domingo, março 26, 2017
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saindo do armário

Criada em 1988 pelo psicólogo gay Robert Eichberg e pela ativista lésbica Jean O`Leary, o “The Coming Out Day” (em português Dia de Sair do Armário) é um dia internacional para aumentar a conscientização sobre a importância de sair do armário e discutir temas relacionados com gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (LGBT).

A data, 11 de Outubro, foi escolhida porque é aniversário comemorativo em Washington para celebrar os direitos de gays e lésbicas. Segundo Eichberg, a não comemoração e invisibilidade de LGBTs na sociedade é um território fértil para a criação e proliferação da homofobia. Quanto mais pessoas se assumem, mais pessoas percebem que não existe nada de errado com pessoas LGBTs: elas amam, sofrem, são felizes, trabalham e vivem uma vida como qualquer outra pessoa, passando a respeitá-las.

Para comemorarmos o dia da Saída do Armário, tema recorrente em filmes, peças de teatro, livros (alguns deles: O Armário, Guardei no Armário, Fora do Armário, etc), selecionamos alguns vídeos que encontramos no Youtube de pessoas que contam como foi, para elas, “sair do armário” (em ordem alfabética):

Canal HBW
Youtube da Paula

ChellAndMar
Youtube da Chell e Mar

Colher de Ideias
Youtube da Eva e da Malu

Eduardo Bressanim
Youtuber

Fabrício Viana
Jornalista e Escritor LGBT

Fora do Armário
Youtuber

Lucca Najar
Homem Trans

Respeita Minha História
Youtube do Thomas

Viaja Bi!
Youtube do Rafa Leick

Viaje com a Cris
Depoimento da Teresa

Victor Larguesa
Youtuber desde 2012

 

Integrante da família real britânica, o lord Ivar Mountbatten, de 53 anos e primo da Rainha Elizabeth II, revelou ao jornal The Telegraph que passou toda a sua vida lutando contra sua orientação sexual.

“Ser um Mountbatten nunca foi o problema, foi a geração que nasci. Quando eu cresci, era conhecido como ‘o amor que não ousa dizer seu nome’, mas o que é incrível agora é o quão longe nós chegamos em termos de aceitação”, revelou ao jornal.

Pai de três filhas, divorciado de Penelope Thompson com quem foi casado por 17 anos, Mountbatten não só se assumiu publicamente mas também apresentou seu companheiro, James Coyle, de 54 anos. Ele diz que ter encontrado Coyle foi uma dádiva, pois não irá envelhecer sozinho e nem terá que esconder sua homossexualidade para mais ninguém.

Para Fabrício Viana, autor do livro sobre a “saída do armário” chamado O Armário:

“Muita gente acha que este tipo de notícia não é importante para a sociedade. Mas é sim. Sempre que um famoso se assume publicamente, essa ‘visibilidade’ mostra a muitos homossexuais que ainda sofrem ‘dentro do armário’ que viver bem com sua orientação sexual é algo possível, saudável e muito comum. Falo isso no meu livro e as paradas do orgulho LGBT são outro exemplo vivo disso”, diz Viana.

Viana, que gravou recentemente um vídeo contando sua “saída do armário“, completa:

“E não existe idade para sair do armário.
Nem precisa ser rico ou famoso. Nunca é tarde para ser feliz!”

O cantor Ryan Beatty, de 20 anos, assumiu que é gay usando sua conta no Instagram nesta ultima terça (28). Para dizer isso ao seu público, ele usou a foto de um casal de homens com um balão escrito “poder gay”, com os seguintes dizeres:

“Orgulhoso de ser um homossexual indomável. Levei 20 anos sufocando no armário para me sentir confortável ao dizer isso, mas agora posso, finalmente, respirar. Consegui!”, escreveu Ryan.

Misturando acústico com música moderna, Ryan lançou seu primeiro EP, Because Of You, em 2012. O single Hey LA chegou no mesmo ano, junto com Little Thing, seus grandes sucessos.

Cantor Ryan Beatty gay Instagram

O Instagram de Ryan é o https://www.instagram.com/ryanbeatty. Neste momento a foto já tem mais de 1000 comentários. Vai lá e registre o seu também!

1-homofobia-internalizada

Fabrício Viana é jornalista, escritor e bacharel em psicologia. Ele produziu em seu canal no Youtube um vídeo explicando sobre o quanto é importante gays não só saírem do armário mas também se livrarem da homofobia internalizada. Assista e compartilhe!

Para se inscrever no canal dele, entre no vídeo abaixo e clique em se inscrever:

https://www.youtube.com/watch?v=4g86bMeBmOw

Entre gays e “não gays” encontramos diversos indivíduos considerados “neuróticos” ou com algum desequilíbrio emocional. Infelizmente isso é “quase” comum nesta sociedade nem tão boa como imaginamos.

Claro que a homossexualidade, em si, não é o fato dessa desordem, afinal, hoje sabemos que ela não é considerada doença pela comunidade médica e científica (a homossexualidade é apenas uma expressão natural da sexualidade humana, e apenas isso!). O que causa a neurose são os conflitos que o indivíduo possui entre seus desejos (ID) e o que a sociedade impõe (superego), que faz com que o mesmo (ego) se torne fragilizado.

