Vereador Ricardo Nunes emite notificação com ameaças à EMEF Amorim Lima pela semana de Gênero e Educação

Realizado em São Paulo entre os dias 25, 26 e 27 de Outubro de 2016, a semana de “Gênero e Educação” da EMEF Amorim Lima foi um sucesso. Porém, um dia antes, a diretora Ana Elisa Siqueira, que está há mais de 20 anos na rede municipal de ensino recebeu uma notificação do vereador Ricardo Nunes (PMDB) questionando a legalidade do evento.

Portanto, trata-se de uma iniciativa claramente ILEGAL e arbitrária, sem apoio em qualquer norma vigente ou válida especialmente por tentar aplicar em nível de ensino fundamental a temática de gênero. A proposta contradiz a legislação e os direitos e deveres dos pais nesta matéria“, diz um dos trechos da notificação.

Mais adiante, após vários questionamentos, o vereador Ricardo Nunes diz que, caso as atividades aconteçam, seriam tomadas providências imediatas e contundentes junto aos órgãos de fiscalização e controle.

Nossa redação entrou em contato com Ana Elisa Siqueira nesta segunda, 31/10, para esclarecer os fatos e a mesma disse que o evento foi um sucesso. Que a necessidade de se discutir o tema não veio do “topo”, e sim dos próprios alunos. “Veio de baixo para cima, e após isso, foram realizadas diversas reuniões para que a semana ocorresse da forma mais tranquila possível”, enfatizou.

Segundo ela, a EMEF Amorim Lima se destaca por fazer com que seus alunos levem a reflexão diversos temas, respondam perguntas e, assim, ampliem seus horizontes. Alias, em uma entrevista em vídeo dada em 2013, que pode ser assistido aqui, Ana deixa claro esse perfil questionador.

Quando o tema foi proposto pelos alunos, Ana diz que foram feitas reuniões com a comunidade, com os professores e a semana de “Gênero e Educação” foi pensada várias semanas antes. Ninguém entrou nas questões de sexo ou sexualidade, afinal, é um ambiente escolar.

“Essa notificação apareceu um dia antes do evento. Ele nem seguiu os trâmites corretos, como entrar em contato primeiro com a Secretaria de Educação. A escola tem sua autonomia e, como eu disse, a demanda veio dos próprios alunos. Nada foi imposto. Tivemos pessoas com doutorado na USP e representantes do movimento feminista participando.”, completou Ana ao telefone.


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Publicado por: Fabrício Viana
Fabrício Viana é jornalista (MTB 80753/SP), gay, coach, escritor premiado e responsável pela assessoria e comunicação da APOGLBT SP, ONG que realiza a maior Parada LGBT do mundo. Conheça Viana aqui fabricioviana.com