uma entrevista exclusiva com essa menina.

Vamos ler, comentar e compartilhar?

1) Qual seu nome e sua formação? Pode falar?
Meu nome é Valder Bastos Santos, sou formado em direito pela Universidade Brás Cubas e tenho o curso profissionalizante de ator na Escola de Teatro Macunaíma.

2) Quando a personagem Drag Queen Tchaka surgiu em sua vida? Há quanto tempo você trabalha com ela?
Em meados dos anos 2000 um grupo de amigos resolveu que no revellion desse mesmo ano alguém se ‘montaria’ de Drag Queen e eu fui o escolhido por ser ‘a mais pintosa’, espalhafatosa e engraçada. Então em 2016, faço 16 anos de carreira na arte de encantar através do lúdico e estou na marca de mais de 4 mil eventos, shows, palestras, feiras, congressos, participações em programa de TV, teatro e cinema por todo Brasil.

3) Porque o slongan “Tchaka, a rainha das festas”?
O título de “TchaKa, a rainha das festas” surgiu de um convite do jornalista Maurício Coutinho que, no ano de 2010, fez uma exposição “InformaSamba 2010” no Shopping Ligth e me coroou como a rainha das festas da cidade de São Paulo. Teve faixa e tudo. Adorei a brincadeira e comecei a usar positivamente ao meu favor.

4) Além de toda a alegria, simpatia e irreverência, a Tchaka é uma boa “marqueteira”. Você fez algum curso ou aprendeu tudo com a vida?
Adoro a arte de vender, fiz diversos cursos no Sebrae sobre empreendedorismo, mesmo na época da faculdade eu já vendia cestas de café da manhã para ajudar a pagar a mensalidade. Hoje faço workshop e apresentação de novas drag queens, como por exemplo, o projeto “Drag Contest” que é patrocinado pela Prefeitura de São Paulo. Acredito que todos profissionais, independente de sua área, deveriam fazer um curso de como vender suas habilidades profissionais. Digo sempre o seguinte: quanto deveria ganhar um advogado com 16 anos de carreira? É exatamente ou até mais o que devo ganhar na profissão de ator performático, temos que aprender que ser ator além de ‘vocação’ (que é questionável) também e fazer um planejamento estratégico de carreira.

5) Quais os trabalhos que a Tchaka realiza no dia a dia? Festas infantis? Eventos corporativos?
Hoje a Tchaka é multimídia: realizo diversos atividades, sou uma drag queen do dia (risos). Durante o dia fico no escritório da “Agência de Animação Tchaka Eventos”, somos 16 atores e atrizes como anões, DJs, recepcionistas, bartenders e drag queens: todas no estilo Tchaka de ser. Gravo o programa Okay Pessoal no SBT, estou em cartaz no teatro, também ministro “Palestra Motivacional Lúdica” para grandes empresas e faço as tradicionais festas sociais, como por exemplo aniversário surpresa, chá de cozinha, chá de bebê, chá de casa nova, chá-bar, festas de formatura, festa de casamento, bodas, festa de debutantes, etc

6) Diferente de alguns artistas, você se preocupa muito com a militância LGBT. Da onde vem este sentimento de querer fazer algo por um mundo melhor?
O sentimento que me motiva vem de minha mãe, que é uma mulher de 82 anos e que sempre lutou por dias melhores, envolvida com política na adolescência, lá na época da ditadura, ela lutava pelos direito da mulheres, etc. A faculdade de direito me deu base para falar corretamente, ser bom na oratória e entender o que sou e devo fazer nesse mundo. O envolvimento com as questões dos direitos dos LGBTTs vem dessa época, e do enfrentamento direto. Uso minha imagem, arte, força e voz para tentar por meio do lúdico despertar outras cabeças pensantes.

7) A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, o maior evento de visibilidade LGBT do mundo, é promovido pela APOGLBT há 20 anos. Você tem acompanhado esta evolução? Se sim, o que mudou na sociedade graças a Parada?
O trabalho desses 20 anos da APOGLBT é essencial para que hoje possamos ser o que somos, com a visibilidade e sensibilização da população. O respeito para os LGBTTs que até então é renegada, começou a ser vista, sentida e vivenciada de forma mais tranquila. A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo beneficia à todos os lgbtts do Brasil por ser politizada. Precisamos continuar na luta para que chegue um domingo, na Avenida Paulista, e realmente tenha só a festa de todas as vitórias que conquistamos anteriormente. Enquanto isso não acontece, precisamos ter consciência que #FervoTambemÉLuta

8) Há 3 anos, você apresenta, junto com outros artistas, a Parada do Orgulho LGBT na Avenida Paulista. Como é esta experiência?
Drag Queen Tchaka ser a apresentadora da parada LGBTT de São Paulo é um mix de dever social e responsabilidade em se comunicar com 3 milhões de cabeças pensantes, é me fazer ser a voz daqueles que o ano inteiro não tem.