Se a sociedade não fosse tão preconceituosa e os homossexuais não aprendessem desde pequeno que seus desejos são “errados” (isso gera inclusive uma homofobia internalizada neles), é muito provável que muitas neuroses deixariam de existir. Isto é, nem seriam criadas.

Entretanto, quanto maior o desejo e quanto mais reprimido ele for pela sociedade (ou mesmo pelos pais), mais forte se torna o ciclo “neurotizante”, ao ponto de, com o tempo, podendo apresentar reações psicossomáticas, psicomotoras (famosos “tiques nervosos”), de isolamento, confusões mentais e até psicoses (loucura). Entre outros sintomas de desequilíbrio mental, como um dos casos que cito no meu livro sobre a homossexualidade chamado O Armário:

Para termos uma ideia mais precisa do quanto complicado é viver uma vida dupla, de mentiras e com grande desperdício de energia psíquica, vamos a um caso bem interessante de um rapaz. Noivo e com uma vida bastante conturbada, ele começou a criar – para sua futura esposa, amigos e familiares – desculpas para sair à noite, conhecer rapazes e ter seus encontros puramente sexuais (afinal, é a única coisa que poderia fazer nestas suas breves saídas – saciar seus desejos). Porém, a frequência com que saía aumentava ao ponto dele precisar criar histórias e personagens para suas desculpas, para que ninguém desconfiasse da verdade. A mais utilizada era a de que ele estava indo para a casa de um colega de trabalho resolver pendências, colega que só existia em sua mente. Para que a desculpa não fosse sempre a mesma, ele inventou uma filha desse colega, e que sempre o ajudava levando-a para o hospital (pois ela fazia um longo tratamento, segundo ele). Quando essa história também se saturava, ele criava outro personagem, um outro amigo de trabalho, um outro parente deste colega, uma tia com que tinha perdido contato desde pequeno, mas que morava em outra cidade, e por aí foi. Em apenas dois anos, esse rapaz se encontrava em uma situação muito complicada. Ele criou tantos personagens e tantas histórias em sua mente, para dar as desculpas, que foi parar em um tratamento psicológico em estado grave (quase de psicose) com o objetivo de tentar separar quem de sua vida era real e quem era imaginário (criado por sua mente), pois ele não sabia mais ‘quem era quem’.(página 97 e 98, livro O Armário)

Logo, a matemática de uma vida dupla é simples: se você tem uma pilha e usar metade de sua energia para uma vida saudável e a outra metade com o objetivo de “esconder-se”, é diferente de usar a mesma pilha/energia 100% ao seu favor, isto é, “fora do armário” e sendo você verdadeiramente em qualquer lugar com todos os seus desejos e com uma vida afetiva e sexual plena e satisfatória. Algumas empresas já sabem disso, segue mais um trecho do meu livro:

Algumas empresas de recursos humanos já sabem, por exemplo, que um rapaz no trabalho que não é assumido gasta muito mais energia escondendo seus desejos e vida homossexual do que outro – também homossexual – que não precisa escondê-los. Optam por aquele que é assumido, afinal, ele produzirá muito mais que o outro.

Claro que chegar a este ponto não é algo inatingível, acredito que, se muitos conseguem, você e qualquer pessoa também pode conseguir. Tudo bem, sabemos que isso não acontece de um dia para outro. Tudo depende de você e do caminho “lento” ao objetivo final, mas se você não começar a batalhar por sua vida e por sua felicidade, quem irá? Lembre-se de que, a única pessoa que sabe o que é melhor para você é você mesmo. Se escolher “sair do armário“, ótimo, parabéns e ao mesmo tempo esteja preparado para as grandes dificuldades que irá encontrar. Se escolher continuar “no armário”, ótimo também. Mas você não acha que vai desperdiçar grande energia onde poderia investir?

Digo isso pois é comum homossexuais assumidos, quando chegam ao seu “último estágio de aceitação”, pararem e pensarem: “como é gostoso ser quem realmente eu sou, não ter que esconder minha orientação sexual para amigos, familiares, colegas de trabalho ou estudo”. Tiro isso por mim e por muitos amigos, de todas as idades, que vez ou outra, comentam sobre. Lembrando que, não basta apenas sair do armário, também precisa – e isso é muito importante – livrar-se completamente da homofobia internalizada, que muitos homossexuais, mesmo assumidos, carregam consigo. Falo também no meu livro. Lembrando que ele não é vendido em livrarias, apenas neste link (144 páginas) ou a versão digital no site da Amazon Brasil

Portanto, o que vale, realmente, é refletirmos sobre tudo isso. E divulgar essa matéria para o máximo de pessoas possíveis. Precisamos ter uma vida autêntica antes de tudo.

Abraços fraternos,

 

Fabrício Viana*

*Fabrício Viana é jornalista, bacharel em psicologia com pós em marketing, autor de vários livros com temática LGBT, entre eles O Armário (sobre a homossexualidade), Ursos Perversos (contos), Orgias Literárias da Tribo (coletânea premiada duas vezes) e seu mais recente sucesso chamado Theus (romance gay). Seu site com suas redes sociais é www.fabricioviana.com