9) Tem algum fato que te marcou, durante alguma Parada do Orgulho LGBT de São Paulo?
Vários momentos me marcaram durante esses anos. Sempre venho no chão (exceto esses 3 últimos anos que apresentei no primeiro trio) e um determinado ano, vendo os trios passarem, ouvi de longe o Hino Nacional Brasileiro cantado brilhantemente pela travesti e cantora Renata Peron. Foi muito emocionante. E esse ano, em especial, ver à frente do primeiro carro o grupo “Mães Pela Diversidade”.

10) Sabemos que famílias e crianças também participam da Parada. Como elas encaram a personagem Tchaka. Ou outros artistas?
A cada ano o número de famílias com crianças vem aumentando e isso é deliciosamente positivo para o movimento. Devemos grande parte desse processo às drag queens que nesses 20 anos transformaram à Avenida Paulista e a Avenida da Consolação num tapete arco-íris, com todas as suas cores, alegria, militância, excentricidade e exuberância. A figura da drag Queen no universo heteronormativo é visto como deve ser: de artistas. E dessa forma ajudam comunicando as mensagens políticas, durante à manifestação, para todas as pessoas.

11) Tchaka também pode ser vista no teatro? Tem alguma peça em cartaz neste momento?
Esse ano me permiti brincar, brilhar e entreter almas também nos palcos do Teatro Brigadeiro aos domingos com a comédia “As Vizinhas”. Compartilho o palco com os atores Carri Costa, Solange Teixeira, Thiago Cavalcante e Valder Bastos.

12) Para finalizar, o que você diria para todas as pessoas LGBTs que estão lendo, neste momento, esta entrevista?
Muitas pessoas, por ver a Tchaka correndo, trabalhando, realizada no casamento de 16 anos com maridão Chefe Carlito, feliz da vida, etc me veem como exemplo positivo. Sempre falo o seguinte: ter estudado me deu liberdade de fazer as escolhas certas, então LGBTTs de nosso gigante país, vamos estudar, ler muito e assim termos a consciência que temos que fazer nossa parte nessa transformação, afinal, o mundo que queremos só será possível se todos e todas formos respeitados e respeitadas pelo que somos.

13) Pode deixar seu site e contatos? Muito obrigado pela entrevista!
O site é www.tchaka.com.br. WhatsApp 11 991327750 e o instagram @TchaKaDragQueen

Por Fabrício Viana.

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Iran Giusti. Foto: Arquivo Pessoal

Muita gente critica a Parada do Orgulho LGBT, independente do lugar e da ONG que a administra. A principal reclamação? Que falta política. Falta protesto. Que tudo virou um grande “carnaval” a céu aberto. Claro que em um evento social deste porte, alegria e militância tem que caminhar juntos sempre. E que até a alegria gerada pelas pessoas que se fantasiam e vão apenas para se divertir, sem medo de serem o que são, também é um ato político. Agora, se falta mais política, mais atos políticos, não adianta só criticar. Como diz o artigo (um dos mais lidos em nosso portal) “Antes de criticar a Parada, leia este texto”, a responsabilidade de uma manifestação mais politizada tem que ser de tod@s. Não só dos organizadores. E é justamente isso que Iran Giusti fez, no dia 29 de Maio, na Avenida Paulista, durante a 20ª Parada do Orgulho LGBT.

E o que o jovem Iran fez? Ele comprou cartolina, escreveu frases de protesto e militância e começou a distribuir gratuitamente para todas as pessoas que se interessavam não só em participar da Parada, mas também fazer a diferença. Lindo isso, não? Tanto que fizemos questão de entrevistá-lo em nosso portal e pedimos que todos compartilhem, o máximo que puderem, esta entrevista. Que a atitude dele sirva de exemplo para tod@s. Sempre!

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Iran Giusti criando e distribuindo gratuitamente cartazes de militância durante a 20ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo

Vamos à entrevista?

1) Qual seu nome e formação?
Iran: Iran Giusti, sou formado em Relações Públicas e jornalista de profissão.

2) Na 20ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, você estava distribuindo gratuitamente cartazes de militância LGBT, de quem foi esta ideia?
Iran:
Minha mesmo 🙂

3) Você teve apoio ou financiamento, para produzir estes cartazes, de alguma empresa ou ONG?
Iran: Não tive não, foi tudo do meu bolso mesmo.

4) Amigos ou parentes te ajudaram nesta empreitada?
Iran: No dia alguns amigos foram à Parada e ajudaram na distribuição. Foi bem lindo.

5) Entre as frases dos cartazes, poderia citar algumas pra gente?
Iran: Eu optei por misturar bastante, inserindo frases divertidas com mais políticas: “Vote LGBT“, “Nome Social é Direito“, “Aprovação Lei João Nery já“, “Aprovação Lei 7852 já” e “Meu cu é laico“, “Vamos ser viado pra sempre” (frase do personagem “bicha bichérrima” do Paulo Gustavo), “Cada dia mais bicha, um level a mais, igual um pokemom” (Do documentário Bichas), “Hétero só serve pra fazer mais bicha” (meme popular na internet). Entre outros.

6) Quantos cartazes você produziu e foram distribuídos durante a Parada neste ano? Tem ideia aproximada?
Iran: Foram aproximadamente 120 cartazes. 80 produzidos por mim e o restante por quem passava e escolhia fazer o seu.

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7) Além de você, teve outras pessoas com a mesma atitude? Ou com algum trabalho de militância deste tipo?
Iran:  Acho que com esse propósito não teve ninguém não, mas como fiquei em um único ponto da Paulista não consigo te precisar.

8) Há quanto tempo você participa da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo? Percebeu alguma mudança na sociedade ao longo dos anos, graças a visibilidade da Parada?
Iran:  Essa foi a minha décima edição. Eu sinto que a Parada está cada vez mais organizada, porém, o evento é na verdade formado de pessoas e são elas que devem fazer o que acham certo. Sinto que ela tem sido mais política e isso é muito importante, em especial em um país onde a política é tão contrária aos direitos LGBT.

9) Muitos criticam a Parada como um enorme carnaval. Dizem que precisa de mais militância e empoderamento, mas não fazem nada para mudar isso. Você fez. Acha que as pessoas deveriam reclamar menos e também colocar a mão na massa? Concorda que a militância tem que ser de todos e não só da ONG APOGLBT, responsável pela Parada do Orgulho LGBT de São Paulo?
Iran:  Eu amo o fato da Parada ser um enorme carnaval, isso é Brasil. A gente tem como característica essa alegria, esse animo, esse amor e é muito importante a gente lembrar que se divertir, beber, beijar na boca é sim um ato político e de resistência, principalmente em uma sociedade homofóbica quanto a nossa. Vale lembrar também que uma coisa não exclue a outra.

10) Para os próximos anos, você pretende fazer a mesma coisa? Tem outras ideias ou projetos para a Parada?
Iran:  Ano que vem vão ser 500 cartazes e por enquanto é só isso, porém, participo de vários projetos e faço matérias de temática LGBT, então, quem sabe não surge uma nova ideia?

11) Para finalizar, gostaria de deixar um recado para todos os leitores e amigos do nosso portal?
Iran:  Queria repetir uma coisa que faço constantemente: se um dia eu for agredido, espancado ou morto por homofobia eu não quero absolutamente ninguém usando camiseta com a minha cara se manifestando ou rezando. Pra mim, a luta é agora, enquanto eu tô vivo.

Iran, obrigado pela entrevista e, novamente, parabéns por sua criatividade, militância e atitude. Que ela realmente sirva de exemplo para muitas pessoas!

Miguel Martins, de 29 anos, é o primeiro soldado homossexual brasileiro a receber autorização para se casar usando a farda de gala da Brigada Militar. A união com o modelo Diego Souza, de 21 anos, é bem vista pela corporação.

Segundo o tenente-coronel Roberto Ortiz Pereira, comandante do batalhão, não há nenhum impedimento para a realização da cerimônia. O uso da farda é uma prerrogativa da função exercida pelo soldado, portanto, não faz sentido negar esse direito.

Martins trabalha no 1º Batalhão de Patrulhamento de Áreas de Fronteira, em Uruguaiana, na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina e o Uruguai. Ele conta que assumiu a homossexualidade para seus familiares e amigos quando tinha 20 anos e que até então nunca sofreu preconceito por isso.

“Nunca fui desrespeitado ou alvo de piados por ser um PM homossexual. Já efetuei diversas prisões e sequer os criminosos fizeram deboche.”

Fonte: Razões Para Acreditar

Jozi Cats, primeiro time de rugby assumidamente gay na África do Sul, lançou uma campanha contra a homofobia utilizando-se expressões, gírias e estereótipos comuns direcionados à comunidade gay.

Segundo o presidente do time, Teveshan Kuni, a ideia da campanha é não somente atrair novos jogadores mas também criar um ambiente favorável para que outros atletas pudessem assumir sua própria orientação sexual.

morde-fronhas

Em uma das imagens da campanha, “Pillow Bitter” que, traduzindo para nossa cultura, ficaria algo parecido como “Morde Fronhas”, muito utilizado em brincadeiras preconceituosas para caracterizar homossexuais, Kuni ressalta a importância desta ação:

“O que estamos fazendo é tornar as pessoas conscientes do que elas dizem, e como isso pode afetar a comunidade. Um dos nossos jogadores sequer havia se assumido gay para seus amigos e sua família, então, para ele foi como um rito de “sair do armário”

Para Fabrício Viana, autor do livro sobre a homossexualidade “O Armário” e que neste ano completa 10 anos de existência, “Campanhas como esta são importantes para mostrar outras pessoas que assumir-se gay, bi ou lésbica não é o fim do mundo, seja no esporte ou fora dele; e pode ser bem mais libertador do que imaginamos. Uma vida sem mentiras, plena e satisfatória é o que precisamos. Por isso campanhas como esta devem ser compartilhadas sempre!”.

A campanha do time Jozi Catz pode ser vista no seu Facebook, perfil https://www.facebook.com/jozicats